Sindicato afirma que reconstruir confiança na Ubisoft é impossível enquanto Yves Guillemot for CEO

Representantes sindicais da empresa afirmam que o clima interno é de pânico e frustração.

Dois representantes sindicais da Ubisoft fizeram um alerta direto à liderança da empresa: qualquer tentativa de reconstruir a confiança dos funcionários será inútil enquanto Yves Guillemot continuar no comando como CEO.

Em entrevista ao site Game Developer, Marc Rutschlé e Chakib Mataoui — ambos da Ubisoft Paris e representantes do sindicato Solidaires Informatique — descreveram um clima interno de pânico, raiva e profunda frustração entre os funcionários. Segundo eles, decisões recentes da alta cúpula foram vistas internamente como uma verdadeira “traição”, ampliando ainda mais o abismo entre empregados e executivos.

Essas reações surgiram após a Ubisoft iniciar uma reestruturação interna, com o plano incluindo fechamento de estúdios, cancelamento de jogos, continuidade dos cortes de custos e uma polêmica política de retorno obrigatório ao escritório. Mensagens internas obtidas pelo Game Developer apontam choque generalizado e forte condenação às medidas.

Yves Guillemot virou o principal alvo da insatisfação dos funcionários. Internamente, muitos questionaram por que ele segue liderando a empresa após quase cinco anos de reestruturações e demissões — processo que deve culminar em um plano de redução de custos de €500 milhões até 2028.

Rutschlé evitou colocar toda a culpa exclusivamente em Guillemot, mas deixou claro que a responsabilidade final é do CEO. “No fim das contas, é a empresa dele”, afirmou. Ele também criticou a cultura de lealdade cega ao redor do executivo, algo que, segundo ele, agravou problemas antigos.

Mataoui reforçou esse ponto e foi ainda mais duro ao criticar a decisão de Guillemot de nomear seu filho, Charlie Guillemot, como co-CEO de uma nova subsidiária que abriga algumas das maiores franquias da Ubisoft. Para ele, esse tipo de promoção interna beira o nepotismo e sufoca a diversidade criativa.

“Trabalhamos numa indústria criativa”, disse Mataoui. “Se você promove apenas seus amigos homens brancos, você não promove nenhuma diversidade ou novas ideias. Isso impacta diretamente a capacidade de fazer grandes jogos.”

A nova política de retorno ao escritório é, de longe, o ponto mais explosivo. Mataoui destacou que muitos funcionários se mudaram para longe de Paris durante o período de trabalho remoto e hoje não conseguem mais arcar com o custo de viver perto dos escritórios. Rutschlé acrescentou que a medida força especialmente pessoas com família ou que compraram imóveis recentemente a escolher entre o emprego e a vida pessoal.

Olhando para o futuro, Mataoui acredita que a única chance real de mudança passa por uma reformulação profunda da liderança, incluindo a substituição de todo o conselho de administração por “mentes novas”, capazes de comandar a empresa com mais responsabilidade. Já Rutschlé ressaltou a importância de uma organização global dos funcionários, especialmente em polos importantes como Montreal.

Fonte: Game Developer

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