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Privatização dos Correios é criticada por trabalhadores do setor

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A proposta de privatização dos Correios foi duramente criticada por representantes dos trabalhadores da companhia estatal durante audiência pública realizada na manhã da última quinta-feira (8). Segundo eles, o governo usa de "argumentos falaciosos e mentirosos" para justificar a ideia, quando deveria concentrar seus esforços em "identificar responsáveis pelos desvios de recursos do [banco] Postalis".

"Não tem lógica falar em privatização dos Correios", disse o presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios (Findect), José Aparecido Gimenes Gandara. "Temos 100 mil empregados, já saíram da empresa outros 29 mil. A privatização esconde interesse de exploradores do povo brasileiro. Temos 50 mil carteiros para atender todo o Brasil, que trabalham de forma sobrecarregada. Vamos evitar greve para tirar o discurso de que somos responsáveis pela privatização. Na questão do Postalis, fomos roubados e estamos pagando integralmente o dinheiro que foi desviado do fundo de pensão. Vamos parar com falácias".

O representante sindical disse que os Correios, hoje, operam em caráter deficitário e cobrou mais investimentos do governo federal junto à empresa estatal.

A contrariedade à privatização encontrou eco na voz de Marcos César Alves Silva, presidente Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap). Ele lembrou que os Correios existem por decisão constitucional, opera de forma independente do Tesouro e que 90% das lojas virtuais são hoje dependentes do serviço da companhia.

José Rivaldo Riva, secretário geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), afirmou que os Correios vão melhorar apenas por meio de investimentos logísticos, haja vista que há pelo menos uma unidade de atendimento da empresa para o público em cada cidade do Brasil. Ele ainda argumentou que a privatização, conforme proposta recentemente, vai aumentar custos e pode incorrer na redução do serviço de entrega do país.

Os Correios detêm o monopólio da entrega de correspondências essenciais do país, tais como contas, telegramas e cartas urgentes via AR (aviso de recebimento). Encomendas e remessas podem ver utilização por empresas particulares, mas todas coordenam a logística com os Correios em algum grau.

Em 2018, a estatal obteve receita de R$ 18 bilhões, e há previsão de fechar o ano de 2019 com R$ 300 milhões de saldo de despesa positiva. A empresa nega que o monopólio de correspondências e emissão de selos postais sustente sua saúde financeira.
Catos
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