CEO e dirtor do estúdio falam sobre diversidade.
Publicado por Vinicius, em .
O CEO, Adam Kiciński, e o diretor, Adam Badowski, da CD Projekt Red, deram uma entrevista para o Rzeczpospolita Daily discutindo a abordagem do estúdio para inclusão e diversidade na editora. Nela, o entrevistador Katarzyna Kucharcyzk questiona Kiciński e Badowski sobre como a empresa parece se manifestar mais sobre a diversidade e injustiça do que outras empresas na Polônia cada vez mais conservadora.

Embora a entrevista apresente a CDP como uma grande empresa que adora a diversidade, ainda existem algumas declarações interessantes de Kiciński e Badowski sobre sua abordagem de inclusão no estúdio e como eles lidam com os temas de seus jogos. Quando questionado sobre a ação da CDP em tornar o estúdio mais diversificado e inclusivo, Kiciński afirma que a empresa se orgulha de sua diversidade, mas faz uma ressalva.

Também percebemos que uma operação eficiente requer medidas ativas que promovam respeito e tolerância mútuos.

Embora isso possa ser lido de maneira otimista, como Kiciński dizendo que a diversidade é algo que deve ser trabalhado ativamente, uma declaração posterior de Badowksi pinta uma imagem de que o real significado é que a diversidade e a inclusão não devem comprometer o trabalho. Falando sobre a importância da tolerância no processo criativo, Badowski discute sobre a definição de tolerância de alguns no estúdio.

A capacidade de respeitar as necessidades e opiniões de outras pessoas que nós mesmos não defendemos e de evitar combater os fenômenos que nós consideramos como maus. Outros estão mais de acordo com a opinião de Popper de que uma sociedade tolerante, para permanecer tolerante, não deve tolerar a intolerância. Também há pessoas em nosso estúdio que discordam de ambas as opiniões.

Embora o próprio Badowksi não diga a qual definição ele segue, ele comenta:

O principal argumento é que a diversidade... e as diferentes sensibilidades e perspectivas que resultam dela, não devem levar a conflitos. Dessa forma, a energia de nossa equipe pode ser totalmente direcionado para a criação.

Vale ressaltar que, ao longo dos anos, a CD Projekt teve inúmeras alegações de uma cultura tóxica no local de trabalho, cheia de crunch e bullying. Nesse contexto, ouvir um de seus funcionários dizer que não acredita em "combater fenômenos que nós consideramos como maus", mostra muito mais sobre a CD Projekt como uma empresa do que Badowski provavelmente pretendia.

A parte mais estranha é encontrada mais tarde na entrevista, quando Kiciński fala de maneira aleatória sobre como a Califórnia é um "excelente exemplo de como a franqueza, o respeito e a tolerância promovem negócios inovadores e estimularam a economia". O Vale do Silício sofre infamemente com um problema de diversidade, alimentado em parte por práticas tendenciosas de contratação (a partir de 2019, apenas 6% dos funcionários da Apple eram negros e apenas 23% da força de trabalho do Facebook eram mulheres) e gentrificação na área, valorizando menos os que não são de grupos privilegiados.

Kiciński até parece sugerir que o sexismo não é um problema tão grande na indústria dos jogos quanto em outros lugares.

No século 20, o incrível escritor Andre Norton (nascido como Alice Mary Norton) escolheu publicar sob um pseudônimo masculino porque sua editora acreditava que o público demográfico masculino não se interessaria pela fantasia criada por uma mulher. Não existe esse problema nos videogames.

Embora ele esteja tecnicamente correto, os jogos quase sempre são publicados sob os nomes de estúdios e editoras, e não por um indivíduo que precisaria usar um pseudônimo e, portanto, não é uma comparação justa. Também ignora completamente como as mulheres da indústria tiveram novamente que falar de forma pública sobre o assédio a que foram submetidas enquanto trabalhavam na indústria de jogos - as mulheres podem não precisar trabalhar sob um pseudônimo, mas ainda estão sendo assediadas e agredidas.

Em suma, toda essa entrevista mostra uma imagem muito sombria da CD Projekt. O estúdio está criando um jogo cyberpunk, um gênero extremamente político sobre a natureza do capitalismo desenfreado, e o diretor do estúdio está aqui dizendo que tolerância é "não combater fenômenos que consideramos maus". Cyberpunk 2077 provavelmente será uma impressionante conquista técnica, mas essa entrevista pode deixar muitos preocupados quanto a abordagem poplítica dele.
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