Apesar de esta geração ter arrancado com uma promessa de uso de performances da Cloud que favoreceria o Xbox One, a realidade é que não há nada no Xbox que torne o console mais capaz de usar a cloud do que qualquer outro. E nesse sentido o que distinguia a Microsoft do resto do mercado era o fato de estar estar ligada ao desenvolvimento de um motor baseado na Cloud e que poderia ser utilizado na sua Azure. Era o atual motor de Crackdown 3 que, 4 anos envolvidos, ainda hoje é uma mera promessa e é agora disponibilizado para outras plataformas.
O que dirias se o motor de Crackdown 3, ainda antes de ser lançado no console da Microsoft se disponibilizasse para poder ser usado em qualquer console, inclusive em jogos exclusivos console da Sony?
Pois bem, isso aconteceu, os criadores do motor estão a disponibilizar o mesmo para quem quiser, havendo o interesse em publicar um jogo VR que o usa no PS4!
Apesar de uma campanha da Microsoft baseada nas performance que seu Xbox poderia obter com a tecnologia da Cloud que era prometida como algo que estaria disponível de imediato e que distinguiria a seu console da concorrência, a realidade é que demorou quatro anos para o primeiro motor do genero ficar pronto. É certo que o que vamos ver em Crackdown 3 este ainda está longe de fazer tudo aquilo que a Microsoft prometia, mas a realidade é que as capacidades do motor vão para além daquilo que vamos ver ser feito nesse jogo.
Mesmo limitado em Crackdown 3 à gestão da fisica na Cloud é inegável que o motor é efetivamente impressionante (se bem que falta ver a adaptação à realidade de muitas internets espalhadas pelo mundo).
Mas a parte caricata desta hitória prende-se com o sabermos agora de forma clara que o motor que levou a que a Microsoft fizesse toda a sua campanha de aumento de performances do console na Cloud; não é, e nem nunca foi da Microsoft.
Apesar de o mesmo ter sido desenvolvido com a colaboração da Microsoft, o motor é 100% da Cloudgine, a empresa que possui os direitos sobre o mesmo e que o desenvolveu, tendo a Microsoft apenas cedido os recursos da Azure para todos os testes necessários ao seu desenvolvimento. E nesse sentido, com o motor pronto, a empresa é agora livre de fazer com ele o que bem entender.
E o que se entendeu é que o motor deve ser alargado a outras plataformas, principalmente a plataformas que suportem realidade virtual, a tecnologia atual onde a performance é mais necessária e onde este tipo de motor pode vir a trazer mais ganhos.
Depois o que se pretende fazer e o nível de dependência da Cloud depende da largura e banda que se quiser usar e dos recursos Cloud disponibilizados. Crackdown 3 refere funcionar com 2 megabits, mas o motor pode em outros jogos exigir mais para fazer mais. É uma questão de escolha, mas felizmente, segundo referem os seus criadores, o motor é inteligente e detecta quebras de larguras de banda, ajustando o que coloca no ecrã ao que tem disponível (cortando se necessário). Uma caracteristica que era até agora desconhecida do público em geral, e que se revela bem interessante.
Dado que há ainda compressão de dados, e que a física diz basicamente respeito a animações, não mexendo com o coração/parte nuclear do jogo, os criadores alegam que a o jogo jogado não sofre verdadeiramente se tiver de cortar em alguma coisa, sendo o impacto meramente visual.
Mas o importante a reter é que a tecnologia não depende de nenhuma plataforma, seja ela o cliente ou o tipo de cloud, e assim sendo, pode funcionar em todas, e isso permite o seu uso em outros consoles como o PS4 o Switch, e outros como o PC, Mac ou outro sistema qualquer. O único requisito é um serviço cloud prestado por alguém como a Amazon, a Google Cloud ou a Cloud da Nvidia. A Microsoft usa a sua Azure para o efeito!
Atualmente sabe-se que há já pronto outro jogo que usa o motor. O seu nome é They Came From Space, e foi criado e desenvolvido para mostrar as potencialidades do motor com o uso do VR. Basicamente, tal como em crackdown há imensa destruição, mas como tudo é calculado na cloud as animações são fluídas para O VR poder ter os fotogramas necessários para funcionar em pleno. E como resultado, o que vemos neste tipo de jogo acaba por ser mais impressionante do que o visto em Crackdown 3 onde o facto de não haver as limitações à qualidade gráfica impostas pelo VR, fazia logo à partida esperar muito mais do jogo no campo visual.
Outra novidade deste They Came From Space é o uso de streaming, uma situação que acaba por ser a joia da coroa e uma capacidade que se desconhecia deste motor, uma vez que fazer streaming em VR é algo extremamente complexo dado que ao ser 2D tal não é uma boa experiência para os jogadores. Mas dado que as clouds de GPUs já são realidades viáveis, mesmo a nível de custo, pode-se fazer um render global a 3D do mundo fazendo-se streaming para os óculos. É só preciso o suporte GPU na cloud e o jogador recebe um mundo 3D completo préviamente rendido!
E isto sim, são as tais capacidades que a Microsoft referia, mas que Crackdown não possui até porque a Cloud da Microsoft é de CPUs e não de GPUs.
Ora é exatamente com They Came From Space que a Sony pode entrar em cena. Os possuidores do jogo querem colocar o mesmo no PC, mas caso algum possuidor de uma plataforma consola com VR queira aderir, a Cloudgine mostra-se disposta a dialogar e a licenciar a tecnologia. E quem tem um console com VR? A Sony!
Não sabemos se a Sony estará interessada ou não, mas após três anos de marketing em torno da Cloud, sem qualquer jogo ainda lançado, e muito menos que a use de forma parecida com o prometido, ver-se este motor a aparecer igualmente no PS4 daria muito o que falar.