Japonesa deve ter novo prejuízo neste ano fiscal e tem dificuldade para convencer mercado de que será capaz de reverter seu longo ciclo negativo.
O diretor presidente da Sony prometeu ontem trazer a campanha de eletrônicos e entretenimento de volta ao lucro operacional no próximo ano, mas apresentou poucas estratégias novas para pôr fim às dificuldades que alimentaram apelos pelo seu desmembramento.
A Sony, fabricante dos consoles de jogo PlayStation e dos televisores Bravia, espera seu sexto prejuízo anual em sete anos neste exercício fiscal. A companhia vem arcando com os custos crescentes da reorganização e está cortando cerca de 5 mil postos de trabalho.
Mas essa reorganização – que envolveu cortar alguns negócios, e uma redução dos custos anuais em 100 bilhões de ienes, ou perto de US$ 1 bilhão – estabelecerá a base para a recuperação da empresa, disse o diretor presidente Kazuo Hirai num comunicado administrativo em Tóquio. A Sony espera um lucro operacional de 400 bilhões de ienes (cerca de US$ 4 bilhões) no seu ano fiscal que termina em março de 2016.
“Com o fortalecimento de nossas operações financeiras e de entretenimento, implementaremos a transformação em nossas áreas eletrônicas centrais para garantir um crescimento de 2015 em diante”, disse Hirai.
A transformação da Sony será motivada pelos negócios de jogos coletivos, tecnologia de imagem e tecnologia móvel, disse ele, junto com a persistência da força em música, filmes e atividade bancária, e incursões em tecnologia médica.
“Não adiaremos esta reorganização estrutural”, assegurou Hirai. A companhia espera um prejuízo líquido equivalente a US$ 500 milhões no corrente ano fiscal, que termina em março próximo. No último ano fiscal, ela perdeu US$ 128 milhões.
Analistas e investidores disseram que a Sony precisa ir muito além de reverter sua situação. A companhia tem irritado repetidamente seus investidores com o estabelecimento de metas otimistas que não são cumpridas.
O bilionário gestor de fundo de hedge Daniel S. Loeb insistiu, no ano passado, para a Sony desmembrar sua unidade de entretenimento, que inclui ativos cinematográficos e musicais, para permitir que ela se concentre em eletrônica.
A Sony rejeitou a proposta, dizendo que os dois lados de seu negócio eram centrais para seu futuro. Nos meses seguintes, as ações da Sony caíram 15%.
Dificuldades. Alguns analistas chegaram a dizer que a empresa precisa se livrar de seu negócio de eletrônicos de consumo para recuperar a lucratividade.
“A eletrônica continua sendo o calcanhar de Aquiles da Sony”, disse Atul Goyal, um analista de tecnologia da Jefferies, em uma análise divulgada no início deste mês.
Hirai, que assumiu o comando da companhia em 2012, mostrou que está disposto ir além de seus antecessores para reduzir as operações dispersas da Sony.
Ele disse em fevereiro que a problemática linha de computadores pessoais Vaio seria oferecida à venda, na primeira saída da empresa de uma importante área de produtos de consumo.
Outro grande embaraço para os resultados da japonesa Sony é seu negócio com televisores, que tem sido atacado por ofertas mais baratas de rivais coreanas como Samsung e LG.
Mas Hirai tem se mostrado avesso a desistir completamente do mercado de televisores, que foi central para o desenvolvimento da marca Sony. “Não estamos pensando em vender nossas operações com televisores nem em encerrá-las”, reiterou o executivo ontem.
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