A Integrated Electronics acaba de divulgar uma parceria com o braço gráfico da Advanced Micro Devices. Sim, isso quer dizer que as rivais Intel e AMD vão trabalhar juntas, algo que não ocorria desde os anos 80.
Enquanto as fabricantes de processadores centrais competem entre si (Ryzen FTW!), com liderança quase absoluta da Integrated Electronics, a Intel contratou o Radeon Technologies Group (divisão de processadores gráficos da AMD, antiga ATi) para fornecer as GPUs dedicadas para os novos chips Intel Core para laptops.
Não chega a ser uma parceria tão estranha: quando a ATi ainda existia fora da AMD, a Intel chegou a fazer parceria mas, naquele tempo (2004, 2005), a tecnologia que a ATi fornecia era de gráficos integrados razoáveis como integrantes da ponte norte de chipsets, para placas-mãe compatíveis com processadores centrais Intel. A AMD adquiriu a ATi em 2006 e a parceria não só não evoluiu como terminou de vez, com a justificativa de que a AMD faria com as APUs uma sinergia entre CPU e GPU de forma que não daria para separar uma coisa da outra.
Pois bem, no final de 2015 a AMD decidiu formar o Radeon Technologies Group, uma divisão que cuidaria de negócios relacionados aos processadores gráficos. Agora vemos o primeiro grande cliente deles comemorando o negócio.
No atual mundo mobile, dominado pela ARM, não é incomum os sistemas-em-um-chip (SoC) utilizarem componentes licenciados de outras empresas, muitas vezes rivais. A surpresa aqui é encontrarmos uma parceria que fortaleceria a líder do segmento com componente até então exclusivo da rival, num outro mercado que é para lá de concentrado. O novo Intel Core para ultrabooks e afins terá uma ponte multi-pastilha integrada (EMIB) unindo a CPU Intel com gráficos Radeon, e com tecnologia HBM2 para a VRAM dedicada.
Quem não deve estar nada contente é a nVidia, líder de processadores gráficos dedicados e rival da antiga ATi (agora RTG). Especula-se que, muito provavelmente, a Intel deva ter procurado a camaleão verde de Santa Clara primeiro mas ambas as empresas não se acertaram, seja por valores, seja por objetivos de mercado: a nVidia tem crescido mais do que a Intel consegue acompanhar, como nas soluções de Inteligência Artificial. Em laptops gamers, a nVidia é a líder inclusive por oferecer mais opções de GPUs dedicadas. Com o movimento, a Intel pode se tornar uma grande rival no nicho gamer.
Apesar de as GPUs integradas Intel (UHD Graphics) já terem ultrapassado o teraflop/s, para os games de PC 1 Tflop/s é muito pouco. Soluções nVidia e AMD conseguem quase dez vezes tal patamar em laptops gamers, aqueles que custam acima de 1.000 dólares. Particularmente fico na torcida, só não sei para quem.
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