Superior ao Vista em quase tudo, o Windows 7 é mais lento que o XP em algumas situações. Mas traz a Microsoft de volta à inovação nos sistemas operacionais.
O que você diria se estivesse reunido com um grupo de investidores poderosos em Nova York? No último dia 15 de setembro, Charles Songhurst, diretor de relações com investidores da Microsoft, soltou: “o Vista foi o produto menos bom que a Microsoft já estreou”. O comentário de Songhurst resume com exatidão o que muita gente pensou ao experimentar o sistema operacional ” e justifica o forte movimento de volta ao XP. Nem Linux, nem Mac. Com o Vista, a Microsoft acabou se metendo em uma armadilha em que o principal inimigo estava dentro de casa (e respirando bem, obrigado). Será que, com o Windows 7, a empresa conseguirá aposentar o velho XP?
Mundialmente, segundo as estatísticas da Net Applications, o Windows XP mantém hoje 73,9% do mercado de sistemas operacionais, enquanto o Vista fica com 17,3%. O Windows 7 já aparece, mesmo antes do lançamento, com 0,5%. O novo sistema vai para a rua, no dia 22 de outubro, com um placar positivo. Só durante a fase de testes foram feitos 8 milhões de downloads, com boa avaliação entre usuários e desenvolvedores. Uma enquete feita entre os visitantes do INFO Online indicou que 44% deles pretendem migrar para o Windows 7 ainda neste ano.
O novo sistema é estável e não vem com uma lista interminável de requisitos, como aconteceu com o Vista. Na essência, quem experimenta o Windows 7 encontra um sistema mais amigável em itens fundamentais como a interface, as configurações de rede e as rotinas de segurança ” isso significa, sim, que você vai dar adeus aos irritantes avisos do Controle de Contas de Usuário do Vista. Outra novidade são as bibliotecas, que facilitam a visualização de arquivos reunidos em pastas virtuais. Dá para ver rapidamente, por exemplo, as imagens que estão espalhadas pelo HD. Além dos aprimoramentos nativos de velocidade do Windows 7, o usuário pode ganhar agilidade optando pela versão de 64 bits, que vem no CD de instalação junto com a de 32 bits.
No Brasil é mais caro
Se muitas das características do Windows 7 são positivas, uma coisa deverá desagradar: o preço. Os valores serão similares aos do Windows Vista. Quem tem um notebook com Vista Business, vai gastar 629 reais para atualizá-lo para o Windows 7 Professional. Só para efeito de comparação, a Apple vem cobrando 79 reais pelo upgrade do Mac OS X Snow Leopard. Quando se comparam os preços com os de outros países, nota-se que o Windows 7 é mais caro no Brasil. Os americanos podem fazer o upgrade para a edição Home Premium pelo equivalente a 217 reais (considerando o câmbio de 1,81 real por dólar). No Brasil, segundo a Microsoft, a mesma edição vai custar 399 reais, 84% mais. Como já acontece com o Vista, não haverá no mercado brasileiro distinção entre cópia para uso pessoal completa e de upgrade, algo que existe nos Estados Unidos.
As desvantagens para os brasileiros não param aí. Nos Estados Unidos, quem tiver mais de um PC poderá comprar um pacote com três licenças do Windows 7 Home Premium por 150 dólares (271 reais), o Windows 7 Family Pack, que não será vendido no Brasil. Pelo menos num primeiro momento também não existirá no Brasil a opção Anytime Upgrade, disponível em outros 13 países. Ela permitirá passar de uma edição mais simples a uma mais completa por um preço mais baixo.
Como já acontecia com o Vista, as edições mais baratas do Windows 7 trarão apenas uma parcela dos recursos. Coisas como a criptografia BitLocker, agora estendida a pen drives e HDs externos, só existem nas mais completas. E aplicativos mais antigos, que não rodam no Vista, também não vão funcionar nativamente no Windows 7. O Modo XP, que permite contornar esse problema, só virá nas edições Professional e Ultimate, que não estarão na maioria dos micros à venda nas lojas.
Quem é mais veloz?
Nas medições do INFOLAB, comparando o Windows 7 com seus antecessores XP e Vista, nota-se que algumas operações são mais rápidas com o Windows 7, mas não todas. Um exemplo em que o XP sai ganhando é o tempo de partida. Um PC AG31AP, da Positivo (Core 2 Duo E7500, de 2,4 GHz, e 3 GB de DDR2 de 1 066 MHz) demorou, no INFOLAB, 28 segundos para dar a partida com o XP, 30 segundos com o Vista e 35 com o Windows 7.
Já ao duplicar uma pasta com 171 MB de arquivos, o XP gastou 12 segundos. O Vista demorou 5 segundos, e o Windows 7, menos de 1 segundo. Este último resultado sugere que o Windows 7 criou um ponteiro para a segunda cópia e a liberou para uso, deixando para fazer a duplicação física quando isso for necessário. Esse processo, também adotado em outros sistemas operacionais, torna mais ágeis certas operações com arquivos. Ã um aperfeiçoamento importante no sistema de arquivos. Em operações que fazem uso intenso da CPU, a diferença não é tão nítida. Ao compactar um arquivo de 171 MB, o Windows 7 empatou com o XP. Ambos demoraram 9 segundos, contra 13 do Vista.
