A Square Enix vem apostando forte no estilo HD-2D, o qual foi iniciado com Octopath Traveler. Após o sucesso da engine, agora temos um remake do clássico Live a Live utilizando o mesmo estilo visual.
Lançado originalmente para o Nintendo Switch no ano passado, o jogo agora está chegando ao PC e PS5. Será que valeu a espera?
Live a Live foi quem serviu de inspiração para Octopath Traveler, então não é de se estranhar que siga um estilo bem parecido. Aqui temos oito protagonistas diferentes, cada um com sua própria narrativa.
O destaque é que cada uma das histórias se passa em períodos diferentes do tempo. Temos desde personagens vivendo na era das cavernas e faroeste até nos dias modernos e no futuro distante, trazendo uma boa variedade para o jogo.
Outro fator muito positivo que Live a Live traz para esse modelo de escolha de personagens, é que cada história traz mecânicas diferentes, para sempre dar aquela sensação de novidade para o jogador.
Enquanto o jogo apresenta batalhas no estilo padrão de JRPG com combate em turnos, cada história traz seu diferente foco, seja foco na furtividade, uso de armadilhas e temos até mesmo narrativas como na era das cavernas onde não há diálogos. Isso tudo traz uma ótima variedade para o jogo.
Octopath Traveler é sem dúvidas um excelente jogo e para quem se interessou pela proposta de várias histórias separadas vale a pena dar uma chance a Live a Live, pois o jogo soube usar essa fórmula ainda melhor.
Visualmente o jogo traz o mesmo capricho visto nos outros títulos HD-2D da Square Enix. Possivelmente a pixel art mais bonita disponível no mercado, com cenários e cores que saltam aos olhos.
E é claro, sendo um jogo da Square Enix, era esperado uma trilha sonora inesquecível. Yoko Shimomura faz um excelente trabalho no jogo, trazendo músicas memoráveis durante toda a campanha, especialmente nos chefes.
O grande ponto forte do jogo fica para a sua história. A forma que a narrativa de cada personagem é contada de uma forma pessoal é excepcional, mas quando um mistério maior começa a se revelar as coisas vão ficando ainda mais interessantes.
O jogo dá a liberdade de você jogar as campanhas na ordem que desejar. Você pode ir pela ordem do ano em que as histórias se passam ou de forma totalmente aleatória. É possível até mesmo ir alternando, jogando um pouco da campanha de cada personagem. Live a Live dá total liberdade na hora de progredir.
O combate funciona no sistema Grid, onde os personagens se movem em espaços disponíveis no cenário, podendo se afastar dos inimigos ou se aproximar para atacar. No entanto, o jogo também sabe se adaptar bem a cada um dos estilos dos personagens.
Personagens pistoleiros do faroeste trazem ataques à longa distância, enquanto no Japão durante os dias atuais temos um foco em corpo a corpo com artes marciais. Cada época e personagem traz seu sabor único para o combate.
A melhor adição nesse sem remake, no entanto, foi sem dúvidas a adição de vozes para o jogo. Não presente no original, essa nova versão agora conta com dublagens completas em Inglês e Japonês, dando ainda mais vida para os personagens.
Infelizmente alguns aspectos do jogo podem não ser tão bem vistos nos dias de hoje. Suas batalhas aleatórias não são um problema, mas a exigência de grind em algumas campanhas, especialmente na reta final, acabam se tornando um ponto negativo e algumas vezes fazendo o combate ser mais um incômodo.
Para um RPG, Live a Live também é um jogo curto, com pouco mais de 20 horas para completar tudo, enquanto levei quase 4 vezes esse tempo em Octopath Traveler. Se um jogo curto não é um problema em si, mas isso parece ter afetado um pouco alguns aspectos do jogo.
Muitas campanhas passaram a sensação de que poderiam ser melhor exploradas se tivessem mais tempo. Certas vezes terminei uma história com gosto de quero mais, tendo encerrado quando parecia ter chegado em seu momento mais interessante.
Alguns personagens interessantes acabaram até mesmo tendo menos tempo de brilhar em tela, o que algumas horas a mais de jogo poderia ter ajudado.
Conclusão
Live a Live é mais um grande acerto da Square Enix se tratando dos seus títulos HD-2D. O jogo original ficou até hoje preso no Japão, mas com esse remake os jogadores podem finalmente aproveitar essa bela e criativa jornada em sua versão definitiva, com belos visuais e trabalho de voz.
Alguns problemas derivados do fato de ser uma recriação de um jogo antigo se mostram. Excesso de grind nas partes finais e algumas histórias que poderiam ser melhor exploradas.
Ainda assim, Live a Live é um jogo único, utilizando a mecânica de vários personagens com histórias únicas de forma criativa. Esse é um prato cheio para os fãs de JRPG que procuram um novo jogo.



