The Onania Club, novo longa do diretor holandês Tom Six, completa sete anos sem conseguir uma editora sequer. Para o cineasta conhecido por A Centopeia Humana, a culpa é do que ele chama de agenda woke que tomou conta da indústria e ele diz que esse processo contribuiu para o desenvolvimento da esclerose múltipla que o acompanha hoje.
Six, que tem 53 anos, encerrou a produção do filme em 2019. Desde então, nenhuma distribuidora topou lançá-lo. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, ele foi direto ao ponto sobre o motivo: “A distribuição de filmes hoje virou: o filme passa a mensagem certa? Vai assustar alguém? Manda o sinal errado? Nossa empresa vai ficar mal se lançar?”
O diretor descreveu um setor paralisado pelo medo das críticas online. “Eles têm medo da reação, das hashtags e das forcas digitais”, afirmou. E foi além, sem papas na língua: “Woke é o maior inimigo da arte. [A situação de The Onania Club] é o mesmo motivo pelo qual o cinema corajoso está morrendo.” Enquanto a indústria costuma dizer que o “mercado mudou”, Six considera isso como um eufemismo corporativo para covardia disfarçada de consciência, classificando o culpado como “a droga da agenda”,
O longa, filmado em preto e branco, acompanha Hanna (interpretada por Jessica Morris), uma mãe casada que descobre só conseguir se excitar com o sofrimento alheio. Essa descoberta a leva ao Onania Club, um grupo de mulheres ricas de Los Angeles que se reúnem para assistir a imagens de tragédias reais, incluindo os ataques de 11 de setembro, para gratificação sexual. O filme foi descrito pelo próprio Six como uma sátira afiada, e as poucas pessoas que chegaram a assisti-lo parece m concordar.
Em 2020, o longa foi exibido de forma restrita online. Cinco críticas foram registradas no Rotten Tomatoes, todas positivas. Entre os privilegiados que tiveram acesso estava o cineasta cult John Waters, que chegou a colocar The Onania Club em sua lista dos melhores filmes do ano, escrevendo:
“O diretor de A Centopeia Humana se supera com uma história de mulheres ricas de Los Angeles que se reúnem para se masturbar enquanto assistem a imagens de noticiários sobre as misérias do mundo. Muitas vezes equivocado, mas às vezes engraçado para caramba, o filme foi rejeitado por distribuidoras ao redor do mundo. Só posso dizer que o filme entrega. Você provavelmente nunca vai conseguir assisti-lo. Talvez seja uma coisa boa…”
Não é novidade que a obra de Tom Six opera fora dos parâmetros convencionais da indústria. Quando A Centopeia Humana estreou em 2009 e se tornou um fenômeno da cultura pop, certos críticos se recusaram a dar uma nota ao longa, afirmando que o sistema de notas era inadequado para aquele filme. O novo filme de Six foi ainda mais longe, não ficando apenas sem notas, mas também sem lançamento.
Six revelou que a pressão acumulada dos últimos sete anos contribuiu para o desenvolvimento de sua esclerose múltipla. Ainda assim, ele documentou toda essa jornada em um filme autoral, The End of Tom Six, e diz já ter feito as pazes com a possibilidade de que The Onania Club não seja lançado enquanto ele viver. “Cem por cento. Sempre disse isso. Muito depois de eu estar morto, vão celebrar The Onania Club pela sátira poderosa e precisa que é, e pela minha coragem de criá-lo”, afirmou.
Fonte: World of Reel
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