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Funcionários da Microsoft estão reclamando que a nova política pró-diversidade não é justa com os homens brancos

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Funcionários da Microsoft tem utilizado o canal de mensagens interna para criticar as medidas pró-diversidade tomada pela empresa, indicando que a contratação de mulheres e minorias é um ato de "discriminação" contra os homens brancos e asiáticos, de acordo com uma matéria publicada no site Quartz. A Microsoft tem evitado tocar nesse assunto, assim atraindo críticas de outros funcionários que acham que a empresa fala sobre seus esforços de diversidade e inclusão, mas tem agido pouco para reforçar [essas ações] em nível cultural.

Os sentimentos, dos quais alguns foram compartilhados em tópicos no início deste ano e no final do ano passado, destacam as tensões dentro da empresa em um momento especialmente difícil. No início deste mês, funcionárias da Microsoft compartilharam história de assédio, descriminação e alegaram que a empresa não tem feito nada para resolver este problema. Suas histórias, desde então, viraram manchetes no mundo todo e exigindo uma resposta do CEO da Gigante de Redmond, Satya Nadella, que disse que a empresa está mais dedicada a seus esforços de diversidade e inclusão e vai reformular a forma como a divisão de recursos humanos investiga esses casos.

Mas a ausência de uma resposta oficial da Microsoft sobre as mensagens internas anti-diversidade mostra os desafios que a empresa vem enfrentando ao realizar essas ações. Essa situação é parecida com uma enfrentada pelo Google com James Damore, um engenheiro de software que criticou os esforços da empresa em ter mais diversidade e publicou um memorando interno que dava a entender que as mulheres não eram tão proficientes em funções técnicas como os homens.

Alguns dias depois, a Google o demitiu por violar o seu código de conduta e o "crescente esteriótipos de gêneros," disse o CEO Sundar Pichai na época. A situação gerou críticas generalizadas ao Google por parte de conservadores, alegando que o Google estava punindo Damore por sua ideologia e expor pontos de vista dissidentes. Damore acabou movendo uma ação trabalhista por demissão injusta contra a empresa que desde então tem entrado e saído do tribunal.

Neste caso, parece que os funcionários da Microsoft estão renegando o fato que mulheres e minorias na área da tecnologia enfrentam descriminação e assédio, ao dizer que empresa está supercorrigindo em suas práticas de contratação e incentivando os analistas a evitarem a contratar homens brancos ou asiáticos, que representam a maior força de trabalho em todas as grandes empresas do setor. Nenhuma ação disciplinar parece ter sido tomada contra os funcionários envolvidos nesses tópicos.

"A Microsoft tem algum plano para acabar com a política atual que incentiva financeiramente práticas de contratação discriminatórias? Para deixar claro, estou me referindo ao fato que a liderança sênior é recompensada com mais dinheiro se eles discriminarem asiáticos ou brancos," diz um dos posts, que acumulou centenas de comentários, e de acordo com o Quartz essa mensagem foi publicada por uma engenheira da Microsoft no aplicativo corporativo da empresa, Yammer. As postagens, e outras similares, foram feitas em grande parte no canal "Conexão com o CEO" do Yammer, informou o Quartz, o que significa que elas foram criadas para abordar tópicos que os funcionários querem que Nadella fale quando for falar com toda a empresa.

Vários tópicos como esse permanecem em aberto com comentários intactos, relata o Quartz. Alguns incluem exemplos de funcionários que discordam da posição oficial da Microsoft sobre a diversidade e exigem mais evidências de que uma força de trabalho diversificada é benéfica para a empresa.

A Microsoft disse ao The Verge que funcionários do alto escalão, incluindo membros da equipe de recursos humanos, postaram em dos tópicos dizendo que a empresa não permite discriminação de qualquer tipo, embora outro funcionário tenha falo para [a empresa] esclarecer os equívocos sobre como funciona a remuneração baseada na diversidade. A Microsoft disse que recebeu muito apoio em favor da diversidade expressos nos tópicos, e que a discussão geral envolveu principalmente um pequeno número de funcionários. No entanto, Quartz relata que um dos tópicos mais ativos de anti-diversidade incluiu mais de 800 comentários, enquanto outro segmento separado do ano passado que lamentava a falta de diversidade na divisão de computação na nuvem Azure da Microsoft gerou mais de 1.000.

A empresa se negou a comentar sobre ações disciplinares ou suas políticas, para permitir que funcionários expressem críticas como essas.

Esta situação destaca um comprometimento complexo das empresas de tecnologias em muitas vezes se negarem a impor restrições ao discurso interno dos funcionários, o que fazendo com que elas falhem em suas metas de ampliar a diversidade e a tomar escolhas difíceis relacionadas à cultura do local de trabalho. Segundo um email enviado por Nadella após as mulheres por a boca no trombone sobre situações de assédio e descriminação sofrida dentro da empresa, a Microsoft instruiu os funcionários que são contra a sua iniciativa de diversidade, que isso pode afetar as suas carreiras.

"Este ano que passou, aumentamos nosso compromisso com uma nova prioridade central na inclusão de todos os funcionários. Se você não está ajudando a criar uma cultura inclusiva, suas recompensas, a trajetória de sua carreira e possivelmente até o seu emprego serão impactados," escreveu Nadella, adicionando que os membros de liderança sênior na Microsoft tem objetivo de diversidade atrelado a sua remuneração. "Juntos, acredito que esses novos passos nos levarão mais longe e a criar uma cultura inclusiva que valorize a diversidade e ajude a todos a exercer uma mentalidade de crescimento para aprender uns com os outros mais rapidamente."

Ainda assim alguns funcionários da Microsoft continuam questionando se o compromisso Nadella e sua equipe de gestão com a diversidade e a inclusão é sincera, já que aparentemente não houve impactos negativo por criticarem os seus esforços. "O RH, Satya, e toda gestão estão enviando emails que eles querem ter uma cultura inclusiva, mas eles não estão dispostos a tomar nenhuma outra ação além de falar sobre isso," disse um funcionário ao Quartz. "Eles permitem que as pessoas publiquem essas coisas prejudiciais e estereotipadas sobre mulheres e minorias, e não fazem nada a respeito."
Nightcrowley
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