Os dados da PS Store estão colocando uma realidade incômoda na mesa para quem defende o formato físico: as edições digitais mais caras são exatamente as que mais vendem. A seção de pré-venda da plataforma da Sony no Brasil revela que os títulos que lideram as reservas não são apenas os jogos mais aguardados, mas, acima de tudo, as versões premium, e puramente digitais, desses lançamentos.
As primeiras posições do ranking de mais vendidos da PS Store são ocupadas por Grand Theft Auto VI: Ultimate Edition, Edição Ultimate Plus do EA SPORTS FC 27, Call of Duty: Modern Warfare® 4 – Edição Cofre, Edição Digital Deluxe de Marvel’s Wolverine, com uma participação de Halo no meio do caminho. Mas o problema não está nos jogos em si, e sim nas edições que chegam ao topo da lista.
A edição mais reservada de EA Sports FC 27 é a Ultimate Plus, com o preço de R$ 749,50. Não se trata de uma edição colecionável com estátuas ou itens físicos: é um produto 100% digital cujo apelo está na quantidade massiva de moeda virtual do próprio jogo incluída no pacote. Com GTA VI, a lógica se repete: a edição mais vendida não é a versão padrão por R$ 449,90, mas a Ultimate, por R$ 549,90.
Veja:

O modelo que as grandes empresas perseguem
Esses números não são coincidência, e o contexto da geração atual do PlayStation ajuda a entender o movimento. A aposta pesada em jogos multiplayer e títulos como serviço tem uma razão econômica clara: franquias como EA Sports FC e NBA 2K operam em ciclos anuais de receita que vão muito além do preço de capa. São máquinas de microtransações que geram fluxo de caixa constante para as publishers.
O mercado digital oferece às companhias um controle significativamente maior sobre o produto: não existe revenda de segunda mão, os custos logísticos praticamente desaparecem e toda a relação comercial fica dentro da própria plataforma. É o modelo de negócio ideal para quem quer monetizar um jogo muito além da compra inicial.
O perfil do jogador que defende o formato físico tende a ser o oposto do que o topo desse ranking representa. Quem compra disco, em geral, valoriza obras que podem ser revisitadas no futuro, vendidas ou trocadas. As franquias esportivas anuais, por natureza, perdem valor comercial e relevância rapidamente com a chegada de cada nova edição, o que cria um conflito de interesses que vai muito além do debate sobre mídia física ou digital.
O ranking da PS Store não encerra a discussão em favor do digital, mas deixa evidente a dimensão do desafio. Enquanto as edições digitais mais caras continuarem dominando as reservas, a Sony terá poucos incentivos econômicos para mudar de direção. Quem quer preservar o disco não pode se limitar a pressionar nas redes sociais: precisa que essa posição se reflita também nas decisões de compra.
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Fonte: Areajugones