Keita Takahashi é conhecido por criar jogos excêntricos e fora do comum, como a série Katamari Damacy e o recente To a T. Para ele, essa liberdade criativa é justamente algo que tem faltado à indústria dos games.
Em uma conversa recente com Fumito Ueda, criador de Shadow of the Colossus, Takahashi comentou que muitos desenvolvedores acabam se limitando demais aos padrões do mercado. Ele acredita que sua abordagem diferente vem, em parte, do fato de não jogar tantos games — o que o ajuda a escapar de fórmulas já estabelecidas.
“Uma vez me perguntaram: “Como você consegue fazer jogos assim?” Eu respondi: “Provavelmente porque eu não jogo muitos games”, e a pessoa retrucou: “Exatamente.” Os videogames ainda são um meio jovem, sem uma definição fixa; poderíamos ser muito mais livres. Claro, liberdade envolve risco e pode não vender — mas…
Não acho que estou fazendo algo “novo”, só percebo que as pessoas se deixam limitar — por gênero, por normas de produção, pela ideia de que “jogos devem ser X.” Posso estar sendo ignorante e deixando passar contraexemplos, mas quero que os criadores mais jovens vejam: “Olha, um jogo pode ser assim.”
Takahashi chega a brincar que a câmera lateral de To a T é uma “revolta pessoal contra a ideia de que o analógico direito tem que controlar a câmera.”
Ueda também comentou sobre sua experiência com To a T, elogiando o fato de o jogo ter uma duração “na medida certa”. Para ele, muitos jogos hoje buscam prender o jogador por horas, algo que não vê com bons olhos pois atualmente estamos “afogados em entretenimento”.
Ueda: Se um jogo fica me mandando demais, eu fujo para a Netflix ou o YouTube. To a T me manteve motivado; a duração pareceu “na medida certa.” Alguns jogadores correm atrás de horas de jogo ou “valor”, mas hoje estamos afogados em entretenimento. A escala do seu jogo combinou com o tempo que eu tenho.
To a T está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.
Fonte: Reddit