A Bethesda sempre foi conhecida por entregar RPGs de alto nível e com Starfield, a primeira IP nova em muitos anos do estúdio, a empolgação não podia ser maior por parte da comunidade.
Após muita espera, Starfield foi finalmente lançado. Será que a espera valeu a pena?

Indo direto ao ponto, Starfield é um jogo da Bethesda em todos os sentidos. Tudo que você amou nos títulos anteriores do estúdio, encontrará novamente aqui, embora muitas vezes em maior escala e mais polido.
Desde sua cena de abertura Starfield já se mostra como um épico conto de ficção científica, trazendo um grande foco na exploração do desconhecido e uma trilha sonora digna do filme Interestelar.
Após a cena de abertura, os jogadores são convidados a criar seu personagem. A criação é bastante robusta, com diversas opções de personalização. Os visuais e modelagem do jogo superiores aos títulos anteriores da Bethesda também permitem criar personagens muito mais complexos.
O grande destaque fica para os sistemas de Histórico e Atributos. Essas duas funções permitem você escolher um passado para o seu personagem, os quais definem suas proficiências. Além disso, Atributos específicos trazem vantagens únicas para o jogador, mas em compensação contam com pontos negativos.
Por exemplo, escolher a opção de ter pais vivos trouxe mudanças realmente interessantes para o jogo. Ter a possibilidade de visitar seus pais e conversar com eles foi divertido, mesmo tendo que enviar dinheiro para ajudar com o sustento deles. Esses atributos criam uma dinâmica muito interessante para o jogo.
Nos jogos da Bethesda sempre vemos aqueles jogadores que dizem nunca ter terminado a campanha, tendo perdido horas simplesmente explorando o mundo. Embora isso seja possível fazer em Starfield, recomendo muito aproveitar a campanha. Com mistérios interessantes e uma narrativa intrigante, essa é possivelmente a melhor campanha que a Bethesda já criou em seus jogos.
Em questão de missões secundárias, Starfield também não decepciona. Seja missões mais bem trabalhadas ou simplesmente encontrar um NPC aleatório que precisa de ajuda no planeta, tudo parece bem vivo. As próprias quests das facções disponíveis são muito ricas.

A criatividade da Bethesda para as missões é um ponto que merece ser elogiado. Entrar em uma loja e descobrir sobre uma bota supostamente amaldiçoada ou encontrar uma tripulação em uma nave que acreditava esse tempo todo ser os últimos sobreviventes da humanidade são coisas que realmente conseguem surpreender o jogador.
Isso tudo só é reforçado por um forte elenco de personagens. Embora tenha sentido falta do protagonista falar como em Fallout 4, os personagens em volta do personagem mais do que compensam esse fato. Personagens carismáticos, complementados por uma excelente atuação. Os companheiros em especial merecem elogios. Todos bem únicos e com personalidades definidas, dando sempre vontade de saber mais sobre eles.
Para quem gosta de explorar, Starfield também é um prato cheio. Entrar em uma cidade no jogo significa ser inundado com coisas para fazer. Toda esquina guarda uma nova missão e tarefa, ou simplesmente um NPC único para você conhecer.
Sempre há conteúdo novo para encontrar, especialmente encontros aleatórios enquanto explora. Ver uma nave de piratas pousar aleatoriamente no planeta ou encontrar personagens no espaço precisando de ajuda consegue deixar esse mundo ainda mais vivo.
Simplesmente andar pela cidade e ouvir NPCs conversando pode acabar dando início a uma missão. O conteúdo secundário foi muito bem implementado, fazendo realmente parecer como uma parte desse mundo.
O destaque especial fica para as missões das facções. Cada uma delas traz uma narrativa incrível, que poderia facilmente ter sido usada como a história principal de Starfield. Trazendo dilemas morais e uma história profunda, você certamente irá se encantar por essas quests.
São quests muito robustas e que permitem você aproveitá-las na sua própria ordem. Elas basicamente funcionam como mini-campanhas dentro do jogo e a Bethesda fez um trabalho fenomenal com elas.
Os companheiros também foram uma parte que a Bethesda dedicou um carinho especial. Eles estão bem mais avançados que nos jogos anteriores, participando muito mais dos diálogos, até mesmo em momentos secundários. Ver eles se sentando no cenário ou encostando em paredes enquanto nos esperam dá muito mais autenticidade.
A forma que os romances se desenrolam também é muito mais orgânica e emotiva. Evitarei dar spoilers, mas a conclusão dos romances são interessantes e muito mais impactantes do que aquilo que a Bethesda havia feito no passado.
Cada um ainda tem suas próprias missões únicas, as quais ajudam a descobrir mais sobre seus passados. Esses detalhes, além de darem mais vida aos companheiros, ainda fazem os jogadores se importarem mais com eles.
O jogo ainda é complementado por uma boa escrita, entre as melhores da Bethesda. Muitos dos personagens possuem profundidade e diálogos interessantes, tanto sobre seus passados quanto sobre esse universo.
A atuação dos atores também merece ser ressaltada, os quais fizeram um trabalho competente em trazer esses personagens à vida. Embora as expressões faciais não sejam as melhores que você verá na indústria, elas ainda são convincentes o bastante para um jogo desse escopo.
Entrando na parte do gameplay, os jogadores certamente ficarão felizes em saber que Starfield conta com o melhor sistema de tiro da empresa. O combate está muito mais polido e robusto que Fallout 4, dando uma sensação mais prazerosa de atirar nos inimigos.
O jogo traz novamente o sistema de perks da Bethesda. Passar de nível concede pontos para gastar com vantagens e usar elas repetidas vezes permite melhorá-las ainda mais, aumentando seus efeitos. Esse sistema funciona muito bem e permite que o jogador molde o seu personagem ao seu estilo de jogo.
