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Ex-chefe da PlayStation diz que sente falta dos jogos loucos: “Onde está o novo Katamari Damacy?”

Shawn Layden, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment, voltou a falar sobre um tema que claramente o incomoda: a falta de variedade nos jogos atuais. Em entrevista ao canal PSI no YouTube, ele apontou o custo crescente de desenvolvimento como o principal responsável por levar a tolerância ao risco da indústria a praticamente zero e sente falta dos tempos em que o PlayStation 1 abrigava títulos completamente fora do convencional.

Layden não poupou palavras ao descrever o cenário que encontrou em um evento de premiação recente. “Fui a um game awards show há alguns anos e fiquei um pouco desapontado ao ver que todos os jogos apresentados eram ou apocalipse zumbi, algum tipo de soldados espaciais, ou caras na Europa medieval com espadas enormes”, ele conta. “Havia tantos jogos que pareciam com o jogo ao lado, que também pareciam com o jogo ao lado.” Para ele, essa homogeneização tem um culpado claro: o dinheiro, ou melhor, a falta de coragem para gastá-lo de forma ousada.

Do PS1 para hoje: o que o dinheiro mudou

No tempo do PS1, segundo Layden, um jogo custava entre $5 e $7 milhões de dólares para ser produzido. Nesse cenário, era possível apostar em dez projetos diferentes, errar em alguns e ainda aprender com o processo. “Tínhamos tantos jogos malucos no PS1 porque o custo do risco era administrável. Você podia literalmente jogar fora $6 ou $7 milhões em um projeto que não funcionou e dizer: ‘bom, pelo menos aprendemos algo'”, ele explica. Hoje, com reportagens apontando que novos títulos AAA podem custar mais de $300 milhões para serem produzidos, esse raciocínio simplesmente não se aplica mais.

O resultado prático disso, na visão do ex-executivo, é uma indústria que se abastece de fórmulas seguras. “Temos: ‘esse é um looter shooter, esse é um hero shooter, esse é um extraction shooter. Shooter, shooter, shooter. Temos montanhas disso. Mas onde está o próximo Katamari Damacy?”

Layden demonstra preocupação genuína com títulos que fogem completamente do padrão, como PaRappa the Rapper. “Estou preocupado que, no mundo de hoje, jogos peculiares como PaRappa the Rapper não sejam mais feitos”, afirma. E as consequências não ficam só no campo criativo: para ele, a indústria está perdendo “a oportunidade de atrair novos usuários” ao se recusar a diversificar o catálogo oferecido aos jogadores.

Ninguém vai financiar “balé de unicórnio no espaço”

Segundo o executivo, tentar conseguir financiamento para algo original hoje em dia significa ser bombardeado com perguntas como “é uma sequência? É uma IP estabelecida?“. Desenvolvedores se veem obrigados a vender suas ideias embaladas em descrições do tipo “é como Fortnite encontra Call of Duty em Zombieland”. Qualquer coisa fora desse molde não encontra espaço. “Ninguém quer arriscar em balé de unicórnio no espaço. Ninguém vai te dar dinheiro para fazer esse jogo, mesmo que ele seja realmente super empolgante”, diz Layden.

A conclusão do ex-chefe da PlayStation é direta: “O alto custo está levando a tolerância ao risco a zero. Acho que enquanto julgarmos jogos exclusivamente por projeções de receita, a tolerância ao risco vai a zero.”

Fonte: GamesRadar

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Publicado por:
Vinicius Silva Dias
Tags: PlayStation

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