A Electronic Arts pode estar prestes a deixar de existir como empresa independente. Segundo reportagem da Bloomberg, os novos donos sauditas da publicadora estão avaliando a possibilidade de fundir a EA com a Savvy Games, grupo criado pelo Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita em 2021 com o objetivo declarado de “alcançar posição de liderança na indústria de games até 2030”. A movimentação ocorre menos de um mês após o fechamento do negócio que tirou a EA da bolsa de valores, em 4 de agosto, por um valor de US$ 55 bilhões.
A EA e representantes do PIF não comentaram o relatório. A própria reportagem da Bloomberg enfatiza que nenhuma decisão final foi tomada e que qualquer avanço concreto deve aguardar, ao menos, o fechamento de outra aquisição em andamento: a compra pela Savvy Games do estúdio chinês Moonton, criador de Mobile Legends, em um acordo avaliado em US$ 6 bilhões.
Uma megacorporação de games com alcance global
Se a fusão sair do papel, o resultado seria uma das maiores empresas de entretenimento digital do mundo. Do lado da Savvy Games, já estão na carteira a ESL FACEIT Group, apresentada como a maior empresa de esports do mundo, e a Scopely, líder em jogos mobile nos Estados Unidos, com títulos como Pokémon Go e Monopoly Go!. Somados aos franquias esportivas da EA, como EA Sports FC, Madden e NHL, e às suas propriedades de maior prestígio, como The Sims, Dragon Age e Battlefield, o portfólio resultante seria de proporções inéditas.
O futuro da EA e o medo dos funcionários
A possível fusão alimenta um clima de incerteza que já ronda os corredores da publicadora desde o anúncio da aquisição. A operação estocou temores de demissões em massa na empresa, especialmente após relatos de que a EA, agora privada, sinalizou aos seus novos credores que pretende cortar US$ 700 milhões em custos anuais. A liderança da empresa tentou acalmar os ânimos ao afirmar que “nossa liberdade criativa e nossos valores centrados no jogador permanecerão intactos”, mas uma fusão completa com o braço mobile saudita certamente não amenizaria esse receio.
Além da questão financeira, funcionários da EA já demonstraram preocupação com possível interferência editorial dos novos proprietários. Relatos indicam que há temor de que projetos simplesmente não sejam aprovados por não se alinharem às diretrizes do governo saudita, uma camada adicional de pressão sobre uma empresa que já enfrenta um momento de transição delicado e sem precedentes em seus mais de quatro décadas de história.
Fonte: GamesRadar