Tim Cain, co-criador da franquia Fallout, foi direto ao ponto em um novo vídeo publicado em seu canal no YouTube: a indústria de jogos nunca foi um emprego estável, não é agora e jamais será. O veterano desenvolvedor direcionou o recado especialmente aos profissionais mais novos que ingressaram no mercado nos últimos anos esperando encontrar uma carreira sólida e de longo prazo.
“Sério, se você é alguém que entrou na indústria de games nos últimos 5 ou 10 anos e achou que seria um emprego estável que te sustentaria por 30 ou 40 anos, você assumiu incorretamente. Você está errad“, comentou. O tom é duro, mas Cain não o adota por crueldade, ele o faz porque esteve lá em cada uma das grandes crises do setor e viu o ciclo se repetir diversas vezes.
O desenvolvedor relembra que estava presente durante o colapso do mercado de videogames americano em 1983, evento que, segundo ele, eliminou “100% dos empregos americanos de desenvolvedores de consoles”. Na virada para os anos 90, assistiu artistas 2D serem substituídos por artistas 3D à medida que os estúdios migravam seu estilo gráfico. Já na década de 2010, observou “o completo desaparecimento dos desenvolvedores de médio porte”, aqueles com equipes de cerca de 50 pessoas. E agora, acompanha a indústria murchar após o período de trabalhar de casa imposto pela pandemia de COVID-19, que inflou artificialmente os números do setor.
Para Cain, a explicação é simples e estrutural: “A arte em si é inerentemente instável porque os gostos das pessoas mudam. É por isso que minha casa não está cheia de carpete shag.” A tecnologia, por sua vez, carrega uma instabilidade própria e diferente e “muda constantemente”, afirma o desenvolvedor, e qualquer profissional, independentemente de sua função, está hoje tentando entender onde a IA generativa se encaixa nesse cenário, seja do ponto de vista artístico ou técnico.
A IA generativa como catalisador da crise atual
Cain concede que a inteligência artificial generativa está impulsionando uma instabilidade singular e abrangente no mercado. Segundo ele, a tecnologia impacta diretamente os custos de produção, estimula demissões em massa e reduz o apetite dos investidores. O quadro é ainda mais delicado porque essa pressão se soma à ressaca pós-pandemia da indústria, criando um ambiente de dupla pressão sobre estúdios e desenvolvedores.
O veterano também não poupa os que acham que o pior já passou. “Aqui está uma coisa que eu garanto que vai acontecer. Em 20 anos, pessoas que hoje são bebês vão estar entrando no mercado de trabalho e falando sobre como vocês tiveram tudo fácil. Elas vão rir de qualquer noção que você der de que a indústria de hoje era difícil.” E emenda com um lembrete: “Vocês riram do que eu falei sobre os anos 80.”
O conselho para quem quer sobreviver
Diante de um cenário sem garantias, Tim Cain oferece duas saídas práticas para os desenvolvedores que querem tentar se planejar. A primeira é migrar para outra indústria que aproveite habilidades similares. A segunda é se tornar um especialista tão específico que se torne indispensável, ele usa como exemplo a postura de alguém que pode dizer “tudo o que faço são pixel shaders”.
“Essas são duas opções se você quer tentar planejar o futuro em uma indústria que é, foi e sempre será inerentemente instável”, conclui Cain.
Fonte: GamesRadar