A prova do 7 no netbook
O INFOLAB também avaliou o desempenho do Windows 7 num netbook EeePC 1101HA, da Asus (com processador Atom N280, de 1,6 GHz, e 1 GB de memória DDR2). Embora a experiência de usar o Windows 7 no netbook seja boa, a velocidade é, em várias situações, mais baixa do que com o XP. Com o Windows 7 o EeePC levou 2 minutos e 36 segundos para redimensionar um lote de imagens com o aplicativo IrfanView. Já com o Windows XP, a tarefa foi completada 16 segundos antes. Mesmo aumentando a memória para 2 GB, a vantagem do XP se manteve. Já no teste de duplicação de arquivos, como acontece no PC de mesa, o Windows 7 ganha do XP. A duplicação de uma pasta com 151 MB foi completada na metade do tempo no Windows 7.
No teste de autonomia com bateria houve empate. Mas a Asus não havia, ainda, liberado drivers para gerenciamento de energia no Windows 7. Quando os drivers vierem é possível que a autonomia melhore. Um fato positivo é que o INFOLAB não observou problemas de compatibilidade no netbook. O Windows 7 Ultimate rodou mesmo com a interface gráfica Aero ativa.
Upgrade mais amplo
Com a diminuição dos requisitos de hardware, a base de máquinas candidatas ao Windows 7 fica mais ampla. “Na nossa estimativa, 50% da base instalada de micros no Brasil têm condições de rodar o Windows 7”, afirma Osvaldo Barbosa de Oliveira, diretorgeral de mercado de consumo e online da Microsoft Brasil. “Se a máquina roda Vista, roda Windows 7. Recomendamos a migração para quem tem o Vista e não está satisfeito”, diz Renata Gaspar, diretora de marketing de sistemas pessoais da HP. No caso do XP, é preciso avaliar com cuidado. Como em muitos casos são micros mais antigos, pode haver dificuldades.
Uma empresa que vem testando o Windows 7 é o grupo Hidrau, que fabrica, revende e exporta peças para tratores e tem cerca de 200 PCs. Seu sistema de gestão, desenvolvido em Delphi, estreou há 17 anos e recebeu sucessivos aperfeiçoamentos desde então. A empresa fez testes com esse aplicativo no Windows 7, comparando os resultados com a experiência de usá-lo em Windows 2000, XP e Vista. “O ERP ficou mais rápido no Windows 7. Não tivemos mais problemas de degradação de desempenho”, diz Adilson Fernando dos Santos, coordenador de infraestrutura do grupo Hidrau. Os principais problemas encontrados foram de compatibilidade com dispositivos como modem 3G. Mesmo assim, o plano da Hidrau é migrar para o Windows 7 em 2010.
Nova safra de PCs
Para os fabricantes de PC, o Windows 7 chega num momento oportuno. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as vendas do setor voltaram a crescer no segundo trimestre, quando o valor registrado foi 2% superior ao do mesmo período de 2008. Junta-se a isso o fato de que o Windows 7 desembarca dois meses antes do Natal, época em que as vendas aquecem. “O Windows 7 vai aumentar o interesse do consumidor por um novo micro”, diz Renata Gaspar, da HP. Para aproveitar o momento favorável, praticamente todos os fabricantes planejam anunciar novos computadores nas próximas semanas. “Em outubro e novembro teremos 20 lançamentos, todos com Windows 7”, diz César Aymoré, diretor de marketing da Positivo Informática. Uma categoria que deve se tornar mais comum é a dos PCs do tipo tudo-em-um, como o Touch”Smart, da HP, e o Studio One, da Dell.
Essas duas máquinas têm tela sensível ao toque, que pode ser mais bem aproveitada com o Windows 7. O sistema operacional ajusta o tamanho dos controles na tela para facilitar seu acionamento com os dedos. Além disso, a Microsoft desenvolveu um pacote de programas para uso com esse tipo de tela, o Touch Pack. Faz parte dele, por exemplo, o aplicativo de mapas Surface Globe. “Ã uma tendência. O desktop está se transformando”, diz Fábio Lemos, gerente de marketing da Dell para a América Latina. A Positivo também terá um micro tudo-em-um. Segundo César Aymoré, vai custar menos de 1 500 reais. Mas para chegar a esse preço a empresa abriu mão da tela sensível ao toque.
[img]Empresas na espera
Como sempre acontece com novos sistemas operacionais, o mundo corporativo deve demorar algum tempo para migrar. “Leva um ano ou mais até que os aplicativos em uso tenham sido homologados para o novo sistema”, afirma Michael Silver, vice-presidente e diretor de pesquisas do Gartner Research. Ele observa, porém, que muitas corporações continuam usando o XP e algumas delas já sentem necessidade de renovar suas máquinas. A Microsoft vai suportar o XP até 2014. Mas há fornecedores de software e hardware que vão encerrar o suporte antes. A Microsoft vai oferecer a opção de downgrade de novos micros para o XP até a liberação do primeiro service pack do Windows 7. Ã provável que esse pacote saia no início de 2011. Considerando tudo isso, o Gartner recomenda que as empresas se livrem do XP até 2012. E, para quase todas elas, o caminho para isso acaba sendo o próprio Windows 7.
OBS:Sei que a news é grande, mais explica muita coisa interessante sobre o win 7.
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