Ontem a tarde em seu relatório fiscal, a Ubisoft Entertainment anunciou que está disposta a avaliar opções de aquisição da empresa por outras empresas. A notícia foi bastante debatida e trouxe uma questão bastante histórica para a editora, que sempre pregou por sua independência e liberdade.
Conforme trazido por uma entrevista da Games Industry com Yves Guillemot, CEO da Ubisoft, o chefão da editora levantou a questão da consolidação na indústria atual, enfatizando que “os ativos (que incluem IPs, estúdios e tecnologias) da Ubisoft nunca foram tão fortes neste momento, que a procura e compra deles estão em alta”.
Quando perguntados se isso significava que agora seria um bom momento para a empresa se vender, Guillemot e o CFO da Ubisoft, Frédérick Duguet, adotaram um discurso sobre liberdade criativa e de escolha, bem como mencionaram estarem abertos a essa questão.
“Sempre tomamos nossas decisões no interesse de nossos stakeholders, que são nossos jogadores, funcionários e acionistas”, disse Guillemot.
“Para que a Ubisoft possa permanecer independente criativamente. Temos o talento, a escala industrial e financeira, e um grande portfólio de poderosos IP… Tendo dito isso, se houver alguma oferta para uma empresa nos comprar, o conselho de administração, é claro, a analisaria o interesse de todas as partes interessadas.”
Os executivos foram questionados por que a Ubisoft ainda não recebeu uma oferta para ser adquirida (como aconteceu com a Zynga, Activision Blizzard e Bungie), dado o valor de suas IPs. Duguet respondeu:
“Não vamos especular sobre por que essas pessoas ainda não fizeram nenhuma oferta”, antes que Guillemot interviesse para especificar “se alguma oferta foi feita”.
“Absolutamente”, disse Duguet.
“Então não posso comentar mais sobre isso. O que podemos dizer é que, como mencionamos, temos propriedades de alto valor. Temos escala para permanecer independentes e criar valor muito significativo no futuro porque temos escala em termos de força de trabalho, bem como engenharia, tecnologia, IPs e comunidades totalmente engajadas, mas caso encontremos o parceiro certo para nos levar adiante nessa jornada, estaremos abertos a conversar.”
Um ponto bastante pontuado pela editora é de que uma venda da Ubisoft não acontecerá caso a empresa veja a empresa interessada em adquiri-los ir contra suas políticas e infringir regras que rompem com sua liberdade e esforço criativo. Isso é uma espécie de resposta passiva-agressiva as falhadas tentativas da Electronic Arts (em 2005) e Vivendi (em 2016), que tentaram adquirir a Ubisoft por meio de aquisição-hostil.