A equipe GameVicio entrou em contato com os desenvolvedores do MMORPG Dofus e conseguiu uma bela entrevista. As respostas estão em português de Portugal.
1. Por favor, apresentem-se para que possamos conhecê-los melhor.
Ankama foi criada em Maio de 2001. Ao inicio, é uma agência de comunicação interactiva criada por Anthony Roux (Director de criação), Camille Chafer (Director Técnico) e eu mesmo, Emmanuel Darras (Director comercial e financeiro). Trabalhávamos previamente na mesma sociedade especializada na realização de conteúdos para Internet. Desde o começo, a nossa vontade era criar jogos online e os rendimentos gerados pela agência que acabávamos de criar financiaram directamente o nosso primeiro projecto de jogo que se chamava DUEL e que depois tornar-se-á DOFUS.
2. De onde surgiu a idéia do jogo?
A nossa vontade sempre foi criar jogos online visto que somos apaixonados, desde as consolas super nintendo e sega megadrive, mas igualmente porque somos fãs da cultura japonesa mangá. Ao inicio, o desenvolvimento começou apenas com 6 pessoas que faziam aquilo sobre o seu tempo livre. Tot (Anthony Roux) já tinha há muito tempo fixado as grandes linhas, depois cada um trouxe a sua contribuição. Tot e Kuri (Christophe Bulteel) ocupavam-se do design, enquanto Camille e Bo (Boris Beaulant) codificavam o jogo. Do meu lado, tocava nas portas todas para encontrar editores e obter ajudas ou empréstimos.
3. Quais as influências para criar o jogo?
Somos todos fãs de japanimação, filmes do estúdio Ghibli, vídeojogos asiáticos e igualmente mangás. O nosso ponto comum é realmente um interesse para a cultura asiática. Todos crescemos com séries animadas japonesas, das melhores como das piores. Tot engole literalmente toneladas de BD, Kuri fala japonês e sonha instalar-se no Japão, eu e Kam, somos fãs de vídeo jogos e estamos sempre prontos para tentar jogar à jogos não traduzidos que Kuri nos traz.
O que nos atrai é o tom fora do comum, as cores flashy dos vídeojogos e o traço/aspeto simplificado dos filmes de animação e dos mangás. Francamente, não nos teríamos motivados para realizar um jogo que não contasse com estas referências. Ao mesmo tempo, a ideia não era fazer um jogo que seria uma cópia conforme da produção asiática. Jogando nós próprios à tais jogos, efectivamente vimos que tudo não era adaptável. Ao final, Dofus tem um ambiente muito asiático, um gameplay entre os 2 mundos e um cenário e referências mais ocidentais ou ocidentalizadas.
4. O que chama a atenção na opinião de vocês em Dofus?
DOFUS é um jogo que pelas suas características se dirigem a um público muito largo dado que reduzimos todos os travões quanto à sua acessibilidade, porque é em flash, o que é único para um MMORPG de esta categoria. Concretamente, é acessível em qualquer lado, desde qualquer computador que dispõe de uma conexão Internet, mesmo em débito médio a partir de 56kps. Dofus também é um jogo de combate táctico, onde as escolhas de combate fazem-se passo à passo, ligeiramente à maneira de um jogo de malogro. Ã um jogo engraçado, colorido com um design muito bonito e fácil de acesso.
Numerosas actualizações vêm regularmente estender os territórios a explorar e ajudam a renovar o prazer de jogar. Este sistema de episódios permite acrescentar uma boa dose de dinamismo ao jogo, para todos os jogadores que não conhecem o universo de Dofus. Estes três últimos anos, centenas de conteúdos e zonas foram acrescentadas ao jogo, e não queremos que os novos jogadores se sentem perdidos neste gigantesco universo. Desta maneira, todos os jogadores podem familiarizar-se ao jogo a um ritmo estabelecido pelos gerentes da comunidade. Estamos constantemente a escuta dos jogadores porque pensamos que em cada jogador existe um game designer que se ignora. Estas informações nós são muito preciosas para descobrir o que é importante para os jogadores, porque a moda e os gostos evoluem e desejamos que DOFUS se adapte em função destas evoluções.
