GameVício entrevista Ricardo Negreiros, idealizador do game brasileiro Life Defenders

#Notícia Publicado por Anônimo, em .

Certamente você já flagrou alguém dizendo que redes sociais são coisa de gente sem ter o que fazer, e que seus games e aplicativos são ainda piores e não acrescentam em nada para o mundo - isso quando você não foi você que disse isso durante alguma conversa.

Mas se estes são seus argumentos contra games de redes sociais, Life Defenders surge para mostrar que você esta errado. Com uma proposta de transmitir uma mensagem sobre a importância da harmonia entre homem e natureza e incentivar esta prática, o game deverá chegar ao Facebook ainda neste trimestre.

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Nós tivemos a oportunidade de conversar com Ricardo Negreiros, idealizador de Life Defenders. Confira esta conversa, que abordou coisas como a violência nos games, as dificuldades de se produzir um game no Brasil e a importância de se mudar a concepção da relação homem-meio ambiente.

De onde surgiu a ideia de Life Defenders? Mais especificamente, como surgiu a idéia de criar um game de rede social sobre preservação ambiental?

É importante ressaltar que o trabalho de reabilitação de animais silvestres vítimas da perda de habitat e do tráfico de animais para soltura em suas áreas de ocorrência é algo que a minha mulher Aparecida Negreiros já realiza há vários anos. Este é o cerne do jogo, cuja ampliação para que também abordasse a preservação ambiental foi naturalmente simples. A chegada de nosso primeiro neto em 2010 foi o catalisador final que nos incentivou a desenvolver o jogo, pois queríamos criar algo de natureza lúdica que provocasse um novo olhar sobre a realidade da vida dos animais e do meio ambiente.

Um dos maiores problemas apontados por empresas e estúdios nacionais que tentam criar jogos é a dificuldade em encontrar patrocínio e outras formas de financiamento. Com Life Defenders foi a mesma coisa? Quais os desafios e dificuldades encontradas até agora?

É sempre complicado você convencer a um investidor que a sua idéia pode trazer retorno financeiro, pois cada indivíduo tem uma percepção diferente do mundo e de riscos em geral. O financiamento do LD foi todo feito com recursos próprios, da família e de amigos próximos. Hoje já somos 6 sócios e a tendência é aumentar rapidamente. O maior aprendizado, portanto, tem sido o desafio de mostrar às pessoas que é possível mudar o mundo com mensagens positivas, pois as pessoas sentem dificuldade em aceitar que o mundo pode e precisa ser mudado. Nós iremos provar que é possível fazer empreendimentos sustentáveis, bonitos e criadores de uma consciência cada vez melhor de respeito à vida em geral.

Foi dito há cerca de oito meses, quando Aloizio Mercadante ainda era ministro da Ciência, Tecnologia e Informação, que o governo federal iria incentivar a produção de softwares e games nacionais. Você, que está envolvido na produção de um game, já sentiu o reflexo desta declaração? Houve, de fato, algum incentivo ou apoio do governo?

Não diretamente ainda. Sei que incluíram os games no bojo dos projetos de apoio pela lei do audiovisual. Embora ache importante esse incentivo, como um Life Defender penso que o governo também deveria permitir o uso da mesma mecânica de apoio a projetos culturais ou de games para a doação de 1% ou mais do imposto devido para instituições que cuidam de animais, idosos e crianças carentes. Há muito para ser feito nessas áreas, muita gente boa trabalhando com isso, mesmo sem recursos, e a sociedade pode ajudar de uma maneira mais eficiente ao destinar diretamente o seu próprio imposto para essas causas. Essa inovação ainda ajudaria a aliviar o peso do cuidado dos mais necessitados sobre os governos.

Ainda sobre o desenvolvimento de Life Defenders, foi difícil encontrar pessoal qualificado para criar o game? Qual o perfil e qualificação profissional que foi estabelecido para se trabalhar no desenvolvimento do mesmo?

Sim, claro. Eu pesquisei muito com pessoal ligado ao universo de games uma equipe que tivesse a seriedade, a experiência e a técnica necessárias para desenvolver o projeto, além de competência em assimilar uma nova filosofia diferenciada. Eu encontrei tudo isso na Final Boss, que está fazendo um trabalho fantástico.

Existe algum plano de levar o game para outras plataformas, além do Facebook? Celulares, por exemplo?

Sim, pois o Life Defenders tem uma história que explica também toda a concepção do jogo (estamos já desenvolvendo o primeiro livro). Assim, ele tem todas as condições de sair da plataforma Facebook e ir para Orkut, Iphone, livros e até filmes!

