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Deputada novaiorquina "frita" Zuckerberg em audição no Congresso dos EUA

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Desde que o caso de compartilhamento de dados do Facebook para a Cambridge Analytica veio à tona, no início do ano passada, a já desgastada imagem da companhia nos quesitos privacidade e segurança continuam abaladas. Agora, depois de anunciar que não vai barrar mentiras de políticos em anúncios na plataforma durante a corrida presidencial, a rede social inaugura uma aba dedicada a conteúdo jornalístico, dedicada ao combate à desinformação.

Esse comportamento um tanto quanto contraditório foi justamente o principal questionamento feito pela deputada democrata Alessandra Ocasio-Cortez, durante as visitas agendadas que Zuckerberg tem junto ao Congresso estadunidense. O CEO do Facebook segue explicando, a cada intervalo de tempo, o que a plataforma vem fazendo com as informações dos usuários.

A "fritada" de Alessandra começou quando ela citou a regulação da Libra, criptomoeda que o Facebook vem tentando emplacar no próximo ano.

"Para tomarmos decisões sobre a Libra, acho que precisamos nos aprofundar no seu comportamento passado e no comportamento passado do Facebook com relação à nossa democracia", disse Alessandra, antes de perguntar a Zuckerberg quando soube pela primeira vez das operações da Cambridge Analytica.


Zuckerberg e outros executivos do Facebook se recusaram a divulgar quando descobriram que a empresa estava colhendo e vendendo dados de usuários para influenciar as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Uma correspondência interna descoberta este ano revelou que os executivos sabiam o que estava acontecendo desde setembro de 2015.

O criador do Facebook alegou na quarta-feira (23) que soube do Cambridge Analytica "na época [que as notícias] se tornaram públicas... por volta de março de 2018". A deputada novaiorquina questionou se alguém de sua equipe de liderança conhecia a empresa antes de uma matéria do The Guardian revelar as práticas ilegais em 11 de dezembro de 2015.

"Acredito que algumas pessoas a rastrearam internamente. Acho que conhecia a Cambridge Analytica como uma entidade anteriormente, mas não sei se estava acompanhando como eles estavam usando o Facebook especificamente."


Deputada diz que há problemas na checagem de fatos do Facebook

Alessandra perguntou ao executivo sobre a política do Facebook de isentar a publicidade política da verificação de fatos, perguntando se ela poderia pagar para anunciar uma data de eleição incorreta para as pessoas em um CEP onde há grande concentração de eleitores negros, por exemplo. Zuckerberg disse que o Facebook apóia a remoção de conteúdo em casos de violência ou no censo e supressão de eleitores e evitou confirmar que manteria mentiras nos anúncios veiculados em sua rede social.

Neste mês, a empresa se recusou a retirar um anúncio da campanha de Trump que incluía uma fotografia falsa do ex-vice-presidente Joe Biden, rival na corrida presidencial, trabalhando na Ucrânia.

"Você vê um problema em potencial aqui com uma completa falta de verificação de fatos em anúncios políticos?", destacou Alessandra. "Então você vai ou não mentir? Eu acho que a resposta é apenas um sim e um não", pressionou.


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Ela também perguntou a Zuckerberg sobre seus "jantares com figuras de extrema-direita" e se nessas reuniões abordou a teoria popular de direita que o Facebook reprime no discurso conservador - algo que o CEO evitou novamente. O testemunho de Zuckerberg marca a primeira vez que ele comparece ao Congresso desde abril de 2018, quando falou sobre o caso Cambridge Analytica. O executivo reconheceu repetidamente os erros do Facebook durante a sessão e deve retornar em breve para prestar mais esclarecimentos.
macmi
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