Os jogos sempre foram muito mais do que simples entretenimento, eles são janelas para visões especulativas, universos em que desenvolvedores imaginam como seria o amanhã. Alguns títulos, de forma assustadoramente precisa, anteviram elementos do nosso presente e até do nosso futuro próximo.
Essas previsões, que em muitos casos beiram o que hoje vivemos, da desinformação viral às preocupações com biotecnologia, da vigilância onipresente à degradação ambiental, mostram que os jogos podem ser mais que diversão: são espelhos críticos e alertas para rumos perigosos.
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Deus Ex (2000)
Deus Ex se passa em um futuro distópico onde conspirações governamentais e tecnologia avançada dominam. Um documento no jogo menciona um ataque terrorista em Nova York que destruiu as Torres Gêmeas. Além disso, o jogo aborda a vigilância em massa por governos e corporações.
Apenas um ano depois, em 11 de setembro de 2001, os atentados às Torres Gêmeas chocaram o mundo. Além disso, em 2013, as revelações de Edward Snowden sobre os programas de espionagem da NSA confirmaram a realidade da vigilância em massa.
Tom Clancy’s The Division
Tom Clancy’s The Division mostra uma Nova York devastada por uma pandemia, com colapso social, sobrecarga do sistema de saúde e disseminação de desinformação.
Em 2020, a pandemia de COVID-19 trouxe desafios semelhantes, incluindo a sobrecarga de hospitais e a propagação de notícias falsas.
Tom Clancy’s Ghost Recon
Lançado em 2001, este jogo de tiro apresenta um enredo onde a Rússia invade a Geórgia em 2008, como parte de um plano para recriar a União Soviética
Em 2008, a Rússia de fato invadiu a Geórgia, em um conflito que envolveu disputas territoriais e tensões geopolíticas.
Metal Gear Rising: Revengeance
Metal Gear Rising: Revengeance, lançado em 2013, traz como vilão o senador Steven Armstrong, um psicopata nacionalista que defende ideias extremas como “Make America Great Again”, muito antes de Trump popularizar esse slogan na política.
Armstrong tenta assassinar o presidente e critica a falta de coragem dos americanos para retomar o poder, numa trama exagerada. O jogo acabou antecipando, de forma curiosa, parte do discurso que ajudou Trump a chegar à presidência anos depois.
Metal Gear 2 (1990)
Em Metal Gear 2 (1990), Snake precisa resgatar o Dr. Kio Marv, que criou o OILIX, um combustível feito de algas geneticamente modificadas para resolver a crise mundial de petróleo. Kojima se inspirou em pesquisas reais sobre a microalga Botryococcus braunii, cujo potencial como biocombustível avançou ao longo dos anos.
Em 2012, empresas já vendiam combustível de algas, e em 2017 o mercado desse setor foi avaliado em US$ 4,7 bilhões, com expectativa de crescimento. Uma previsão surpreendentemente realista, mesmo em um universo cheio de mechas e nanomáquinas.
Elite: Dangerous
Em Elite: Dangerous, os desenvolvedores ficaram surpresos ao ver que o sistema Trappist-1, descoberto pela NASA, já existia quase idêntico no jogo, com sete planetas parecidos com a Terra, na mesma posição e distância.
Embora não tenha sido uma previsão de fato, isso mostrou a força do algoritmo e como jogos assim podem ajudar a explorar o desconhecido.
Death Stranding
Em Death Stranding, Hideo Kojima criou um mundo isolado, onde as pessoas vivem reclusas e dependem de entregadores para sobreviver, algo que acabou lembrando muito a realidade da pandemia de Covid-19 poucos meses depois.
Kojima disse que não quis prever o futuro, apenas sentiu que as pessoas estavam ficando cada vez mais isoladas. Surpreso pela coincidência, ele revelou que até reescreveu Death Stranding 2 para não repetir essa experiência de profecia involuntária.
Devil Summoner: Soul Hackers
Este spin-off de Shin Megami Tensei retrata a cidade futurista de Amani City, onde os cidadãos usam identificação digital para viver em um ambiente totalmente conectado.
O jogo apresenta o Paradigm X, mundo virtual controlado pela megacorporação Algon Soft, acessado apenas por sua moeda eletrônica, antecipando ideias como o Metaverso e as criptomoedas.
Faltou algum jogo que você acha que também adivinhou algo do futuro?