Dessa vez os jogadores não estão limitados apenas a combates no chão, mas também no espaço. As batalhas espaciais são um pouco complexas, exigindo do jogador um aprendizado para entender como tudo funciona.
Você a todo momento precisa dividir a energia da nave nas suas mais variadas funções, seja os mísseis para atacar, os escudos para se defender ou os motores para fugir. É preciso achar um bom equilíbrio entre cada um deles para sair vitorioso.
Nos combates você precisa usar tiros de energia para destruir os escudos dos inimigos e então balística para acabar com a nave, ou então após tirar uma boa parte da vida da nave inimiga, você pode até mesmo atracar nelas, lidando com seus inimigos de forma mais pessoal. Todas essas variações acabam fazendo com que cada combate seja bastante imprevisível e desafiador, mas divertido.
Starfield é em sua essência um jogo da Bethesda, dessa vez ambientado no espaço. Aqueles que esperam por um simulador espacial certamente entrarão no jogo com expectativas erradas que levarão à decepção, esse não é um jogo no mesmo estilo de No Man’s Sky ou Star Citizen.
Viajar através de um sistema solar e outro, e até mesmo entre planetas da mesma galáxia, geralmente é feito através de saltos gravitacionais, com a viagem não sendo feita manualmente pelo próprio jogador. Até mesmo pousar e aterrissar no planeta funciona de forma automática.
Para quem esperava um simulador espacial pode acabar se decepcionando. No entanto, Starfield continua trazendo um foco na história e seus personagens, além na descoberta pela exploração, assim como os jogos anteriores do estúdio.
Ainda assim, os amantes do espaço têm muito o que aproveitar. Além das batalhas complexas, Starfield traz um robusto sistema de personalização, permitindo que você modifique e melhore sua nave à vontade, criando os visuais mais inusitados.
É possível até mesmo adicionar um compartimento para cargas contrabandeadas. Sempre que chegar em um planeta civilizado, você terá sua nave escaneada atrás de mercadorias ilegais, as quais podem ser vendidas por altos valores. Ser pego com essas cargas significa ter a força militar atrás de você.
Elementos como esse ajudam a trazer mais profundidade para o sistema espacial do jogo, permitindo até que os jogadores vivam como um pirata espacial, contrabandeando mercadorias.
Quando avançar mais no jogo, você consegue criar naves ainda mais avançadas e maiores, sem contar a possibilidade de contratar uma equipe melhor. As principais cidades contam com NPCs recrutáveis, cada um trazendo bônus únicos para o protagonista.
O jogo também conta com um sistema de entrepostos, permitindo que você construa bases em diversos planetas e os interligue. São sistemas complexos de aprender a mexer, mas que vale a pena pelos recursos que fornecem.
Starfield pode ser um jogo que sobrecarrega os jogadores com mecânicas e ferramentas, mas aprender a lidar com cada uma delas só aumenta a experiência e os benefícios que você consegue.
Na parte técnica, Starfield é um jogo que traz gráficos bonitos, embora nada fora do padrão que estamos acostumados. O destaque fica para a excelente iluminação, um dos maiores avanços que a Bethesda trouxe em questão gráfica.
No entanto, a bela arte com cenários imaginativos ajuda a trazer mais beleza para o jogo. Os planetas trazem biomas diferentes com criaturas belas e até mesmo bizarras. Já as principais cidades são de encher os olhos, cada uma com visual único.
O que dizer então da sua trilha sonora? É simplesmente espetacular. Músicas não só empolgantes e emotivas, mas que também conseguem marcar o jogador, desde a trilha de introdução até de exploração.
Embora os jogos da Bethesda sejam conhecidos pelos seus diversos bugs, Starfield por sorte conseguiu amenizar esse problema. O estúdio havia afirmado que esse seria o seu jogo com menos bugs até hoje e cumpriram com a palavra. Enquanto tive certos problemas em Skyrim e Fallout, até mesmo não conseguindo progredir em certos momentos, a experiência em Starfield foi muito mais suave.
Uma das preocupações de muitos jogadores era a promessa de mil planetas gerados proceduralmente. Infelizmente não há muito o que fazer na grande maioria deles, além de coletar minérios. Ainda assim, Starfield foi projetado de um jeito que sempre guia o jogador para locais onde há conteúdos interessantes, sendo fácil ignorar grande parte desses mundos vazios caso não os deseje explorar.
Apesar do combate melhorado, a IA artificial da Bethesda ainda sofre um pouco. Inimigos perdidos sem saber o que fazer, correndo para locais aleatórios ou até mesmo NPCs ficando presos em paredes. Não chega a ser algo que quebre o jogo, mas é uma área que notoriamente faltou certo capricho por parte da Bethesda.
Além disso, com Starfield contando com enormes planetas para explorar, alguns com pontos muito distantes entre um e outro, a falta de um veículo acabou sendo muito mais sentida aqui do que nos jogos anteriores do estúdio.
Conclusão
Starfield é um RPG robusto, dando um universo para os jogadores explorarem. Há muita coisa interessante para encontrar, desde personagens com histórias únicas até missões intrigantes. Se tratando de campanha, companheiros e gameplay, esse é um dos melhores trabalhos da Bethesda até hoje.
A decisão de criar diversos mundos vazios apesar de não ser um grande problema, poderia ter sido aproximado de forma melhor, especialmente com a adição de um veículo terrestre, e a IA às vezes também pode agir de forma irracional. Ainda assim, o jogo mais do que compensa pelos seus problemas com um enorme escopo e uma história rica.



