Era uma vez uma pequena cidade, no meio de nenhures, chamada Silent Hill. Era uma cidade simpática, com pessoas acolhedoras, e locais agradáveis como o lago Toluca ou o parque de diversões local.
Mas, um dia, a cidade que parecia ser o perfeito Paraíso, tornou-se no mais infernal dos Infernos…
Recorria o ano de 1999, época agitada na área do género “survivor-horror”. A saga “Resident Evil” fazia as honras, brindando os jogadores com zombies e mais zombies prontos a sucumbir às nossas mãos, e vários enigmas, que escondiam a enorme conspiração dos laboratórios “Umbrella”. Outros títulos seguiam o mesmo exemplo.
Mas a Konami queria mostrar algo diferente.
Foi no início do ano que “Silent Hill” foi lançado no Japão. Influenciados em artistas, escritores e realizadores como Francis Bacon, Stephen King e David Linch, e filmes como “Jacob’s Ladder”, a equipa Konami misturou esses elementos numa panela, adicionou uma lanterna – para nos ajudar a deambular no meio do nevoeiro – e um rádio avariado – mas que emite estática na proximidade das temerosas criaturas que assombram a cidade, e os resultados estão à vista: “Silent Hill” foi considerando um dos mais assustadores jogos para a PSX.
No início do jogo, conhecemos Harry, um viúvo que viaja com a pequena filha, Cheryl, para umas férias em Silent Hill. De repente, uma figura vindo do nada aparece à frente do carro, e Harry despista-se. Quando acorda, repara que Cheryl desapareceu. Começa então uma longa missão por Silent Hill, com esperanças em encontrar a pequena e voltar para casa são e salvo.
O jogo recebeu várias críticas positivas, mas possuía algumas falhas: muitos acusaram os maus ângulos de câmara, o movimento lento de Harry, o grafismo. Mas outros elementos como o factor “terror psicológico”, a banda sonora, a multiplicidade de fins, a complexidade da história, a presença constante do nevoeiro, que nos aprisiona e nos tapa quase completamente os olhos, criando um sentimento de claustrofobia, foram suficientes para o tornar num jogo de culto.
Mais tarde, a Konami lança Silent Hill para Game Boy Advance. Mas ao contrário do título para PSX, este era basicamente texto e enigmas para resolver, contendo algumas revelações extra. Cada vez que terminava o jogo, obtia-se cartas, para completar uma colecção, e oferecia a opção de ligar um telemóvel ao Game Boy Advance para algumas coisinhas extra. Infelizmente, o jogo não chegou a ser traduzido, ou seja, não chegou a sair do Japão.
Dois anos mais tarde a equipa volta a apostar nesta série. Sai, então, no ano de 2001, “Silent Hill 2”. Mais uma vez o sucesso repetiu-se, desta vez em várias plataformas – PS2, XBox e PC – e com várias versões e extras. Comparado com o título anterior, este tinha um grafismo mil vezes superior, além de ter melhorado em vários aspectos técnicos. Para não cair no efeito cliché, de jogar na mesma cidade, foram criadas novas áreas, novos inimigos, uma nova história.
Em “Silent Hill 2” encarnamos James, que, um dia, recebe uma carta da sua amada esposa Mary. Nesta, ela diz que o esperava “no nosso lugar especial”, em Silent Hill. Mas para James, passa-se algo de errado. Mary tinha morrido há dois anos, doente. Será que ela estaria mesmo à espera dele, em Silent Hill?
Foi neste título que se estabeleceu os elementos que distinguiam a saga “Silent Hill” de outros jogos: o terror psicológico, a criação dos sentimentos de claustrofobia e ansiedade, os medos do subconsciente humano, a lanterna e o rádio, cadeiras de rodas, nevoeiro, hospitais com enfermeiras demoníacas, ambiente metálico, sangue, as composições musicais excelentes de Akira Yamaoka, histórias profundas, vários finais… um deles hilariante para aliviar o ambiente.
Mas a Konami decidiu que queria ir mais longe. Em 2003, sai “Silent Hill 3”, desta vez lançado primeiro na Europa, talvez para compensar os atrasos dos títulos anteriores.
Desta vez, a personagem principal era uma adolescente chamada Heather, que, durante um típico passeio pelo centro comercial, se encontra mergulhada no inferno. Ã então que descobre que precisa de respostas para algumas das questões que a atormentam, deslocando-se à cidade de Silent Hill, que no fundo parece ser uma cidade familiar a ela…
Neste título, a Konami empenhou-se a sério na parte gráfica, que consegue superar a de “Silent Hill 2”. Como o título anterior, saiu para as mesmas plataformas – a qualidade gráfica era tal, que para jogar a versão PC, era necessário um super-computador!
Novamente, os mesmos elementos, mas com a introdução de elementos que arrepiavam mesmo o mais corajoso dos jogadores: desde paredes a sangrar, uma sala que suga a vida, ruídos estridentes, um telefonema de uma cabine telefónica, com os fios cortados, fechada num cacifo… Já fartos de repetições e clichés, a equipa Konami resolveu inovar a fundo, prometendo continuar a impressionar os fans da série. Sai então, ainda neste ano corrente de 2004, “Silent Hill 4: The Room”, o primeiro da série a ignorar quase completamente as “regras Silent Hill”. Aliás, este jogo foi intitulado “Silent Hill” por questões de marketing – o seu nome pré-destinado era “Room 302”. Mas mostrou que conseguia também pertencer à famosa saga.
Ã-nos apresentado Henry, um jovem que habita, há pouco tempo, o apartamento número 302. No início, tudo parecia bem, até começar a ter estranhos pesadelos. Um dia, quando acordou disposto a repetir mais uma vez a sua rotina, descobre que alguém selou a sua porta com correntes, e é impossível sair. Escrito a vermelho, na porta, está “Don’t go out! Walter”. Por mais que grite, por mais que pontapeie a porta, ninguém ouve… Ã então que descobre um portal na casa de banho. Decidido a perceber que diabos se passa, Henry entra, e descobre o terrível segredo atrás da pacata cidade Silent Hill.



