CyberConnect2 e Capcom juntaram forças para criar Asura’s Wrath, unindo sci-fi com mitos antigos e uma dura curva de aprendizado. Em Tóquio, Brenna Hillier descobre o que tudo isso quer dizer.

Asura’s Wrath não é aquilo que eu esperava encontrar.
Eu adoro destruir botões dos controles, sério mesmo, e o pouco que vi sobre Asura’s Wrath me convenceu de que se tratava disso. Aperte botões, derrote centanas de inimigos, e veja explosões – um bom resumo de minhas expectativas.
“Não é apenas sobre tentar machucar seu inimigo,” disse o eternamente sorridente representante de Relações Pessoais da Capcom Europa, Leo Tan, ontem no Tóquio Game Show.
“Trata-se de tentar não morrer. Mas todos sucumbem na primeira.”
Isso feriu meu orgulho. Claro, não sou fã de jogos de luta – minha miseravel tentativa em UMVC3 e Street Fighter X Tekken momentos antes comprovou – mas esse é um jogo de ação! Quão difícil poderia ficar?
Estudei a convidativa folha de comandos. Ataque leve, ataque pesado, ataque a distancia, salto. Menos dois movimentos especiais ativados quando certa quantidade de dano fora tomado ou causado. Parecia bem simples. Nenhuma esquiva, ou bloqueio! Isso me fez rir desdenhosa.
Morri três vezes antes de Tan retornar e me ajudar.
“Você não deve interromper os ataques dele,” ele explicou.
“Você só poderá ferí-lo quando ele estiver se recuperando … neste momento.”
Após isso, ele retornou para me aconselhar novamente, quando estava prestes a enfiar o controle bem no meio da tela.
“Você não pode estar se recuperando quando ele faz isso, e depois tentar acertar o botão”
De repente caiu a ficha. Não estava jogando um beat’em up. Estava jogando um sh’mup. Ok.
Asura’s Wrath é um sh’mup muito divertido. Todas mecânicas básicas estão presentes – encontrar o espaço entre os ataques para se safar ileso, aprender o processo de cada ofensiva, e ir pra cima quando uma brecha aparecer. O fato de você estar na pele de um homem de seis braços correndo na lua é apenas um mero detalhe para esta simples porém satisfatória experiência.
De certo modo, não é justo, porque você dificilmente acerta de primeira. Ataco quando ele parte pra cima de mim? Ou espero ele fazer aquele negócio que destrói todo o terreno? Cada encontro é como um quebra-cabeças com apenas uma solução, e se não for muito sortudo, vira um jogo de tentativa e erro. Mas desde quando um sh’mup é justo?
A dor de ter que tentar e insistir é diminuída por uma estrutura amigável. CyberConnect2 nunca faz você voltar e refazer tudo desde o começo, dispersando checkpoints como ervas daninhas num matagal. Além disso, cada pequena sequência na demo era entusiasmante o suficiente para me deixar muito desapontada ao largar o controle.
Esta compulsão não é apenas coincidência. Kazuhiro Tsuchiya da Capcom e Hiroshi Matsuyama da CyberConnect2, os criadores do jogo, engenharam juntos esse monstro Frankenstein de cultura Budista e ação precisa criando uma experiência quase dramática aos moldes de novelas, na qual os jogadores são deixados sempre sedentos para saber o que ocorrerá a seguir.
Eu também quero. A cada embate eu recebia pequenas cenas, mas não apenas curtas explicações, elas eram tão boas que nem sequer pensei em pulá-las, porque eu ficava dizendo “Ha ha, você viu aquilo? Maneiro.” Na verdade, e ainda não acredito que escrevo isso, eu até perdi alguns quick time events que surgiam durante as cenas.
O que torna os QTEs tão incrivelmente divertidos é o humor, personalidade e a pura brutalidade das cenas. Mexendo nos analógicos para que Asura segurasse uma espada entre suas mãos parecia muito mais dinâmico – e maneiro – do que apenas vê-lo fazendo, e o pressionar rápido de botões são sempre mais maneiros.
Não tenho a mínima idéia do que é Asura, ou qual era seu oponente. Nem quem eram os dois estranhos observando a luta a distância. Mas o enredo em Asura’s Wrath se inspira nas melhores tradições de cinemática e narrativas, onde os esparsos diálogos te envolvem nas partes mais importantes – o que eles representam um para o outro. Como nas novelas, CyberConnect2 buscou inspirações, como quando não preciso saber qual o nome das personagens e o que comeram no café da manhã. Tudo que preciso saber é o que está acontecendo na cena em geral – seu mentor virou inimigo, o poderoso visionário, o conselheiro sênior.
O mais importante, o poderoso herói com uma causa. Asura é o cara que sobrevive ao queimar durante a entrada na atmosfera terrestre e ser empalado na superfície por uma espada tão grande que atravessa o planeta, e ainda manda um soco daqueles que fazem a face do oponente ondular como nos desenhos animados.
Isso, combinado com o frustrante “continua” em cada canto da tela e características marcantes de um sh’mup, deixam-me mais do que anciosa para ver o que a Capcom nos reserva desse estranho e lindo monstro.
Asura’s Wrath será lançado no próximo ano para PS3 e 360.
