A Crytek tinha planos muito mais ambiciosos para Ryse: Son of Rome do que apenas um único jogo, revela ex-desenvolvedores. O título lançado em 2013 para Xbox One serviria como ponto de partida para uma franquia histórica que levaria os jogadores a diferentes épocas e civilizações, em uma proposta semelhante ao que a Ubisoft faz com Assassin’s Creed.
As informações foram reveladas em uma reportagem da IGN, que entrevistou diversos ex-desenvolvedores envolvidos no projeto. Segundo eles, a ideia era que cada sequência explorasse um novo império, mantendo o foco em conflitos históricos e em uma narrativa conectada entre os jogos.
Entre os cenários cogitados estavam o Japão feudal, a era dos vikings e até o Império Otomano. O dev Patrick Hanenberger explicou que o objetivo era mostrar como grandes impérios surgiam, alcançavam seu auge e, eventualmente, entravam em declínio.
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“Parte das conversas girava em torno do que as pessoas gostavam em Ryse”, disse Yannick Boucher, um dos gerentes de projeto do jogo original. “Era o tema romano especificamente, ou a história em geral? Deveríamos permanecer em Roma ou explorar outro império?
“Fiquei super empolgado em fazer um jogo de vikings”, relembra Peter Gornstein, diretor de arte e diretor de cinemáticas de Ryse. “Teria sido ótimo explorar uma parte da história que muitas pessoas ainda não conheciam”, diz Gornstein.
“Alguns sentiram que tínhamos acabado de estabelecer as bases para essa propriedade intelectual e já estávamos nos desviando um pouco do caminho. Muitas pessoas estavam muito interessadas no Japão, o que não surpreende. Mas não é como ir de Roma para a Grécia. Teria sido uma mudança radical.”
A equipe também discutia mudanças importantes na estrutura da franquia. As sequências deixariam de lado a progressão excessivamente linear do primeiro jogo e ofereceriam mapas maiores e mais liberdade de exploração. Além disso, diversas mecânicas que acabaram sendo descartadas durante o desenvolvimento de Ryse: Son of Rome por falta de tempo finalmente seriam implementadas.
“Quando discutimos como corrigir algumas das fraquezas daquele jogo”, diz Boucher, “alterar os níveis foi uma das primeiras coisas que surgiu, já que a maioria deles era basicamente um corredor reto.”
Segundo os desenvolvedores, a Microsoft ficou bastante impressionada com a proposta apresentada pela Crytek. O plano da franquia teria sido descrito pela empresa como um dos projetos de propriedade intelectual mais bem estruturados que já haviam recebido.
“Eles nos disseram que era ‘a proposta de propriedade intelectual mais coesa e bem elaborada que já tinham visto'”, lembra Hanenberger. “Parecia que tudo estava indo muito bem.”
Apesar da recepção positiva, os planos nunca avançaram. O desempenho comercial e a recepção crítica de Ryse: Son of Rome ficaram abaixo das expectativas, e as negociações entre Microsoft e Crytek acabaram travando o futuro da franquia. A gigante de Redmond queria adquirir os direitos da propriedade intelectual para continuar investindo na franquia, enquanto a Crytek não tinha interesse em vender a marca.
“No último mês, trabalhei 30 dias seguidos”, lembra Boucher. “Então respiramos aliviados, apenas para sermos surpreendidos com uma nota 60 no Metacritic.”
Mesmo sem ganhar as sequências planejadas, Ryse: Son of Rome vendeu mais de um milhão de cópias e, ao longo dos anos, conquistou uma base fiel de fãs.
Fonte: IGN
