Um novo relatório acende o sinal de alerta para o futuro da indústria do anime: segundo dados do Instituto de Pesquisa do Japão, a capacidade de produção do setor pode encolher até 10% antes de 2030 em comparação com os níveis registrados em 2019. Na prática, isso equivale a uma perda de aproximadamente 10.000 minutos de animação ou até 400 episódios de conteúdo por ano, considerando o padrão de episódios com mais de 20 minutos de duração.
Um ciclo de perda de talentos
Jun Sugawara, membro da organização sem fins lucrativos Animator Supporters, aponta causas bem definidas para esse declínio iminente: o envelhecimento dos animadores, a escassez de postos de trabalho e a incapacidade do setor de reter profissionais jovens. Para Sugawara, o problema começa já na base: os salários dos animadores novatos são baixos, e não há estrutura industrial suficiente para que os veteranos consigam treinar adequadamente quem está chegando. O resultado é um ciclo vicioso em que a indústria vai perdendo, progressivamente, seus trabalhadores mais experientes e capacitados, sem formar novos com a mesma solidez.
Saturação e queda de qualidade percebida
O problema estrutural dos animadores se soma a outro sintoma já visível para qualquer espectador: a saturação de projetos. A própria Kadokawa reconheceu recentemente que os animes do gênero isekai já não rendem como antes, algo compreensível quando dezenas de títulos do mesmo modelo são lançados em um único ano, tornando impossível que todos conquistem atenção em igual medida. Para se ter uma dimensão concreta do volume: apenas no trimestre de temporada atual, cerca de 60 animes estrearam simultaneamente.
O ritmo de produção simplesmente ultrapassou a capacidade de consumo do público.
O padrão que o mercado impôs
Ao mesmo tempo em que a produção se expande em quantidade, a régua de qualidade subiu de forma considerável. Obras como Kimetsu no Yaiba, Jujutsu Kaisen e Frieren passaram a definir o que o público espera de um anime trimestral. É um paradoxo: o mercado produz mais do que nunca, mas o espectador passou a tolerar cada vez menos produções medianas.
O estudo do Instituto de Pesquisa do Japão ainda não representa uma certeza absoluta sobre o que acontecerá até o final da década, mas os dados apontam para um cenário muito plausível. Os próximos cinco anos podem redesenhar de maneira significativa como e quanto anime chega ao público, e a saúde de longo prazo do setor depende diretamente de como a indústria vai lidar com a formação e retenção de seus trabalhadores.
Fonte: Areajugones