Após conquistar uma galáxia muito, muito distante, soltar feitiços em uma escola para bruxos, salvar o mundo do crime em Gotham City e desvendar os mistérios da arca perdida, as peças mágicas de Lego transformaram Jack Sparrow, Will Turner e todo o mundo de “Os Piratas do Caribe” em brinquedo. Isso não seria ruim, caso a TT Games tivesse ouvido as reclamações dos jogos anteriores e feitos alguns ajustes.
Não que LEGO: Pirates of the Caribbean seja ruim, ele apenas acaba sendo mais do mesmo, diferenciado por poucas novidades e inovações. Uma dessas inovações fica por conta da parte gráfica: os personagens estão bem mais detalhados, com a tradicional aparência plástica de brinquedo, em cenários realistas, ricos em detalhes, sem abandonar a estética bem humorada do game.
Você começa a aventura na pele de Will Turner. Após liberar Jack Sparrow da prisão, eles formam uma aliança e seguem juntos pelas fases, contando, ainda, com a participação de um cachorro. Cada boneco possui uma habilidade específica. Will possui machados, que acertam alvos e inimigos a longa distância. Jack Sparrow pode consultar sua bússula para descobrir tesouros, madeiras para construir pontes e outras bugigangas. No momento em que você encontrar um osso, dê para o cachorro e ele fareja peças, cava buracos e até luta contra alguns inimigos.
No decorrer da aventura, outros personagens ficam disponíveis para a seleção. A maioria deles são apenas clones dos principais, com algumas vantagens ou desvantagens, embora todos possuam movimentação característica. Também é possível criar seu próprio boneco, com roupas, armas e habilidades que preferir. Como de costume, você encontra novos itens para personalizá-los escondidos pela fase.
Essa parte estética foi bem feita e não há reclamações. Com a trilha sonora extraída do filme, também não há preocupações nessa parte, pois Hans Zimmer fez um excelente trabalho nos longas.
O que chateia muito é “jogar” LEGO: Pirates of the Caribbean. Nessa parte, nada fica muito diferente do que vimos nos anteriores. O game tem multiplayer cooperativo para apenas duas pessoas, que pode entrar e sair a qualquer momento. Nenhuma função online foi adicionada, o que se torna uma grande falha, afinal, não é sempre que temos o amigo vizinho para participar da jogatina.
Enquanto isso, você fica a mercê de uma inteligência artificial danada, que tenta cumprir objetivos primeiro que você, jogando seu boneco em um buraco ou impedindo a passagem. Mais danada ainda, quando em uma batalha, seu “aliado” parte para a luta, desferindo golpes de espada em quem for, inclusive você. E então você perde uma grande quantia de dinheiro e retoma a vida, são e (quase) salvo.
Os controles são os mesmos: botões de pulo com o X, ataque com quadrado, habilidades especiais com o círculo e troca de personagem com o triângulo, mudando para o personagem mais próximo com um toque rápido ou segurando o botão para escolher um boneco específico no HUD de seleção.
A aventura é tão fácil que chega a beirar o ridículo, com missões pouco desafiantes, quebra-cabeças que podem ser resolvidos sem muita dificuldade ou inimigos que morrem apenas com um golpe. A falta de uma câmera dinâmica atrapalha bastante, pois muitas vezes existem tesouros escondidos nos cantos ou em superfícies as quais você não enxerga. Há momentos em que, por falta de visão, você calcula um pulo errado e seu personagem cai para o andar de baixo ou, pior, em um buraco, levando uma boa quantidade de dinheiro.
Outra coisa que irrita bastante: tenta pular por objetos e o personagem ficar travado no ar, como se a pedra ou caixa fossem revestidas por um campo de força invisível. Não é possível se movimentar no ar e você fica esperando ele voltar ao chão para, então, continuar com a missão.
LEGO: Pirates of the Caribbean é um jogo divertido. Em todo momento os personagens, que se comunicam por gestos e murmúrios, fazem alguma piada ou passam por situações que satirizam o filme, como o barco de Jack Sparrow quebrando em mil peças quando ele chega ao porto.
A ausência de funções online tira muito mérito do game. Estamos em uma época em que tudo gira em torno da internet e limitar uma aventura a multiplayer local não é a melhor das ideias, mas esse é um problema presentes nos jogos anteriores. No mais, se você for fã da série Lego e dos filmes, não vai se arrepender de entrar no mundo de brinquedo dos Piratas do Caribe.
Gameplay do nosso amigo manopl
