Hellraiser: Revival promete dar ao Pinhead um papel maior do que em qualquer outra obra

Doug Bradley retorna ao papel e revela que o personagem terá muito mais falas, agência e influência sobre a história.

Clive Barker’s Hellraiser: Revival é o jogo que os fãs da franquia esperaram por décadas e que, por pouco, nunca existiu. Desenvolvido pela Saber Interactive, o título chega para preencher um vácuo histórico: nunca houve um grande jogo single-player de Hellraiser. Agora, com lançamento marcado para 8 de outubro de 2026 no Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Windows e Xbox Series X/S, o projeto finalmente traz Pinhead para os games

A história se passa mais de 20 anos após os eventos do primeiro filme e acompanha Aiden, um personagem inédito criado especificamente para o jogo. O diretor narrativo Antony De Fault descreve o protagonista sem enrolação: “Aiden é um cara muito ferrado”. Com histórico de vício, passagens pela prisão e envolvimento com gangues, ele vive um relacionamento instável com sua namorada, Sunny. Segundo De Fault, os dois compartilham uma característica central: “uma voz interior que estão sempre, sempre tentando preencher, mas que nunca conseguem de verdade”, e é justamente essa incompletude que os empurra para o pesadelo dos Cenobitas.

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Clive Barker na produção: presença estratégica, não controle total

A entrada da Saber Interactive no universo de Hellraiser começou pela via burocrática. O diretor de jogo Emil Esov explica que o contato inicial foi com os detentores da licença e da propriedade intelectual, sem envolvimento direto de Clive Barker no começo. Mas quando a conversa chegou ao criador original da franquia, a relação foi surpreendentemente fluida. “Clive foi muito fácil de trabalhar. Ele é um verdadeiro artista, então sabia o que precisávamos fazer para entender o espírito de Hellraiser. Mas também sabia que não conseguiria nos controlar à distância e que isso não produziria boa arte”, conta De Fault.

Barker garantiu que a equipe entendesse a essência da série e, depois disso, os deixou trabalhar. As intervenções foram mínimas: apenas algumas orientações sobre a representação do labirinto e escolhas estéticas pontuais.

Doug Bradley de volta como Pinhead, com mais agência do que nunca

Doug Bradley, ator que eternizou o Pinhead nas telas, entrou na produção em uma fase mais avançada do desenvolvimento. Ele leu o roteiro, gravou suas falas e deu notas sobre como o personagem deveria se comportar e falar. De Fault, por ser o responsável pela narrativa, foi quem teve mais contato com Bradley. E o ator se animou com o que encontrou: em Hellraiser: Revival, o Pinhead tem uma agenda concreta e motivações que movem o enredo tanto quanto as de Aiden, algo inédito para o personagem em qualquer outra obra estrelada por Bradley. “Ele realmente gostou do fato de que, neste jogo, Pinhead tem mais agência e mais falas”, resume o diretor narrativo.

Horror filosófico, referências e o que inspirou o gameplay

Para construir o jogo, Esov e De Fault mergulharam nas obras originais de Barker, como os livros e os primeiros filmes, sem avançar para as sequências posteriores da franquia. O objetivo era dissecar o que faz Hellraiser ser o que é. A conclusão: a série é, no fundo, sobre “transcendência dando errado”, e o desconforto precisa estar presente em cada cena.

No campo do gameplay, a equipe olhou para o mercado de jogos de horror e extraiu referências declaradas: Resident Evil, BioShock e Condemned: Criminal Origins são citados por Esov como pontos de partida. A Saber Interactive então adicionou um elemento próprio chamado de “configuration”, um dispositivo que funciona tanto como mecânica de jogo quanto como ferramenta narrativa.

O visual provocativo da franquia também foi abraçada sem medo. “Fomos chamados de doentios na imprensa por causa deste jogo”, admite De Fault com bom humor. Para ele, a justificativa é a mesma que sustenta a obra de Barker: tudo o que é explícito ou perturbador existe para servir a um propósito filosófico. “O objetivo de Hellraiser como obra de arte é ser nobremente provocativo. O jogo também é. Mas é para te fazer pensar em algo, expandir sua mente, e não ver o mundo em termos tão binários como dor e prazer”, conclui o diretor narrativo.

Clive Barker’s Hellraiser: Revival será lançado em 8 de outubro de 2026 para PC (via Steam), PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2. Uma demo já está disponível para download.

Fonte: Deadline

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