Troy Baker afirma que não é preciso desmerecer nem demonizar a IA: “Devemos confiar no talento humano”

Ator acredita que cansaço com conteúdo gerado por inteligência artificial vai empurrar o público em direção a experiências mais autênticas

Troy Baker, um dos atores de voz mais renomados da indústria de videogames, defende que a inteligência artificial pode ter um impacto revolucionário positivo nas artes performáticas. Em entrevista recente, o veterano que emprestou sua voz para personagens icônicos como Joel em The Last of Us apresentou uma visão otimista sobre o futuro da tecnologia, contrariando receios comuns no meio artístico.

“A IA pode criar conteúdo, mas não pode criar arte”, explicou Baker em conversa com o portal The Game Business. O ator argumenta que a criação artística verdadeira “invariavelmente requer a experiência humana” – um elemento que, segundo ele, as máquinas não conseguem replicar.

Para Troy Baker, não é necessário demonizar a inteligência artificial, mas entendê-la como parte de um processo maior. “Não precisamos diminuí-la, nem desmerecê-la, nem demonizá-la. Precisamos apenas dizer: “ok, ela está aí”. Há 2.500 anos desde que pisamos em um palco pela primeira vez, os humanos têm feito isso. Então talvez devêssemos confiar nisso”, defende o ator.

Baker reconhece que, de uma perspectiva puramente comercial, a IA representa uma ameaça. “Não há dúvida que a IA pode criar conteúdo muito melhor que humanos. Ela consegue rapidamente gerar sem problemas“, admite. No entanto, ele acredita que justamente essa proliferação de conteúdo gerado por máquinas provocará uma reação contrária.

“O que vejo acontecendo é que este nascimento da IA, e esta indústria em crescimento, na verdade impulsionará as pessoas em direção ao autêntico. Veremos oportunidades de ‘quero ver essa pessoa cantar ao vivo’, ‘quero ver teatro’, ‘quero ler livros’, ‘quero ter essa experiência em primeira mão ao invés da papinha que me é servida através de uma tela preta’“, argumenta.

O veterano dos games não é estranho a tecnologias controversas. Em 2022, Baker se envolveu com NFTs, ao fazer parceria com uma empresa que afirmava criar os primeiros NFTs de voz do mundo – vozes que seriam de propriedade de quem as comprasse para criar conteúdo. A iniciativa gerou forte reação negativa na época, levando o ator a recuar, mas o conceito não parece distante das atuais empresas de IA que treinam seus sistemas com vozes de atores.

Fonte: Eurogamer

Troy Baker e Neil Druckmann em set de filmagem em ambiente de estúdio, com iluminação profissional ao fundo

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