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Bolsonaro confirma que não regulamentará a mídia ou as redes sociais

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O presidente Jair Bolsonaro, por meio de sua conta oficial no Twitter, confirmou que não pretende elaborar nenhuma prática de regulamentação da mídia - seja ela imprensa formal ou redes sociais. A declaração seria uma resposta à campanha de críticas sofrida pelo ministro da Secretaria do Governo, o General Carlos Santos Cruz, que concedeu entrevista em abril para a Jovem Pan reclamando do uso das redes sociais para "tumultuar" o quadro político brasileiro.


"Em meu governo, a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais. Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coreia do Norte ou Cuba", afirmou o presidente.




O General Cruz é alvo de uma campanha de detração nas redes sociais, segundo a Folha de São Paulo, incentivada pelo escritor Olavo de Carvalho. Ele, que chefia a secretaria de Comunicação do Governo Federal por meio de sua pasta, havia concedido entrevista à Rádio Jovem Pan no início de abril, emitindo declarações que deram início à chuva de ataques.


"As distorções e os grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra, da posta leste ou da ponta oeste, isso aí têm que ser tomado muito cuidado, tem que ser disciplinado. A própria legislação tem de ser melhorada", ele disse na entrevista.

"Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu m****", disse Olavo.




Diversas personalidades, incluindo o humorista Danilo Gentili, sugeriram que as palavras do general poderiam ser interpretadas como um possível desejo de regulamentação e censura prévia das mídias oficiais e de usuários comuns. A situação chegou ao nível de internautas apoiadores do presidente pedirem pela saída do general e até mesmo a própria família Bolsonaro entrou na discussão.

"Mesmo ao falar de uma fake news contra Bolsonaro sempre defendemos a não regulamentação da internet ou da imprensa. A melhor pessoa para fazer esse filtro é você", disse também pelo Twitter o deputado estadual e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), resgatando um discurso dele próprio sobre o assunto.



Carlos Bolsonaro, também deputado e filho do presidente, além de ser o gestor das contas oficiais de Jair Bolsonaro nas redes sociais, ecoou o irmão: "A internet 'livre' foi o que trouxe Bolsonaro até a Presidência e graças a ela podemos divulgar o trabalho que o governo vem fazendo! Numa democracia, respeitar as liberdades não significa ficar de quatro para a imprensa, mas sempre permitir que exista a liberdade das mídias".



Não é de hoje que o aspecto comunicacional da Presidência da República vem enfrentando crises: não-oficialmente posicionados entre "olavistas" e "palacianos", ou seja, apoiadores do escritor Olavo de Carvalho versus funcionários, assessores e apoiadores diretos de Bolsonaro (em sua maioria, pertencentes ao círculo militar), vêm trocando farpas pelo Twitter.

Em abril, o General Santos Cruz desautorizou um pedido da Secom (Secretaria de Comunicação) em que a entidade rogava que empresas estatais enviassem para avaliação prévia propagandas de perfil mercadológico. Essa foi considerada a primeira faísca da briga entre a pasta e o empresário Fábio Wajngarten, que assumiu as rédeas da Secom no intuito de tornar a comunicação do governo mais transparente.
Catos
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