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Studio Ghibli critica imagens feitas por IA e diz que Miyazaki é “impossível” de copiar

O Studio Ghibli finalmente comentou uma das maiores tendências envolvendo inteligência artificial dos últimos anos. Toshio Suzuki, produtor e cofundador do estúdio, afirmou que as imagens geradas por IA tentando reproduzir a estética das animações de Hayao Miyazaki não possuem o mesmo valor do trabalho original e explicou por que a empresa decidiu permanecer em silêncio quando o fenômeno explodiu nas redes sociais.

As declarações foram dadas em uma entrevista exclusiva ao jornal japonês Asahi Shimbun (via CNA), publicada em 6 de setembro. Segundo Suzuki, o estúdio recebeu uma enorme quantidade de pedidos de entrevistas quando as imagens começaram a viralizar, mas ele deliberadamente recusou todos. O motivo era simples: acreditava que a novidade seria passageira. “Achei que todos logo se cansariam disso. E foi exatamente o que aconteceu”, afirmou Suzuki.

Para Suzuki, copiar a aparência não significa reproduzir o trabalho do Ghibli

A crítica do produtor, porém, vai além do fato de a tendência ter perdido força. Suzuki reconhece que a inteligência artificial consegue produzir determinados tipos de animação com relativa facilidade, mas argumenta que pessoas familiarizadas com animação conseguem identificar rapidamente as limitações desse material.

Na entrevista, ele classificou esses resultados como pouco interessantes e afirmou que a expressão artística de Miyazaki não pode ser reproduzida nem por IA nem simplesmente por técnicas de computação gráfica.

Um dos argumentos utilizados por Suzuki está justamente na maneira como essas tecnologias trabalham. Sistemas generativos processam grandes quantidades de informação e procuram padrões capazes de produzir uma resposta considerada adequada. Miyazaki, segundo o produtor, adotou praticamente o caminho contrário enquanto criava O Menino e a Garça.

Suzuki contou que o diretor passou a se afastar deliberadamente de fontes externas de informação durante o trabalho no filme. Relatos derivados da entrevista indicam que isso incluía deixar de acompanhar jornais e televisão e reduzir até mesmo o uso de dispositivos e contatos sociais, permitindo que a criação partisse principalmente de suas próprias experiências e ideias.

É nesse contexto que surgiu uma das declarações mais curiosas da entrevista: de acordo com Suzuki, Miyazaki sequer sabe exatamente o que é IA generativa.

A febre das imagens do Studio Ghibli começou em 2025

A declaração chega mais de um ano depois da enorme onda de imagens inspiradas no Ghibli que tomou as redes sociais em março de 2025. O fenômeno ganhou força após a chegada de uma nova ferramenta de geração de imagens ao ChatGPT, que permitia transformar fotografias, memes e outras cenas em ilustrações visualmente semelhantes às produções do estúdio japonês.

A tendência chegou a proporções tão grandes que até Sam Altman, CEO da OpenAI, mudou temporariamente sua foto de perfil para uma imagem inspirada no visual do Ghibli. Na época, a própria empresa explicou que bloqueava pedidos para copiar diretamente o estilo de artistas vivos, mas permitia pedidos associados a estilos mais amplos de estúdios.

O fenômeno rapidamente trouxe também uma discussão sobre direitos autorais. Especialistas ouvidos pela Associated Press destacaram que um “estilo” artístico, isoladamente, não costuma ser protegido por direitos autorais, mas elementos concretos e reconhecíveis de obras específicas podem tornar a questão juridicamente mais complicada.

Naquele momento, o Studio Ghibli recusou comentar publicamente a tendência, silêncio que, agora sabemos, foi intencional.

Miyazaki já havia criticado IA antes, mas em um contexto diferente

A polêmica também fez ressurgir uma famosa declaração de Hayao Miyazaki contra inteligência artificial. Em imagens de um documentário gravado em 2016, o diretor assistiu a uma demonstração experimental na qual IA era usada para criar movimentos grotescos de uma criatura. Visivelmente incomodado, Miyazaki classificou aquilo como um “insulto à própria vida” e afirmou que não desejava incorporar a tecnologia ao seu trabalho.

Existe, porém, uma diferença importante: Miyazaki não estava falando das imagens “ao estilo Ghibli” que viralizaram quase uma década depois, nem das atuais ferramentas de geração de imagens. Sua reação ocorreu diante de um experimento específico de animação por IA apresentado em 2016. A declaração acabou sendo reutilizada nas redes sociais em 2025 como símbolo da provável oposição do diretor ao fenômeno.

As novas falas de Suzuki são, portanto, a manifestação mais direta de uma das principais figuras do Studio Ghibli sobre essa onda específica de conteúdo. Para ele, a ascensão da inteligência artificial não diminui o valor do trabalho de Miyazaki, pelo contrário, ajuda a deixar mais evidente a diferença entre reproduzir características visuais e reproduzir o processo criativo que originou essas características.

Fonte: Somoskudasai

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coca

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