Niu Lai, um filme chinês produzida por uma dupla mãe e filho com um orçamento de aproximadamente US$ 1.000, tornou-se um dos casos mais improváveis da indústria cinematográfica nos últimos tempos: um filme que foi retirado de salas de cinema por redes que temiam danos à própria reputação, mas que mesmo assim acumulou mais de US$ 4 milhões de bilheteria na China.
Dirigido por Xin Yumeng e Sun Lifang, o longa conta a história onírica de um bezerro chamado Niu Lai que desenvolve uma amizade com um leopardo de nome Bao La. Com uma animação que rapidamente ganhou o rótulo de “pior do que inteligência artificial” e uma narrativa que deixou espectadores sem palavras, o filme teve uma estreia catastrófica, cerca de 200 pessoas o assistiram nas primeiras sessões, gerando apenas US$ 1.000 de receita inicial. Números que, em circunstâncias normais, seriam o fim da linha.
O que salvou (e ao mesmo tempo condenou) Niu Lai foi a internet. Postagens nas redes sociais sobre a baixa qualidade da animação e da narrativa fizeram o filme viralizar de maneira acelerada. O boca a boca digital transformou o que seria um fracasso silencioso em um evento cultural. A comparação com The Room, o cult clássico do diretor Tommy Wiseau que ficou famoso justamente por sua inaptidão técnica, é inevitável e foi feita pela própria cobertura internacional do fenômeno.
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A Chinese animated movie has gone viral after making just $1,000 at the box office, with only around 200 people seeing it
Viewers branded its animation “worse than AI” pic.twitter.com/508Qv50g0d
— Dexerto (@Dexerto) August 15, 2026
Para se ter a dimensão do retorno sobre o investimento, basta comparar com outro filme de baixo orçamento: Obsession, que custou US$ 1 milhão para ser produzido, precisaria ter arrecadado US$ 4 bilhões nas bilheterias para alcançar a mesma proporção de retorno que Niu Lai obteve em relação ao seu custo de produção. O filme da dupla Tianjin Yamazaki Film devolveu mais de 4.000 vezes o valor investido.
Nem tudo foi celebração. De acordo com o veículo Hong Kong 01, cinemas de algumas regiões retiraram Niu Lai de cartaz alegando que manter o filme em exibição poderia “danificar” a reputação das salas. A decisão, no entanto, não foi suficiente para frear o impulso de curiosidade do público.
A diretora Xin Yumeng se pronunciou sobre a repercussão e demonstrou equilíbrio diante das críticas. “Houve elogios e críticas, e levamos todo o feedback a sério. Entendemos que ainda há muitas áreas de melhoria na obra, e respeitamos as opiniões de cada espectador”, disse ela em comunicado, agradecendo também pela “experiência criativa completa” que o projeto proporcionou.
Niu Lai se junta a outros azarões cinematográficos de 2026 (como Obsession e Backrooms) num ano que, por razões distintas, está sendo marcado por produções que desafiaram todas as expectativas do mercado tradicional.
Fonte: GamesRadar