Análise | The Last Worker

Um carismático jogo com proposta única.

Jogos muitas vezes tentam abordar assuntos atuais como uma forma de crítica ou paródia, como é o caso de The Last Worker. Esse título indie tenta retratar uma imagem anticorporativa, explorando os problemas da mecanização dos trabalhos sobre os trabalhadores.

The Last Worker acompanha Kurt, um trabalhador solitário em um mundo cada vez mais automatizado. Empregado da maior varejista do mundo, ele é colocado à prova quando um grupo de ativistas pedem para ele desmantelar a empresa de dentro para fora, tendo que escolher o capitalismo ou ativismo.

A proposta de The Last Worker é ser um jogo de puzzle narrativo. Usando um transporte voador, você precisa viajar por toda a instalação da empresa para encontrar as entregas necessárias.

O loop do jogo é básico, achar a encomenda certa e checar informações básicas para ver se bate com o registro, como diferenças no peso ou se o pacote chegou a ser danificado durante a viagem.

Encomendas com informações corretas são enviadas para os clientes, enquanto as com dados errados são recicladas, e no final você sempre recebe uma classificação baseado em sua velocidade e precisão em classificar as encomendas. Funciona de forma simples, mas abre portas para um loop interessante, similar a jogos como Papers, Please.

O jogo aos poucos vai introduzindo mecânicas, com informações diferentes precisando ser checadas e equipamentos novos sendo necessários. Isso ajuda a trazer uma sensação de novidade para os desafios e também um aumento gradual na dificuldade.

093143.jpg

Apesar do jogo apresentar alguns problemas na gameplay, como demora na resposta ou imprecisão na hora de mexer com as encomendas e controlar um transporte voador, o loop acaba sendo divertido e sempre interessante.

Não só de examinar entregas é feito o jogo. The Last Worker conta com uma segunda parte de gameplay, onde o foco é na furtividade. Você precisa passar por áreas restritas, enquanto evitar os funcionários robôs.

Em diversas partes da campanha, os ativistas enviam missões para Kurt, tendo que sabotar certas áreas da empresa. Esses locais são protegidos por diversos robôs, o que significa que você precisa aprender o padrão de movimento deles para chegar até onde precisa.

Essas partes de furtividade ajudam a trazer maior variedade, dando um tempo das inspeções de encomendas, e também ajudam a trazer cenários mais variados, com locais nos fundos da empresa. Essas partes também trazem pontos interessantes para a narrativa, adentrando mais nos seus segredos e na forma que a empresa explora seu funcionário.

O jogo no geral possui uma certa falta de indicação, muitas vezes deixando de explicar em detalhes o que precisa ser feito e até mesmo onde é necessário ir. Se isso irá ser um incômodo ou um incentivo para descobrir por conta própria, irá variar muito de jogador para jogador.

The Last Worker certamente traz uma proposta muito interessante, e sua narrativa é um dos grandes destaques. A forma como é contada, retratando algo sério, mas com um toque de humor, funciona muito bem. A história ainda traz reviravoltas interessantes.

093142.jpg

Os personagens no jogo também são todos muito carismáticos, composto por várias personalidades vibrantes. Para dar ainda mais charme, o elenco de atores que dão vida ao personagens são todos reconhecidos, com nomes que participaram de séries como True Detective e jogos como Death Stranding.

O destaque fica para Ólafur Darri Ólafsson dando vida ao protagonista Kurt com seu humor sarcástico e o seu companheiro robótico vivido por Jason Isaacs. Essa dupla traz muita vida ao jogo, com comentários e ofensas sendo feitas constantemente entre eles.

Outro ponto que merece ser elogiado é o estilo visual apresentado no jogo. The Last Worker conta com uma arte bastante peculiar e única, remetendo a clássicos das histórias em quadrinhos.

Isso se deve a presença Mick McMahon na criação da parte visual do jogo. O artista foi um quadrinista famoso, tendo participado da criação do personagem Juiz Dredd, desenhando as primeira edições.

The Last Worker é um jogo curto, podendo ser terminado em cerca de 4 horas. Embora eu tenha jogado o jogo de forma normal em uma TV, ele foi planejado para o VR, o que significa que deve ser uma experiência melhor para quem possuir um headset de realidade virtual.

Infelizmente o jogo traz alguns problemas graves de controle. Nem sempre o jogo responde da forma que você espera, causando dificuldades desnecessárias. Muitos puzzles acabam sendo mais difíceis do que deveriam simplesmente pelo fato do jogo não responder corretamente. Talvez esse problema seja devido ao fato do jogo ter sido pensado para o VR.

As partes de furtividade, embora consigam trazer um ar fresco para o jogo, certas vezes apresentam uma dificuldade injusta. O pico de desafio em algumas partes é extremamente alto, fazendo o jogador sentir que foi visto pelos inimigos de forma injusta, não por um erro próprio.

093141.jpg

Conclusão

The Last Worker é um jogo único, com uma proposta interessante. Ele consegue manter os jogadores interessados através de loop de gameplay divertido, além de uma história e personagens carismáticos.

Infelizmente ele tem alguns tropeços, como controles problemáticos e muitas vezes poucos responsivos, além de picos de dificuldade injustos. Ainda assim ele traz charme o bastante para se sustentar.

Gostou? Nos ajude compartilhando!
Postado por
Membro antigo da GameVicio, atuo atualmente como editor no site. Adoro todo tipo de jogo, especialmente com um profundo apreço por jogos com narrativas imersivas. Meu email de contato: [email protected]
Siga em:
VEJA TAMBÉM
Assine nosso Newsletter
Assine nossa newsletter e receba nossa seleção de conteúdo sobre games e entretenimento diretamente em seu email.
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Gostou? Discordou? Comente! Sua opinião vale ouro e nos ajuda a melhorar cada vez mais!
SELEÇÕES ESPECIAIS
Das pérolas escondidas aos grandes sucessos, confira nossas listas e descubra novos games!
Img de rastreio
Localize algo no site!