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China avalia proibir atividades de mineração de Bitcoin no país

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Documento elaborado por órgão do governo classifica mineração de criptomoedas como 'indesejável', o que pode elevar os custos de energia elétrica.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC) publicou emendas ao plano econômico do país, determinando quais atividades devem ser incentivadas e quais devem ser proibidas. De acordo com uma reportagem do jornal "South China Morning Post", o documento prevê a proibição das atividades de mineração de criptomoedas como o Bitcoin, o que poderia afastar os empreendimentos que hoje se aproveitam do baixo custo de energia elétrica no país.

O documento publicado nesta segunda-feira (8) ficará aberto para consulta pública até o dia 7 de maio. O texto ainda poderá sofrer alteração nesse período.

O Banco Popular da China, o "banco central" chinês, já proíbe diversas atividades relacionadas à comercialização de criptomoedas, inclusive serviços de compra e venda ("Exchange"). Empresas do setor financeiro, por exemplo, estão proibidas de liberar recursos para esse tipo de atividade.

A mineração, por sua vez, é a atividade que organiza e processa as transações de uma criptomoeda. Por questões de segurança, ela envolve uma série de processamentos repetitivos para adivinhar um número especial que poderá fechar o bloco de transações. Quem encontrar esse número pode ficar com a recompensa do bloco, em criptomoedas.

Para quem participa desse processo, encontrar o número que garante a recompensa é como apostar na loteria. Para comprar mais bilhetes e aumentar o número de apostas, é preciso possuir mais equipamentos de mineração, que por sua vez consomem energia elétrica. O preço baixo da energia na China (cerca de R$ 0,10 por kWh) torna o país atrativo para abastecer essas máquinas.

No entanto, o consumo de energia para a mineração pode inibir o desenvolvimento de outras indústrias e gerar poluição, principalmente em áreas atendidas por usinas termoelétricas.

Pelo novo texto elaborado pela NDRC, a mineração de criptomoedas passa a ser uma atividade "indesejável" para o país.

De acordo com o "South China Morning Post", atividades indesejáveis podem sofrer uma série de restrições. Além de não poderem comercializar produtos - o que provavelmente não afetaria diretamente a mineração -, empresas nesses ramos também podem ser sobretaxadas na energia elétrica, o maior custo da mineração de criptomoedas.

A restrição da venda de produtos poderia afetar a Bitman, uma empresa é especializada na criação e venda de equipamentos destinados exclusivamente à mineração. O impacto poderia ser menor que o esperado, já que a fabricação dos chips da Bitmain é feita sob encomenda pela taiwanesa TSMC.

Se a mineração de criptomoedas hoje realizada na China não puder ser facilmente remanejada, a rede do Bitcoin pode ficar sujeita a ataques, porque a segurança de uma criptomoeda depende, em parte, do volume de processamento dedicado à sua manutenção. Se esse volume cair, os participantes remanescentes da rede podem montar um "ataque de 51%", o que na prática permite aplicar golpes gastando duas vezes a mesma moeda.

Uma queda repentina no processamento também poderia deixar as transações mais lentas. O Bitcoin, por exemplo, sofre ajustes de dificuldade periódicos para que transações sejam concluídas, em média, a cada 10 minutos. Quando há mais mineradores, a dificuldade aumenta; com menos, ela é reduzida. Se a mineração chinesa fosse interrompida de uma só vez, não haveria poder de processamento suficiente para concluir o processo em 10 minutos.

Por outro lado, a saída dessas empresas da China pode contribuir para que a mineração fique mais descentralizada e mais cara, o que poderia reduzir o consumo total de energia do Bitcoin.
okardec
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