Durou apenas um dia: Google remove IA do Earth após onda de “desastres falsos”

Entre as imagens produzidas estavam uma Torre Eiffel destruída, uma cratera engolindo as Pirâmides de Gizé, incêndios no Irã e inundações em Washington

O Google suspendeu uma nova ferramenta de inteligência artificial do Google Earth depois que usuários começaram a produzir imagens falsas de desastres naturais, conflitos e destruição em locais reais. O recurso havia sido lançado em 30 de julho, mas foi retirado do ar no dia seguinte.

A novidade permitia utilizar comandos de texto para modificar os registros aéreos, de satélite e em 3D disponíveis no Google Earth. Com a tecnologia, era possível selecionar uma localização e pedir que a IA acrescentasse construções, mudanças na paisagem ou diferentes acontecimentos sobre a imagem original.

O recurso utilizava o modelo de geração de imagens Nano Banana 2 e foi apresentado como uma ferramenta voltada para aplicações profissionais, educacionais e criativas. Entre os exemplos citados estavam a produção de materiais para o mercado imobiliário e a reconstrução visual de lugares históricos.

Ferramenta permitiu criar cenas falsas em locais reais

Pouco depois do lançamento, pesquisadores e jornalistas começaram a testar os limites da tecnologia. Entre as imagens produzidas estavam uma Torre Eiffel destruída, uma cratera engolindo as Pirâmides de Gizé, incêndios no Irã e inundações em Washington.

Outros testes mostraram que a ferramenta também poderia ser utilizada para simular instalações nucleares, campos de refugiados, ataques militares e danos provocados por explosões. O principal temor era que essas imagens fossem compartilhadas fora do Google Earth como se fossem registros verdadeiros.

O problema ganhou ainda mais atenção porque imagens de satélite costumam ser utilizadas por jornalistas, pesquisadores e especialistas em inteligência de fontes abertas para confirmar acontecimentos em regiões de difícil acesso. A possibilidade de criar registros falsos diretamente sobre mapas reais poderia dificultar esse tipo de verificação.

Diante da repercussão, o Google afirmou que encontrou profissionais da área geoespacial utilizando a novidade de maneira legítima, mas também identificou capturas de tela que aparentemente violavam suas políticas. A empresa decidiu então retirar temporariamente a função enquanto trabalha na implementação de mecanismos de proteção mais rigorosos.

O Google ressaltou que as imagens criadas pela inteligência artificial não substituíam nem alteravam os registros apresentados na experiência principal do Google Earth. Os resultados também recebiam marcas indicando que haviam sido produzidos por IA.

Apesar dessas medidas, especialistas alertaram que as capturas poderiam ser removidas do contexto original e compartilhadas em redes sociais, aplicativos de mensagens ou outros sites. Até o momento, o Google não informou quando pretende disponibilizar novamente a ferramenta.

Fonte: Dexerto

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