James Cameron critica fusão entre Netflix e Warner e alerta para “impacto desastroso” no cinema

Diretor envia carta a senador dos EUA e afirma que aquisição pode enfraquecer o modelo de cinema.

James Cameron enviou recentemente uma carta ao senador Mike Lee criticando uma possível fusão entre a Netflix e a Warner Bros., alertando para as potenciais consequências desastrosas para a indústria cinematográfica. Conforme revelado, se a Netflix avançar na aquisição dos negócios de estúdio e streaming da Warner Bros., isso poderá resultar em enormes perdas de empregos, transformação do cenário teatral e prejudicar a exportação de filmes.

“Eu acredito fortemente que a venda proposta da Warner Brothers Discovery para a Netflix será desastrosa para o negócio cinematográfico teatral ao qual dediquei o trabalho da minha vida”, escreveu Cameron ao senador. “É claro que meus filmes também estão presentes nos mercados posteriores de vídeo sob demanda, mas meu primeiro amor é o cinema.”

Cameron tem sido vocal em sua oposição à fusão, ecoando preocupações amplamente compartilhadas pela indústria cinematográfica, que historicamente associa consolidações de grandes estúdios à redução no número de lançamentos e oportunidades de trabalho. Ao levar suas críticas diretamente aos legisladores, o diretor eleva o debate para o campo regulatório, onde a operação ainda poderá enfrentar obstáculos.

Entre os principais temores apontados por Cameron está a possível redução na produção de filmes de grande orçamento voltados para exibição nos cinemas. Segundo ele, isso poderia levar ao fechamento de salas, diminuição do número de lançamentos e uma “espiral de perdas de empregos”. O diretor também destaca que o modelo de negócios da Netflix — focado prioritariamente no streaming — é estruturalmente diferente do modelo tradicional de estúdios voltados ao circuito teatral.

A Netflix, por sua vez, defende que a aquisição fortaleceria — e não enfraqueceria — o setor. Em seu depoimento, a empresa destacou seus investimentos na indústria audiovisual, incluindo um planejamento de US$ 20 bilhões em produções de cinema e TV para 2026, sendo a maior parte desse montante destinada aos Estados Unidos. A companhia afirmou ainda que, com a fusão, pretende ampliar os investimentos em produção, sustentada por uma estrutura financeira mais robusta.

Fonte: CNBC

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