O relatório anual de negócios da Sony para o PlayStation removeu qualquer menção ao compromisso de lançar jogos first-party em PC e adicionou, em seu lugar, um capítulo inteiro sobre inteligência artificial. A omissão representa a primeira confirmação pública da empresa de que seus grandes títulos exclusivos não chegarão mais ao computador.
Na edição de 2025 do mesmo documento, havia uma linha explícita declarando que a Sony iria “continuar seus esforços para distribuir seus títulos first-party em múltiplas plataformas, como o PC”. A frase simplesmente desapareceu da versão deste ano. Não é uma mudança sutil: é a Sony retirando formalmente de um documento oficial e regulatório a promessa que sustentou sua estratégia multiplataforma dos últimos anos.
A virada não é uma surpresa completa para quem acompanha o mercado de perto. Em maio, o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, reportou que o executivo do PlayStation Hermen Hulst havia confirmado internamente que os jogos narrativos single-player da companhia seriam dali em diante exclusivos aos consoles da marca.
Antes disso, a mesma Bloomberg já havia noticiado que a Sony estava considerando abandonar a estratégia de PC, citando dois motivos principais: o desempenho fraco das versões para computador e a crença interna de que expandir para o PC “arrisca danificar a marca do console e prejudicar as vendas do PlayStation 5 e seus sucessores.”
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O lançamento de Uncharted: Legacy of Thieves Collection no PC, em 2022, atingiu um pico de apenas 10.851 jogadores simultâneos no Steam, um desempenho bastante modesto para uma das franquias mais conhecidas da Sony. Do outro lado do argumento, o ex-executivo da PlayStation Shuhei Yoshida chegou a declarar publicamente que a estratégia de levar exclusivos ao PC era “quase como imprimir dinheiro” e tinha muitas vantagens. A empresa, no entanto, optou por um caminho diferente.
Na prática, isso significa que jogos como Intergalactic: The Heretic Prophet, da Naughty Dog, e o novo God of War Laufey, da Sony Santa Monica, só poderão ser jogados no PS5. O espaço deixado pelos planos de PC no relatório foi preenchido por inteligência artificial.
Segundo o documento, a Sony pretende usar IA para “liberar a criatividade dos estúdios e aprimorar ainda mais a experiência PlayStation”, com o objetivo de “melhorar a produtividade por meio do uso de ferramentas alimentadas por IA” dentro de seus estúdios internos. A ideia é que os desenvolvedores possam “reinvestir seu tempo na construção de mundos e experiências de gameplay mais ricos.”
A IA também deve chegar à PlayStation Store, onde será usada para “rotear transações de forma mais eficiente” e “personalizar e recomendar” conteúdo para cada usuário individualmente. O relatório ainda afirma que a Sony “pretende avançar a fidelidade visual e entregar experiências de gameplay de maior qualidade por meio de investimentos contínuos em IA e aprendizado de máquina.”
A mudança de postura da Sony acontece em um momento interessante: a Valve está se preparando para lançar o Steam Machine, seu novo console voltado para a televisão, com previsão de chegada neste ano.
Fonte: Eurogamer