Você poderia falar mais um pouco sobre as outras mídias de Life Defenders (livro, filme etc)?

Em nossa análise de viabilidade do projeto percebemos que o game tinha uma vertente realística muito grande, pois além de ter um amparo muito genuíno na atividade real que praticamos, tornou-se relativamente "fácil" construir histórias inusitadas e personagens muito interessantes e totalmente diferentes do que vemos na cultura do entretenimento e na sociedade em geral. Daí para imaginarmos os Life Defenders expandindo-se para outros tipos de games, em livros, revistas e mesmo filmes não foi nem um pouco difícil. Temos agora apenas que trilhar cada fase de maneira cuidadosa e atenta à resposta do público, que eu tenho certeza que se identificará e se empolgará em muito com a linha filosófica dos Life Defenders.

Quais são suas metas e expectativas de Life Defenders?

Minhas expectativas são de que o máximo de pessoas, no Brasil e no mundo, percebam a importante mudança de perspectiva que o Life Defenders traz. Quero que as pessoas reflitam e se questionem por que ainda não temos reciclagem de esgotos ao invés de poluirmos mares e rios na vida real, mas que também se divirtam muito com um herói humano, porém de grande força espiritual, que eu pretendo tornar tão popular quanto o Harry Potter: Michael, o mentor dos Life Defenders. E o bacana do projeto é que todo mundo pode ser tão "Life Defender" no jogo e na vida real quanto o próprio Michael e seus amigos!

É de conhecimento geral que boa parcela dos games possui alguma forma de violência. E isto já foi abordado pela mídia, como um fator negativo, que pode levar o jogador a cometer atos igualmente violentos. Seria Life Defenders, então, um contraponto, propondo educar através dos games?

Acho que estamos atingindo o limite de uma forma de vida social baseada em nossos instintos mais primitivos, onde o gosto pela violência nos remete à vida nas cavernas. São impulsos que estão em nosso DNA, mas que devem ser transcendidos se quisermos um mundo melhor. Então, na ausência de um poder doutrinador os agentes econômicos entram em ação buscando tirar proveito desse espaço – é quando os jogos violentos florescem, dando vazão ao estímulo que o nosso código genético pré-histórico criou. O Life Defenders nos incentiva a transcender o instinto agressivo, assassino e dominador que nos foi útil no período quando habitávamos as savanas e as cavernas, mas que já há muito tempo mostrou ser desastroso para o futuro de nossa própria espécie. A mensagem que ele traz é que chegou a hora de modelarmos o mundo com base em um pensamento realmente evoluído e cosmicamente aceitável de respeito à vida.

Usando Life Defenders como um instrumento para criar uma educação e consciência ambiental e exercitar o lado lúdico dos games, pode-se dizer, então, que Life Defenders é um game educacional? Ou que, ao menos, pode ser visto como material didático complementar de educação?

O jogo jamais teve a pretensão de ser educacional, pois, como ficará mais claro conforme se avançar no game ou ler o livro que estamos produzindo com a história dos Life Defenders, o que queremos é, de uma forma leve e muito divertida, transmitir uma bela e nova mensagem que subverte basicamente a visão antropocêntrica (o homem como centro de tudo) que temos do planeta e dos animais. É uma mensagem de esperança de que é possível fazermos um mundo melhor num momento em que as pessoas estão ávidas por esse tipo de mensagem. Por exemplo, depois do programa do Globo Repórter de 01-07-2011 relativo à criação da primeira área de soltura de animais silvestres que criamos no RJ (repetido 17-2-12 em função da altíssima audiência de mais de 30 milhões de pessoas), mais três áreas de soltura estão sendo criadas no Estado.

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Para ilustrar ainda um pouco mais, nossa luta na vida real advém de estudos profundos de neurociência, conforme exponho em meu livro COISAS QUE EU ACHO QUE DARWIN NÃO SABIA (em fase de copydesk). Na base de nosso cérebro, assim como no da grande maioria dos animais, reside a herança dos nossos antepassados denominada "cérebro reptiliano", que em conjunto com diversas outras estruturas permitem-nos a todos amar, proteger a prole, sentir medo, sentir tristeza, alegria, raiva e em vários casos inclusive sentir vergonha! Então, se somos assim tão parecidos, o que nos permite que sejamos tão arrogantes e superiores a ponto de negligenciarmos o sofrimento deles? Portanto, o que o game propiciará é um novo olhar sobre a nossa relação com a natureza o planeta, porém de maneira muito divertida e positiva ao mesmo tempo. É um pensamento realmente poderoso e inovador.

