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The Warriors - "... guarda algumas semelhanças com 'Grand Theft Auto', mas é mui

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The Warriors
PlayStation 2


Temas urbanos são assuntos recorrentes em jogos da atualidade, tendo a série "Grand Theft Auto", da Rockstar Games, como uma das precursoras do estilo e mostrando facetas da "cultura dos guetos americanos", seja o hip-hop, a arte-grafite ou seu jeito confundível de falar. Essa cultura foi explorada em filmes clássicos como "Boyz n the Hood", de 1991, e "Os Selvagens da Noite" - "The Warriors", no título original -, filmado em 1979.

Sendo assim, "The Warriors" e "Grand Theft Auto" estão intimamente ligados pelo tema. Ambos tratam de briga de gangues, mas, a década de 70 descrita pelo filme se trata de um período em que a selvageria se dava por grupos com identificação única, em confrontos envolvendo apenas socos, chutes e quaisquer armas que estivessem ao alcance. Assistindo a recentes acontecimentos no futebol, percebem-se algumas coisas nunca mudam.

Gangues de Nova York

"The Warriors" é sobre briga de gangues, e, sendo assim, os combates serão o foco da jogabilidade. Títulos assim foram grandes clássicos na era pré-"Street Fighter II", como "Final Fight" da Capcom, "Streets of Rage" da Sega e "Double Dragon" da Technos Japan.

Atualmente, o gênero esboça um pequeno renascimento, com títulos como "Urban Reign" e "Beatdown: Fists of Vengeance", além de estar programada uma versão 3D de "Final Fight". Mas, até o momento, nenhum deles exibe o vigor de "The Warriors", com suas lutas intensas e fiéis ao estilo briga de rua, com todo o caos gerado por quase uma dezena de delinqüentes se esmurrando.

Antes de tudo, é preciso ressaltar a extensa pesquisa que a produtora fez para recriar a Nova York dos anos 70, revisando todos os materiais usados no filme original. Tudo isso se reflete nos cenários, nos penteados, no linguajar dos personagens e até num simples cartaz de um anúncio. Enfim, como nas grandes obras, o jogo se soma ao filme original, ainda mais porque explora um vácuo deixado pelo longa-metragem.

No filme, as ações ocorrem após o assassinato do enigmático Cyrus, líder da Gramercy Riffs, quando este tentava convencer todos os grupos de Nova York a lutar contra a polícia e tomar o poder nas ruas. Já o game leva os acontecimentos ao passado, cerca de três meses antes do fatídico episódio, e mostra as origens da gangue, de como ela foi formada e como alguns dos integrantes se conheceram.

Quer dizer, o jogador não precisa conhecer o filme, pois o game mostra todos os acontecimentos e o roteiro é muito bem escrito. Mas algumas cenas vêm diretamente da película e ter assistido ao clássico ajuda a completar a experiência, pois fecha muitos dos elos que ficaram soltos.

Mini Theft Auto

O sistema de "The Warriors" mistura elementos de "Grand Theft Auto" e "Manhunt". Quer dizer, o jogador explorará cenários e poderá tomar diversas ações, como roubar lojas e toca-fitas de carros; comprar drogas e tintas de spray; e assaltar pessoas. No começo há apenas as missões obrigatórias, mas, ao montar seu quartel-general poderá acessar diversos outras modalidades.

As diferenças para com "Grand Theft Auto" estão no tamanho do mapa, muito menor em "The Warriors", além da característica mais orientada para o roteiro, que, por um lado ajuda a focalizar suas ações e imergir nesse universo, mas, por outro, tira muito da liberdade, ponto primordial de "GTA". Ao menos, aumenta a praticidade, já que não é necessário ficar perambulando pela cidade à procura de objetivos.

O andamento do roteiro é bem amigável, com indicação em forma de ícones e um texto sucinto sobre seu objetivo. Ãs vezes, há missões opcionais também. Em compensação, as partes de combate são bastante desafiadoras, devidos aos inimigos em abundancia. Os policiais são ainda mais duros e podem prender o jogador ou seus companheiros.

No seu quartel-general é possível acessar as missões primárias, que fazem avançar o roteiro; as opcionais, que servem para destravar centenas (460, para ser exato) de extras; o modo Rumble, uma coleção de minigames; além de alguns treinamentos de boxe e barras, para melhorar suas habilidades físicas.

Resolvendo no braço

Mas o foco está mesmo nos combates, contra pessoas comuns, policiais e, principalmente, gangues rivais. Devido a essas características, as lutas são bastante caóticas e, às vezes, é preciso enfrentar diversos inimigos sozinho. Seu personagem conta com diversos tipos de golpes, inclusive alguns que permitem atacar as costas, úteis numa situação dessas.

Além de ataques rápidos ou fortes, o seu personagem pode agarrar os oponentes para depois arremessar para longe ou derrubá-lo no chão. Mesmo nesse estado, os inimigos podem continuar apanhando, seja com pontapés ou socos - depois de montar no oponente, no melhor estilo briga de rua. A gama de ações não chega a ser grande, mas é o suficiente para encarar quase todas as situações.

