O portal VideoGamer teve a chance de entrevistar o designer-chefe de Skyrim e ex-designer de sistemas de Starfield, Bruce Nesmith, onde ele explicou porque a Bethesda não quer mudar de Engine.
De acordo com Bruce Nesmith, os antigos jogos da Bethesda, como The Elder Scrolls III: Morrowind, foram desenvolvidos na Engine sob o nome de Gamebryo. No entanto, em certo ponto, a Bethesda criou sua própria engine a partir da Gamebryo, e aqui nasceu o Creation Engine.
Leia Também:
- Unknown 9: Awakening ganha trailer cinematográfico em preparação para o lançamento
- Call of Duty: Black Ops 6, Modern Warfare III e Warzone chegarão em breve ao Xbox Cloud Gaming
Diversos jogos já foram feitos nela, enquanto Starfield foi desenvolvido no Creation Engine 2. Bruce Nesmith observa que a transição para Unreal Engine (por exemplo) levaria muitos anos para o estúdio.
“Gamebryo não é mais um negócio, já faz um tempo,” disse Nesmith. “Mas esse engine tem sido constantemente ajustado, atualizado e refinado para fazer exatamente os tipos de jogos que a Bethesda cria: The Elder Scrolls, os Fallouts, Starfield. Ele está perfeitamente ajustado para esse tipo de jogo.”
Recentemente, a 343 Industries ou mais conhecida agora como Halo Studios, anunciou oficialmente ter abandonado a Slipspace Engine e adotado o uso do Unreal Engine para seus projetos.
Caso a Bethesda faça a mesma coisa, além de levar vários anos, também haveria outros efeitos negativos, como atrasos no desenvolvimento, um longo processo de treinamento e, claro, um custo enorme.
“Eles devem migrar para o Unreal Engine? Você tem que fazer uma análise de custo-benefício”, disse Nesmith. “O custo de migrar para o Unreal seria todo o desenvolvimento inicial que você teria que fazer para tentar calçar o que você já está acostumado a fazer no Unreal.”
“Seria — vou apenas dizer um número que certamente não é o número real — um ou dois anos de trabalho técnico apenas para movê-lo para o engine como está. E então mais trabalho além disso para ajustar o engine, ajustar o jogo, trabalhar nele. Esse é o lado da penalidade. Esse é o lado do risco.”
Entretanto, Bruce Nesmith admite que há um certo grau de dívida técnica no Creation Engine da Bethesda, assim como na maioria dos motores gráficos. Mudar para o Unreal poderia resolver alguns desses problemas, mas, na maior parte, isso não faz muita diferença.
“O benefício é que você perde muita dívida tecnológica”, explicou Nesmith. “Há partes do Gamebryo que eu não ficaria surpreso em descobrir que a Bethesda não consegue mais compilar, porque o código-fonte original simplesmente não compila mais.”
“Você só precisa usar o material compilado como está. Mas discutir se você deve ou não usar este engine ou aquele engine, o engine está a serviço do jogo. O jogo é bom? Não me importa qual seja o engine. O jogo é bom! Vamos jogar o jogo.”
E na sua opinião, é melhor a Bethesda continuar usando o Creation Engine ou migrar?
