O PlayStation Studios está intensificando o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos, mas a Sony foi categórica ao reafirmar que a tecnologia serve para potencializar, e não substituir, os criadores humanos. As informações vieram à tona durante a Corporate Strategy Earnings Presentation, apresentada pelo CEO da Sony, Hiroki Totoki, e pelo presidente e CEO do PlayStation, Hideaki Nishino, poucos dias após a divulgação do relatório financeiro trimestral da empresa.
Totoki foi direto ao ponto ao definir a filosofia da companhia: “A IA é uma ferramenta poderosa, mas não é um substituto para artistas ou criadores. É um amplificador da imaginação humana e um catalisador para novas possibilidades”. Nishino complementou na mesma linha: “A visão, o design e o impacto emocional dos nossos jogos sempre virão do talento dos nossos estúdios e performers. A IA existe para ampliar suas capacidades, não para substituí-las”.
Nishino detalhou três iniciativas concretas que já estão operando dentro dos estúdios first-party da Sony. A primeira é o Mockingbird, uma ferramenta interna que anima modelos faciais 3D com base em dados de performance capture. Segundo o executivo: “Com o Mockingbird, um trabalho de animação que levaria horas pode ser concluído em uma fração de segundo”. A ferramenta já foi adotada pela Naughty Dog e pelo San Diego Studio, e teve papel direto na produção de Horizon Zero Dawn Remastered.
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A segunda é uma ferramenta de animação de cabelo baseada em IA, que processa vídeos de penteados reais e gera automaticamente modelos 3D com centenas de fios individuais. Essa tecnologia também foi aplicada em Horizon Zero Dawn Remastered. A terceira é o Gran Turismo Sophy, um agente de corrida baseado em deep reinforcement learning já presente em Gran Turismo 7, descrito por Nishino como algo que “adicionou um nível de gameplay competitivo até mesmo para nossos pilotos mais experientes”.
Além das ferramentas já em operação, Nishino mencionou que as equipes criativas da Sony desenvolveram “protótipos incríveis” nos quais NPCs com personalidades próprias são capazes de criar um mundo vivo e dinâmico para o jogador explorar. Trata-se de uma das aplicações mais significativas que a IA pode ter na indústria, abrindo espaço para experiências de gameplay que vão muito além dos NPCs estáticos aos quais os jogadores estão acostumados.
O executivo também apontou que a IA está reduzindo as barreiras para a criação, acelerando os ciclos de desenvolvimento e permitindo que mais criadores entrem no mercado de games. Como consequência, a Sony espera um aumento expressivo no volume e na diversidade de conteúdo disponível para os jogadores.
Para se diferenciar nesse cenário mais competitivo, a empresa aposta nas suas próprias franquias consagradas como principal vantagem, partindo da premissa de que, mesmo com mais opções disponíveis, os jogadores continuarão gravitando em torno de marcas em que confiam.
Fonte: Wccftech