Agora, embora o game originalmente não tenha tido a pretensão original de "educar", a demanda de professores que já nos solicitam uma versão para redes em escolas nos estimula a criar em breve algo mais diretamente voltado para a educação.

Atualmente, o senador Valdir Raupp (PMDB – RO) está com um projeto de lei que "altera o art. 20 da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, para incluir, entre os crimes nele previstos, o ato de fabricar, importar, distribuir, manter em depósito ou comercializar jogos de videogames ofensivos aos costumes, às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos". Obviamente, este não é o caso de Life Defenders, mas gostaria de saber qual a sua opinião sobre este projeto do senador.

Pela redação do texto parece-me claro que o senador está tentando legislar tendo como base alguma situação específica que ele identificou. É difícil, portanto, capturar e julgar a subjetividade daquilo que ele viu e o quanto aquilo faz bem ou mal à sociedade. Mas é preciso haver equilíbrio porque, por exemplo, eu acredito que muita gente que dirige como louco nas estradas, colando na traseira dos mais prudentes, inspira-se nas cenas de ultrapassagem de Fórmula 1. Por causa disso devemos proibir a transmissão pela TV de corridas de carros? A estupidez humana pode ser algo sem limites, porém o Estado executivo e legislador deveria se ocupar mais em fazer a sua parte de maneira exemplar, com educação de qualidade, bons modelos de gestão e ações de punição real a quem prejudica diretamente o seu semelhante ou os animais e o meio ambiente. Quando a população está satisfeita com o que tem e que lhe faz bem ela naturalmente se encarrega de expurgar os que no seu interior querem transgredir a ordem e o bem estar da maioria. O resto é arrogância e falsa superioridade intelectual.

Observando os animais disponíveis no game, percebe-se que há um grande foco na fauna terrestre. Existe algum plano de incluir a fauna marinha?

Claro, e já existem! O game atual já tem 42 espécies, entre elas focas e leões marinhos, mas queremos que cheguem a 200 de vários tipos, inclusive com a possibilidade de cuidarmos de baleias e golfinhos.

Sobre o game em si, como será a jogabilidade? Assim como na maioria dos games de redes sociais, Life Defenders irá se basear na ação por intervalo de tempo, como visto em FarmVille, game que praticamente lançou este segmento? E como funcionará o sistema de amizades?

O jogo terá inúmeras inovações em termos comparativos aos diversos jogos sociais no mercado, embora logicamente traga muitos dos mecanismos de diversão inerentes a esses jogos, como ações e recompensas. Como inovação, por exemplo, iremos promover uma interatividade muito grande com o mundo real da proteção animal e ambiental, o que tornará o jogo ainda mais interessante.

É dito no site do game que haverá a possibilidade de fazer micro-transações para aquisição de itens virtuais, e que parte desta renda será destinada a entidades ecológicas parceiras do game. Quais seriam estas entidades?

Esses recursos serão destinados a entidades de proteção animal e ambiental, mas também a entidades de apoio ao desenvolvimento humano, pois uma ação está intimamente ligada à outra. Assim, qualquer entidade séria pode se candidatar a receber recursos da empresa Life Defenders Entretenimentos Éticos Ltda. Atualmente já temos três instituições formalmente apoiando o Projeto Life Defenders: o IBAMA, a Connecta e a Oito Vidas.

Existe algum prazo ou previsão de quando o game será lançado?

Os testes da versão beta estão indo muito bem e quase concluídos, mas em virtude de questões estratégicas muito positivas para o Projeto Life Defenders como um todo, mas que não podem ser ainda divulgadas, nós reprogramamos o lançamento do game para meados de março. Está difícil eu conter a ansiedade de mostrar pra todo mundo a beleza e a jogabilidade do game bem como a estratégia geral de expansão do projeto dentro e fora da internet, uma vez que tudo nasceu do meu idealismo e do interesse de divulgar tão bela mensagem. Mas, é melhor ir divulgando aos poucos para não estragar as surpresas...

Por fim, poderia deixar um recado para o público da GameVício?

Muito obrigado pela gentil atenção concedida à voz desse vosso incorrigível idealista. Games são uma linguagem muito importante do entretenimento e da sociedade virtual desses novos tempos, porém é preciso lembrar que a realidade também precisa de nossa máxima atenção e ação monitoradora, para que no futuro não vivamos alienados sob o domínio de governantes e legisladores malfeitores piores do que os que conhecemos hoje.

Da Redação

Anônimo
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