Steam Machine pode surpreender com 8GB de VRAM graças a engenheira da Valve

O Steam Machine chegará ao mercado com 8GB de VRAM, e essa especificação tem gerado uma certa apreensão na comunidade

O Steam Machine chegará ao mercado com 8GB de VRAM, e essa especificação tem gerado uma certa apreensão na comunidade. Mas um trabalho técnico conduzido por uma engenheira da Valve pode colocar essa preocupação em perspectiva, e mostrar que, na prática, os 8GB podem render muito mais do que o número sugere no papel.

Natalie Vock, desenvolvedora de 21 anos que atua como contratada independente na equipe de drivers Linux gráficos da Valve e também é estudante de ciência da computação, publicou em seu blog pessoal uma proposta de gerenciamento de memória para o kernel Linux. Ela desenvolveu dois patches de kernel acompanhados de utilitários auxiliares criados especificamente para combater um problema crônico de gerenciamento de VRAM no sistema operacional.

No Linux, quando a VRAM atinge o limite, o sistema recorre a um processo chamado de eviction (ou despejo), que consiste em jogar dados fora da memória da GPU para evitar travamentos. No blog, Vock descreve a situação com uma certa ironia.

“O caos se instala dentro do driver do kernel enquanto cada aplicativo luta por quanta memória da GPU consegue alocar”, antes de declarar, em tom de brincadeira: “Isto é, até agora. Porque eu consertei.”

O problema central é que, ao rodar um jogo pesado como Cyberpunk 2077, esse despejo de dados gera quedas expressivas de desempenho. A solução proposta por ela é chamada de dmemcg-booster, e faz uso de cgroups, ou seja, Device Memory Control Groups, uma funcionalidade que instrui o Linux a proteger processos específicos do despejo de VRAM.

Sem as otimizações, Cyberpunk 2077 estava utilizando efetivamente apenas 6GB de VRAM, mesmo com 8GB disponíveis. Isso acontecia porque 1,37GB eram despejados para uma reserva de memória do sistema chamada GTT , que opera com largura de banda máxima de 16GB/s, muito inferior aos 256GB/s da VRAM convencional. Depois da aplicação dos patches e do dmemcg-booster, o jogo passou a ter acesso a 7,4GB de memória GPU.

Em termos práticos, o que a solução faz é simples: garante que os processos relacionados a games tenham prioridade no uso da VRAM, algo que, em tese, deveria ser o comportamento padrão em qualquer PC voltado para jogos. Em GPUs de alta capacidade, como a AMD Radeon RX 9070, esse gargalo raramente aparece. Mas em hardware com especificações mais modestas, exatamente o caso do Steam Machine, que deverá contar com uma GPU dedicada semi-customizada baseada em RDNA 3, o impacto pode ser significativo, especialmente ao rodar jogos com texturas de alta resolução.

Uma dúvida natural seria se os patches também beneficiariam o Steam Deck OLED, mas a própria Natalie Vock admite que não sabe se as melhorias se aplicam a iGPUs ou APUs, o que exclui o handheld da Valve por enquanto, já que ele utiliza exatamente esse tipo de solução de hardware integrado.

Atualmente, os patches já estão sendo implementados na distribuição CachyOS, uma versão do Arch Linux otimizada para desempenho. A expectativa é que eles sejam incorporados ao kernel principal em breve.

O que ainda não está confirmado é se o SteamOS também receberá essas otimizações via seu próprio kernel customizado.

Fonte: GamesRadar

Gostou? Nos ajude compartilhando!
Postado por
Sou do tipo que adora assistir algo antes de dormir e perder horas em jogos duvidosos no fim de semana. Me segue lá no Twitter/X.
Siga em:
Assine nosso Newsletter
Assine nossa newsletter e receba nossa seleção de conteúdo sobre games e entretenimento diretamente em seu email.
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Gostou? Discordou? Comente! Sua opinião vale ouro e nos ajuda a melhorar cada vez mais!
Img de rastreio
Localize algo no site!