5. De que modo Dofus, Dofus-Arena e Wakfu são interligados?
Lançamos o desenvolvimento do Dofus-Arena para responder à pedidos de jogadores que queriam reencontrar o gameplay táctico de DOFUS num jogo que não necessita de fazer progredir o seu personagem e por conseguinte ao acesso mais imediato e menos vinculativo que um MMORPG. Foi concebido numa óptica de combates curtos, mas obstinados que permitem jogar sem necessariamente conhecer DOFUS e com uma aprendizagem mais directa.
Enquanto ao Wakfu, é para nós um projecto muito ambicioso. Com Wakfu, pomos a barra mais alta. Mais grande, mais bonito, mais intenso, é a nossa divisa. Continuará em 2D, mas vamos recorrer à 3D para modelar certas coisas antes de o entregar em 2D. Haverá scrolling que permitirá uma imersão mais grande do jogador.
A nível do cenário, situa-se 1.000 anos após DOFUS, após várias confrontações, a natureza retomou o posse e será por conseguinte aos jogadores recrear inteiramente uma civilização com respeito da natureza, porque uma utilização abusiva de tal ou tal recurso terá por consequência o seu desaparecimento definitivo. Haverá igualmente um sistema que permita nomear representantes que terão um poder sobre a utilização dos recursos e os meios a disposição das diferentes comunidades. A nível dos combates, queremos algo mais instintivo sem estar a renunciar ao lado táctico que fez o nosso sucesso. A progressão dos jogadores far-se-á de acordo com uma lógica mais realista, a saber que progride-se apenas nas coisas que se utiliza realmente. Assim, um personagem poderá melhorar a eficácia de tal o tal instrumento apenas à condição de utilizá-lo de maneira regular.
7. Há possibilidade de um lançamento oficial do jogo fora da Europa, quem sabe no Brasil?
Claro, vamos lançar oficialmente o jogo Dofus numa versão portuguesa daqui ao fim do ano. Queremos dar à descobrir DOFUS à novos jogadores em novos países. E além de Dofus também os outros produtos da Ankama (as BD mangá, uma revista, os artbooks, os goodies, etc…).
8.Qual o total de jogadores no mundo, e o total de brasileiros? Qual sua expectativa de crescimento após a localização do jogo para o português?
Chegamos aos 5 milhões de jogadores no mundo! Dos quais cerca de 150 000 brasileiros. Quanto à expectativa de crescimento após a localização, é difícil dar uma estimação mas esperamos atrair mais jogadores brasileiros que temos hoje em dia. Isto porque, como é óbvio, Dofus será em português (do Brasil) e também porque será completamente grátis, com o acréscimo de episódios, durante um certo tempo (6 à 8 meses). Por isso, esperamos atrair muitos brasileiros.
9. Além de Dofus, Dofus-Arena e Wakfu, a Ankama Games planeja mais algum projeto? Como ele seria?
Temos vários projectos para desenvolver. Estamos finalizando uma série de animação (desenho animado) sobre Wakfu com 52 episódios que será vendida à televisão francesa, para já. Mas também trabalhamos numa versão de DOFUS para a nintendo DS e para a XBOX, que será para breve!
10. Que mensagem vocês gostariam de deixar para o público brasileiro?
Pensamos que o Brasil e a França compartilham uma paixão para os vídeojogos e os mangás. Estes dois elementos distintos juntam-se no estilo específico de DOFUS e permite-nos deduzir que o público brasileiro será muito interessado por DOFUS. Também sabemos que o Brasil tem todas as carcterísticas para formar uma boa comunidade online. A maior parte das ferramentas da web, como os blogs e fotologs, contam com muitos brasileiros. Todos os MMORPG não são comparáveis, DOFUS é um jogo único pelo seus aspectos tácticos, seu estilo e seu humor. Podemos dificilmente compará-lo com outros MMORPG mais clássicos.
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