Diretor de Final Fantasy Resonance diz que retorno dos RPGs por turnos vem de criadores que cresceram com JRPGs

Para Hiroto Furuya, jogos como Clair Obscur são reflexo de uma nova geração de desenvolvedores inspirada por clássicos dos RPGs japoneses.

O diretor de Final Fantasy Resonance, Hiroto Furuya, afirma que o ressurgimento dos RPGs por turnos no mercado atual não é uma simples tendência de desenvolvimento é o resultado direto de uma geração de criadores que cresceu jogando JRPGs e agora coloca esse amor na prática. Para ele, títulos como Clair Obscur: Expedition 33 são a prova mais concreta disso.

A declaração foi dada em entrevista ao IGN, parte das rodadas de imprensa que se seguiram à revelação de Final Fantasy Resonance no Nintendo Direct da semana passada. O jogo chamou atenção justamente por resgatar uma estética com o estilo visual HD-2D — o mesmo aplicado em Octopath Traveler — aliada ao combate por turnos, um formato que parte dos grandes estúdios foi gradualmente abandonando sob o argumento de “modernização“.

Criadores que cresceram jogando agora estão fazendo jogos

Para Furuya, a explicação para o momento atual é direta. “Sinto que muitos de nós, criadores que crescemos jogando jogos por turnos, estamos agora criando jogos nós mesmos”, disse ele. “Parece que há um movimento geral de revisitar e potencialmente reavaliar ou retrabalhar algumas das experiências que tivemos pessoalmente quando éramos mais jovens.”

Ao citar Clair Obscur: Expedition 33 especificamente, o diretor foi categórico: “Acredito que eles são criadores que cresceram jogando JRPGs.” O título desenvolvido pela Sandfall Interactive acumulou premiações expressivas na temporada de Game of the Year, ao lado de Baldur’s Gate 3 — dois RPGs por turnos que dominaram as conversas do mercado triple-A nos últimos anos e provaram que não é preciso replicar a fórmula de ação em tempo real para alcançar um público amplo.

Um fenômeno que vai além dos games

Furuya faz questão de contextualizar que esse ciclo de revisitar o passado criativo não é exclusivo da indústria de jogos. Segundo ele, o mesmo fenômeno pode ser observado no anime, no mangá e em outras mídias. “Criadores estão revisitando projetos passados, refazendo-os e reimaginando-os”, afirmou. “Isso também é potencialmente um fator que contribui para o tipo de ressurgimento que estamos vendo agora.”

Vale lembrar que os RPGs por turnos nunca desapareceram de vez. A Atlus manteve a chama acesa durante anos com a série Persona, enquanto no segmento indie títulos como Deltarune e Sea of Stars também encontraram seu espaço. Dentro da própria Square Enix, o Team Asano — estúdio responsável por Octopath Traveler e pela popularização do visual HD-2D — nunca abriu mão do formato. Final Fantasy Resonance, inclusive, carrega essa mesma identidade visual e de combate.

O que a fala de Furuya reforça é o contexto em que Final Fantasy Resonance surge: não como um produto de nicho com apelo nostálgico, mas como parte de uma onda mais ampla em que o combate de turno voltou a ter peso no mainstream.

Final Fantasy Resonance será lançado em 22 de outubro para PC, PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series. 

 

Fonte: GamesRadar

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