Piratas do Caribe
Gore Verbinski, diretor dos três primeiros Piratas do Caribe, voltou a criticar a forma como efeitos visuais vêm sendo produzidos em Hollywood. Em entrevista recente, o cineasta afirmou que o uso cada vez mais comum da Unreal Engine no cinema tem feito muitos filmes “andarem para trás” em termos de realismo, aproximando sua estética da dos videogames.
Segundo Verbinski, a engine, amplamente utilizada hoje em produções de cinema e TV como The Mandalorian, Matrix Resurrections e a série Fallout, acabou sendo adotada não apenas como ferramenta de pré-visualização, mas também como base para efeitos visuais finais. Para ele, essa mudança trouxe ganhos de velocidade, mas um custo alto na qualidade da imagem.
O diretor explica que, diferentemente de softwares tradicionais como o Autodesk Maya, a Unreal Engine não reage à luz da mesma forma, especialmente em aspectos como dispersão, iluminação de pele e comportamento de superfícies. O resultado, diz ele, é uma sensação artificial que lembra o “vale da estranheza” frequentemente associado aos jogos.
Verbinski também compara o cinema atual com produções clássicas, citando filmes de Stanley Kubrick que ainda impressionam visualmente por terem sido feitos com miniaturas e pinturas físicas. Para o cineasta, essa abordagem ajudava a criar uma estética mais convincente, algo que se perdeu com a padronização de ferramentas digitais em tempo real. Ele ressalta que esse visual mais estilizado até funciona em blockbusters de super-heróis, onde o público já espera uma realidade exagerada, mas não se sustenta quando a proposta é fotorrealismo.
“É por isso que aqueles filmes do Kubrick ainda se sustentam, porque eles usavam miniaturas e pinturas. Agora você tem uma estética diferente. Isso funciona em filmes da Marvel, onde você já sabe que está em uma realidade exagerada e irreal. Mas acho que isso não funciona do ponto de vista estritamente fotorrealista.”
Outro ponto levantado pelo diretor é a mudança de critérios dentro dos estúdios. Ele critica o fato de certos detalhes hoje serem considerados “aceitáveis” por executivos, como navios que claramente não interagem com a água de forma natural. Como comparação, Verbinski lembra que, no primeiro Piratas do Caribe, grande parte das cenas foi filmada no mar, com atores e equipe em embarcações reais.
Para o cineasta, o problema não está apenas na aparência estática das imagens, mas principalmente na animação. Mesmo um objeto visualmente perfeito pode perder a credibilidade se o movimento não for convincente. “O cérebro percebe na hora quando algo se move errado”, argumenta.
Ao final, Verbinski resume sua visão de forma contundente: a substituição do Maya pela Unreal Engine como ferramenta central de efeitos visuais representa, em sua opinião, o maior retrocesso recente da indústria.
Fonte: VGC
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