Kent Hudson, diretor de game design, explica sobre mecânicas que afetam os recrutas e o contexto no qual o jogo foi criado
Publicado por Pholi, em .
Assim que foi anunciado lá na E3 2019, Watch Dogs: Legion surpreendeu a todos ao mostrar um jogo bem diferente dos antecessores, que prometia colocar o jogador no controle de dezenas de NPCs em vez de ter um protagonista fixo.

A ideia foi inspirada por movimentos de resistência do passado, em que o herói não é uma única pessoa, mas um grupo, como conta em entrevista ao NerdBunker o diretor de game design do título, Kent Hudson.

Colocar a ideia inusitada em prática deu trabalho dobrado aos desenvolvedores, diz Hudson:

''O jogo foi um desafio enorme para nós. Tivemos que nos comprometer totalmente com a ideia porque ela afeta tudo.

Afeta como funciona a progressão do jogador e em como uma cutscene é feita, já que não podemos usar os mesmos atores porque os personagens não podem ser idênticos, eles precisam de vozes, sotaques, movimentos e visuais diferentes. Tivemos que repensar praticamente tudo.''

Ao dar o controle de vários personagens para o jogador, Legion foca em oferecer total liberdade para ele seguir na história do jeito que quiser. É possível aderir a um combate mais direto, ou furtivo, não letal ou simplesmente nem mesmo sacar uma arma durante o jogo inteiro.

Escolher quais NPCs serão recrutados ou dispensados também é com você, mas lembre-se que toda ação gera uma consequência: os personagens vão lembrar das suas decisões, e matar muitos inimigos vai gerar mais inimizades na cidade, como o diretor de game design explica:

''Você vai montar seu próprio jogo. Você pode escolher sua equipe, o estilo de jogabilidade, quais ferramentas e armas usar. Ou, se preferir, simplesmente não usar nenhuma arma. Partir para a furtividade ou o combate mano-a-mano, depende inteiramente de você. Nós realmente tentamos criar um jogo que é focado na liberdade do jogador, então não queremos forçar você a nada nas missões.''

A morte permanente dos NPCs, no entanto, passou por algumas mudanças durante o desenvolvimento. Agora, os desenvolvedores optaram por deixá-la opcional, uma vez que entendem que nem todo jogador gosta da ideia. A escolha não afetará o desbloqueio de conquistas, troféus e nem impactar negativamente a história.

A política em Legion

Além de ser inspirado em movimentos de resistência, Watch Dogs: Legion também foi influenciado pelo Brexit, o plano de saída do Reino Unido da União Europeia, e seus impactos na Europa, conforme explica Hudson:

''Nós realmente abraçamos a ideia de que o jogo lida com questões políticas sérias. Quando começamos o projeto, o Brexit era o assunto do momento, então foi a principal inspiração. E não apenas o Brexit, mas todas as questões que o envolvem, como xenofobia, pressões do governo e sistemas de vigilância. Nosso jogo é sobre todas essas coisas, além de abordar futurismo, crime organizado, militarismo, impacto da tecnologia na sociedade, abuso e injustiça.''

A carga política estará presente até nas músicas escolhidas para tocar nas rádios dos carros do jogo, que foram selecionadas cuidadosamente para refletir seus temas, principalmente protesto, resistência e diversidade.

Kent Hudson garante que Watch Dogs: Legion surpreenderá os fãs, justamente pelo tamanho do seu escopo e suas mecânicas inusitadas. Além disso, Hudson conclui que o novo jogo é também uma experiência destinada para jogadores que não conheciam a franquia, que poderão aproveitar tudo que o game tem a oferecer sem terem jogado os títulos anteriores.

Watch Dogs: Legion estará disponível para PlayStation 4, Xbox One, PC, Google Stadia e na próxima geração de consoles, no dia 29 de outubro de 2020.
Pholi
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