Justiceiro nos games: relembre a trajetória de Frank Castle nos videogames

Dos fliperamas aos consoles, veja como o anti-herói da Marvel marcou presença nos videogames ao longo de mais de três décadas.

Poucos personagens da Marvel tiveram uma trajetória nos videogames tão peculiar quanto o Justiceiro. Enquanto Homem-Aranha, X-Men e Vingadores estrelam dezenas de adaptações, Frank Castle apareceu em apenas alguns títulos ao longo das últimas três décadas. Ainda assim, o que sua história perde em quantidade, compensa em variedade, passando por gêneros que vão de beat ‘em ups de arcade a jogos de tiro em primeira pessoa e violentas aventuras de ação em terceira pessoa.

Com o personagem estando novamente em alta graças a sua aparição em Homem-Aranha: Um Novo Dia, nada melhor do que relembrar todos os principais jogos estrelados pelo implacável vigilante da Marvel.

The Punisher (1990) – MS-DO

O primeiro jogo protagonizado por Frank Castle chegou em 1990 para MS-DOS, trazendo uma proposta surpreendentemente ambiciosa para a época. Em vez de apostar em um único estilo de gameplay, o título alternava constantemente entre diferentes perspectivas e mecânicas.

Os jogadores dirigiam a Van de Batalha do Justiceiro entre as missões, exploravam esconderijos inimigos a pé e até encaravam fases de mergulho subaquático. Essa variedade fazia o jogo se destacar em meio às adaptações licenciadas daquele período. Embora seus controles e apresentação tenham envelhecido mal, o título merece reconhecimento por tentar capturar diferentes aspectos da guerra de Frank Castle contra o crime muito antes de os jogos de ação cinematográficos se tornarem populares.

The Punisher (1990) – Amiga

Causando muita confusão entre os jogadores, no mesmo ano tivemos outro jogo chamado The Punisher, embora para o Amiga. Embora compartilhem o mesmo nome, a licença da Marvel e a premissa de Frank Castle enfrentando o crime organizado, as versões para DOS e Amiga eram jogos completamente diferentes.

A versão para Amiga, criada pela The Edge, segue um estilo muito mais simples e arcade, com fases lineares em primeira pessoa nas quais o jogador elimina inimigos que surgem em cenários estáticos. Sem exploração, veículos ou trechos subaquáticos, ela oferece uma experiência bem mais direta. 

The Punisher (1991) – NES

No ano seguinte, Frank Castle fez sua estreia nos consoles da Nintendo com The Punisher, para o NES.

Em vez de criar um tradicional jogo de ação e plataforma, a desenvolvedora Beam Software apostou em um on-rails shooter, gênero onde o personagem se move sozinho pela tela e o jogador apenas mira. O título era claramente inspirado por clássicos como Operation Wolf e colocava o jogador para enfrentar ondas de criminosos enquanto protegia civis, desbloqueando armas com cada vez mais poder de fogo ao longo da campanha.

A aventura terminava em um confronto contra o Rei do Crime (Kingpin), um dos maiores vilões do crime no universo da Marvel. Em 1992, o jogo também recebeu uma versão para Game Boy. Embora simplificada para se adaptar ao hardware portátil da Nintendo, ela manteve a essência da jogabilidade focada em tiroteios.

The Punisher (1993) – Arcade / Mega Drive (Genesis)

Para muitos fãs, The Punisher, lançado em 1993 para Arcades, continua sendo o primeiro grande jogo baseado no Justiceiro, trazendo um grande avanço em gameplay e visuais quando comparado aos seus antecessores.

Lançado pela Capcom nos fliperamas durante a era de ouro dos beat ‘em ups, The Punisher aproveitou a fórmula de sucesso estabelecida por Final Fight, mas construiu sua própria identidade com um grande arsenal de armas de fogo, cenários explosivos e diversos vilões do universo Marvel. Os jogadores podiam escolher entre Justiceiro e Nick Fury, enfrentando hordas de inimigos com socos, agarrões, armas brancas e uma impressionante variedade de armas de fogo.

O jogo conquistou os jogadores pela excelente animação dos sprites, um combate satisfatório, modo cooperativo para 2 jogadores e uma das melhores artes em pixel produzidas pela Capcom nos anos 90. Posteriormente, ganhou uma versão para o Mega Drive/Genesis, permitindo que os jogadores levassem boa parte da experiência dos arcades para casa.

Até hoje, é considerado um dos melhores beat ‘em ups clássicos da Capcom e uma das melhores adaptações da Marvel para os videogames.

The Punisher (2005) – PC, PlayStation 2 e Xbox

Após mais de uma década sem protagonizar um jogo, Frank Castle retornou no que é amplamente considerado sua melhor adaptação para os videogames.

Desenvolvido pela Volition e publicado pela THQ, The Punisher combinava ação em terceira pessoa com tiroteios intensos, combate corpo a corpo brutal, narrativa cinematográfica e um recurso que acabou se tornando sua marca registrada: o sistema de interrogatórios e execuções.

Os jogadores podiam intimidar criminosos utilizando elementos do cenário para arrancar informações antes de decidir o destino de cada um. A violência extrema tornou-se a principal característica do jogo e chegou a obrigar alterações em algumas regiões para atender às classificações indicativas.

Para aumentar a autenticidade, Thomas Jane, intérprete de Frank Castle no filme O Justiceiro (2004), voltou a dar voz ao personagem. O jogo também contava com participações de diversos heróis e vilões da Marvel, fazendo com que a aventura parecesse uma história em quadrinhos interativa, e não apenas um simples jogo baseado em um filme.

The Punisher: No Mercy (2009) – PlayStation 3

A última vez que o Justiceiro protagonizou um jogo foi em 2009, com The Punisher: No Mercy, lançado exclusivamente para o PlayStation 3.

Desenvolvido pela Zen Studios, o título abandonou a ação cinematográfica do jogo de 2005 em favor de um FPS focado no multiplayer online. Os jogadores podiam controlar diversos personagens do universo Marvel enquanto disputavam partidas em arenas inspiradas no universo do Justiceiro.

Embora a proposta fosse interessante, o jogo nunca conseguiu formar uma comunidade online sólida e ficou muito longe do sucesso alcançado por seu antecessor. Com a evolução das lojas digitais e o encerramento do suporte ao multiplayer, acabou caindo no esquecimento.

Um legado pequeno, mas marcante

O Justiceiro nunca recebeu a mesma quantidade de adaptações para os videogames que outros heróis da Marvel, mas cada um de seus jogos representa uma fase diferente da indústria.

Das experiências experimentais no MS-DOS aos beat ‘em ups dos fliperamas, passando pelos shooters brutais em terceira pessoa e pelas tentativas de conquistar o multiplayer online, Frank Castle sempre manteve sua personalidade violenta e implacável.

Já se passaram mais de dezessete anos desde The Punisher: No Mercy, e os fãs continuam esperando o retorno do vigilante mais brutal da Marvel aos videogames. Com a tecnologia atual e a popularidade dos jogos de ação voltados para o público adulto, talvez tenha chegado a hora de Frank Castle embarcar em uma nova missão.

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