Death Stranding 2
Death Stranding 2 pode ser muita coisa, mas “fácil de digerir” não está entre elas, e isso, segundo Troy Baker, é exatamente o ponto. Em entrevista ao GamesRadar+, o ator, intérprete de Higgs no jogo, falou abertamente sobre a filosofia criativa de Hideo Kojima e por que o criador prefere impactar o jogador a simplesmente entreter os jogadores.
“Existe muita gente fazendo jogos, e não os culpo, que agora tentam impressionar o jogador o tempo todo e garantir que ele esteja se divertindo“, disse Baker. “Afinal, é entretenimento. Mas acho que há outras pessoas que pensam: ‘Eu prefiro muito mais que o jogador saia impactado do que entretido.’ E isso exige muita confiança. Exige muita fé. Exige grandes apostas, e apenas grandes apostas. E você arrisca muito, coloca muito em jogo quando adota esse tipo de filosofia para fazer algo, especialmente de um tamanho e uma magnitude como essa.”
Baker, que acumula dezenas de participações em jogos de alto perfil, descreveu o processo de trabalho com Kojima como uma via de mão dupla. “Foi ele confiando a mim aquele papel“, explicou o ator. “E foi eu confiando a ele: ‘Você sabe para onde essa história vai. Eu vou fazer minha parte e entregar nas suas mãos.'” Para Baker, o sucesso de Higgs como personagem se deve justamente ao modo como ele se encaixa na visão maior do jogo, uma visão que, segundo ele, só faz sentido quando se entende como Kojima trabalha.
“Hideo ainda faz jogos muito da mesma forma que fez Metal Gear, onde tudo é tão conceitualizado, tão grande, tão pensado, que acho que a única forma que ele conhece de apostar é apostando alto”, afirmou Baker. “E quando você faz isso com confiança, e se cerca de pessoas talentosas, não só no elenco, mas também na equipe, e executa isso… cara, é um milagre. Realmente é um milagre.”
A fala de Baker ecoa uma postura que o próprio Kojima já deixou clara publicamente. Anteriormente, muito se especulou sobre uma suposta decisão do diretor de tornar Death Stranding 2 ainda mais estranho após playtesters reagirem de forma positiva demais. Kojima depois esclareceu que sua intenção era criar um jogo que não fosse “digerível“, porque “algo que não é digerível permanece naquela pessoa por muito tempo.” O raciocínio é consistente: Kojima não busca encaixar seus jogos em nenhum molde.
Fonte: GamesRadar+
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