As animações são bem naturais e quase sempre o seu personagem fará movimentos de acordo com sua intuição. Por exemplo, se agarrar os inimigos por trás, prenderá seu braço, deixando-o indefeso para que um companheiro encha-os de sopapos. O cenário também tem participação ativa nos combates, uma vez os adversários podem ser arremessados contra vidraças e há diversas armas que podem ser improvisadas, desde um simples bastão de madeira até coquetéis molotov, passando por guitarras e facões.

O jogador apenas controla um dos membros da gangue conforme o roteiro, mas, se estiver comandando um líder, o chamado "warchief", poderá dar seis diferentes ordens para os companheiros, como ficar parado no mesmo lugar, proteger suas costas ou simplesmente mandar destruir tudo. Muitas vezes, a destruição do cenário é um dos objetivos do game e objetos interativos não faltam: carros, caixas, vidraças, tudo está aí para ser quebrado.

Quase todas as ações que não envolvem a quebradeira são feitas em formato de minigames. Por exemplo, para roubar um toca-fitas, o sistema exige rodar o direcional analógico esquerdo no sentido anti-horário, como se estivesse desparafusando o aparelho. Já para pichar os muros, deverá fazer com que um cursor siga um traço com o direcional. Em suma, idéias que seriam melhor aproveitadas no Nintendo DS.

Mesmo esses delinqüentes precisam de dinheiro para cumprir certas tarefas. As drogas para recuperar energia e o spray de tinta, muitas vezes, só podem ser comprados. Sendo assim, é necessário arranjar uma grana para isso, à maneira das gangues, seja roubando ou assaltando.

A aventura principal dura cerca de 15 horas, o que é bastante extenso para um game basicamente de ação, sem um grande fator de exploração. Com um roteiro bem elaborado e missões interessantes, são poucas as partes entediantes. Alguns chefes podem ser realmente complicados e trazer alguma frustração. O nível de dificuldade realmente não é dos mais baixos. A aventura principal aceita um segundo jogador a qualquer hora, mas a diversão não fica muito melhor por isso.

Por falar em modalidades multijogador, existem diversos minigames que aproveitam o recurso. O modo Rumble permite montar a sua própria gangue e participar de modalidades multiplayer com regras clássicas, como o King of the Hill ou o Capture-a-Bandeira, que, nesse caso, poderia se chamar "Capture-a-Garota". Além disso, também há um modo puramente de ação, que faz homenagem ao clássico "Double Dragon". Esses são algumas das centenas de extras do game.

Voltando a 1979

Apesar do fantástico trabalho de pesquisa, a tecnologia gráfica de "The Warriors" não é das melhores. Talvez tenha sido uma opção da Rockstar por modelos de personagens simples, para que mais deles pudessem aparecer na mesma tela. E, de fato, no modo de história não ocorrem queda da taxa de quadros e cada um dos personagens se move com sua própria inteligência, ajudando a recriar as caóticas brigas do filme. Ã muito difícil perceber um movimento em bloco dos oponentes, que costuma acontecer em games como "Dynasty Warriors".

Em vista da natureza do game, é um título bastante violento, com muito sangue e ações por vezes cruéis. Os personagens ficam marcados com cortes e hematomas à medida que sofrem escoriações causadas pelo impacto dos golpes. A câmera é outro ponto negativo, que, assim como muitos jogos, não trabalha bem em ambientes estreitos, dificultando enxergar o que realmente interessa.

Os cenários em si são até bem detalhados e dispõem de uma grande quantidade de objetos interativos. Praticamente todas as garrafas, paus, pedras e latas de lixo podem ser carregados e arremessados contra os oponentes, mas falta um pouco de variação de luz. Tanto os personagens quanto os ambientes reproduzem fielmente o clima e aparência do filme original. As versões para PlayStation 2 e Xbox são praticamente idênticas, mas a versão para o console da Microsoft tem suporte para 720 linhas de resolução em varredura progressiva.

Já o áudio de "The Warriors" não é nada menos que fantástico, contando com grande parte da trilha original, de época. Muitos dos atores do filme original gravaram suas falas no game, sempre com a preocupação de manter o sotaque e gírias da época. Mas o resultado é pouco homogêneo; enquanto algumas vozes são excelentes, outras parecem bastante deslocadas.

Os efeitos sonoros também são de alta qualidade, com definição e peso. Cada barulho de soco denuncia seu poder de destruição e dependendo de sua visão, os gritos, músicas e conversas mudam de volume, permitindo o jogador se localizar apenas pelo som, além de criar uma ambientação fantástica. Se isso já funciona num simples sistema estéreo, fica magnífico num home theater com Dolby Digital.

Nos ombros dos clássicos

"The Warriors" guarda algumas semelhanças com "Grand Theft Auto", mas é muito mais imediatista, cortando quase todos os passos para que o jogador tenha uma experiência mais aguda, mas, por outro lado, não tem a quase inimitável liberdade de "GTA". Há variedade na ação e o sistema de combate fica complicado com tantos inimigos para lutar.

Quem gosta de brigas e de seguir roteiros terá um prato cheio, ainda mais com um script bem escrito como esse. Mesmo que termine o modo de história, ainda há centenas de extras para destravar, o que garantirá mais um bom tempo de diversão. Trata-se de uma real evolução dos clássicos da década de 80, em especial o "Double Dragon", a qual "The Warriors" faz questão de homenagear.
BT_Klevim
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