Um técnico especializado em reparos de consoles causou discussão nas redes sociais após fazer uma avaliação bastante dura da atual geração. Conhecido no X como ‘Modyfikator89’, ele classificou o período como “a pior geração de consoles já lançada” enquanto mostrava mais uma leva de PS5 recebida em sua oficina.
Segundo o profissional, o estabelecimento chega a processar até dez consoles quebrados em um único dia. A partir da experiência acumulada na bancada, ele também revelou quais são os cinco tipos de problema que afirma encontrar com maior frequência nos PS5 enviados para reparo.
Modyfikator89 se apresenta como técnico de consoles e controles com 20 anos de experiência prática em assistência eletrônica. Ainda assim, é importante destacar que seus relatos representam a experiência de uma oficina especializada e os números não constituem uma pesquisa sobre toda a base instalada do PS5 e, portanto, não permitem calcular uma taxa geral de falhas do console.
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Even more critical problems of this generation pic.twitter.com/Gl9vVxPewh
— modyfikatorcasper (@Modyfikator89) August 12, 2026
Os 5 problemas de PS5 que o técnico mais encontra
Na publicação, Modyfikator89 resumiu os defeitos que mais aparecem em sua rotina de reparos. A lista mistura problemas de refrigeração, danos físicos e falhas envolvendo componentes diretamente soldados à placa-mãe.
1. Superaquecimento e problemas com o metal líquido
No topo da lista aparecem casos de superaquecimento e falhas relacionadas ao metal líquido utilizado na refrigeração do processador do PS5.
Diferentemente de consoles que utilizam pasta térmica convencional entre o chip e o dissipador, a Sony adotou metal líquido como material de interface térmica no PS5. A solução oferece elevada condutividade térmica, mas também exige um sistema de contenção adequado, já que o composto é eletricamente condutivo. A própria iFixit destacou essa característica durante sua desmontagem do console e observou que a manutenção desse material pode ser mais complicada.
Modyfikator89 chama atenção ainda para um detalhe: segundo sua experiência, esses casos chegam à oficina tanto em videogames mantidos na vertical quanto na horizontal. Isso contrasta com a ideia bastante difundida de que simplesmente deixar o PS5 deitado eliminaria qualquer possibilidade de problemas envolvendo o metal líquido.
2. Portas HDMI quebradas
O segundo reparo citado pelo técnico envolve portas HDMI danificadas.
Aqui é necessário fazer uma distinção importante. Uma porta HDMI quebrada pode resultar de desgaste, movimentos bruscos do cabo, impactos ou outros fatores externos. Modyfikator89 não atribui esses casos especificamente a um defeito de fabricação do PS5.
O que sua publicação indica é apenas que problemas no conector HDMI estão entre os serviços que aparecem com frequência em sua oficina.
3. Curtos-circuitos na placa-mãe
Em terceiro lugar estão os curtos-circuitos na placa-mãe.
A publicação não especifica um componente responsável pela maioria dessas ocorrências, nem afirma que exista uma única origem para os curtos. Dependendo do aparelho, uma falha elétrica pode envolver diferentes circuitos e exigir diagnóstico individual.
Por isso, não há base na publicação para tratar esse item como um defeito específico de determinado modelo ou revisão do PS5. Ele aparece, simplesmente, entre os problemas recorrentes relatados pelo técnico.
4. SSD interno corrompido ou danificado
O quarto problema citado envolve o SSD interno do PS5, com unidades chegando à oficina apresentando armazenamento corrompido ou danificado.
Nesse caso, Modyfikator89 está falando do armazenamento integrado do próprio videogame, não do SSD M.2 opcional que os usuários podem instalar para aumentar a capacidade disponível. Isso torna o defeito especialmente inconveniente.
A desmontagem é que o armazenamento principal do PS5 faz parte da placa-mãe, diferentemente do SSD M.2 de expansão removível instalado pelo usuário.
5. Módulos de RAM defeituosos
Fechando a lista aparecem módulos de memória RAM com defeito.
Assim como no caso do SSD e dos curtos-circuitos, o técnico não fornece números separados por revisão de hardware ou idade do videogame. Também não há indicação de que exista um lote específico afetado.
Portanto, novamente, trata-se de um retrato do que chega à bancada de Modyfikator89, e não de evidência de que determinado percentual dos PS5 vendidos acabará apresentando falha na memória.
PS5 que apresentou problema grave ficou cinco anos na horizontal
A nova publicação também esclareceu uma dúvida sobre um PS5 que havia sido mostrado anteriormente pelo próprio técnico.
O aparelho era um CFI-1116 com aproximadamente cinco anos, recebido apresentando superaquecimento severo. Ao abri-lo, Modyfikator89 encontrou uma grande região praticamente sem metal líquido sobre a APU e resíduos endurecidos na região de contato do dissipador. Após a limpeza, o chip continuava visualmente intacto, enquanto a superfície do dissipador permaneceu marcada.
Agora sabemos que, de acordo com o técnico, esse console permaneceu exclusivamente na posição horizontal durante os cinco anos desde a compra. Mesmo assim, desenvolveu o problema térmico observado na oficina.
Isso não significa que a posição seja irrelevante em todos os cenários ou que qualquer PS5 usado por cinco anos desenvolverá o mesmo defeito. O que o caso demonstra é algo bem mais limitado: manter aquela unidade específica na horizontal não foi suficiente para impedir a degradação encontrada na interface térmica.
Sony modificou o sistema de metal líquido no PS5 Pro
Há pelo menos uma mudança oficial de projeto que ajuda a contextualizar a discussão.

Durante a desmontagem oficial do PS5 Pro, a própria Sony explicou que manteve o metal líquido como material térmico, mas adicionou pequenas ranhuras na área onde o composto é aplicado. Segundo Shinya Tsuchida, líder de design mecânico do console, a alteração busca deixar o efeito de refrigeração mais estável.
A Sony não afirmou que essa mudança tenha sido motivada por uma falha generalizada dos PS5 anteriores. Na mesma explicação, a companhia afirmou que já havia realizado diversos testes de segurança durante o desenvolvimento do modelo original e que o metal líquido continuou sendo considerado importante para as gerações seguintes do hardware.
O histórico de oficinas também mostra por que é difícil estabelecer uma causa única. Em julho, por exemplo, um técnico brasileiro encontrou metal líquido fora da região da APU em um PS5 Slim. Outros profissionais que participaram da discussão levantaram hipóteses diferentes, incluindo impacto físico e influência da posição do videogame.
A lista não significa que todo PS5 apresentará esses defeitos
Apesar da frase contundente usada por Modyfikator89, seus relatos precisam ser interpretados dentro do contexto de uma oficina de reparos.
Uma assistência especializada recebe, por definição, aparelhos com problemas. Assim, encontrar diversos PS5 apresentando determinadas falhas não informa quantos videogames continuam funcionando normalmente na mesma região ou no restante do mundo.
O técnico também não divulgou uma amostra completa separando os aparelhos por modelo, idade, revisão de placa ou causa do defeito. Portanto, sua publicação não demonstra que o PS5 possua uma taxa de falha maior que PS4, Xbox Series S|X ou consoles de outras gerações.
Ainda assim, a lista oferece uma visão interessante de quais tipos de reparo estão aparecendo com frequência na bancada de um profissional que trabalha diariamente com consoles, principalmente agora que os primeiros PS5 vendidos já acumulam vários anos de uso.
Fonte: Hardware