Entre os países da América Latina, o Brasil lidera o ranking na hospedagem de malware com 55%, seguido por Panamá com 19%, além de Paraguai e Argentina ambos com 9%. São Paulo (23%), Rio de Janeiro (19%), Distrito Federal (10%) e Minas Gerais (10%) são os Estados mais atingidos. As informações foram levantadas pela empresa de segurança Kaspersky Lab.
“Esses dados mostram claramente que o Brasil abriga vários problemas de vulnerabilidades. Falta conscientização sobre medidas de segurança e melhores práticas de uso da Internet. Ã um cenário muito preocupante”, aponta Dmitry Bestuzhev, chefe da Equipe de Pesquisa e Análise Global na América Latina da Kaspersky Lab.
O Kido está no topo da lista dos maiores malwares no País com 13% das infecções. Em segundo lugar aparecem os Trojans com 11% e o Hack Tool com 9% na terceira posição. “Essas ameaças utilizam entradas de USB e recursos compartilhados para roubar dados e informações bancárias. Ã um negócio muito lucrativo, por isso é tão forte”.
Na visão de Bestuzhev, esses números são reflexos do alto nível de pirataria de software no Brasil. “Aqui, ninguém quer pagar por licenças de proteção, a prática mais comum é adquirir programas piratas sem atualizações, muitas vezes, eles já veem com infecções, o que deixa o sistema inda mais vulnerável”.
Durante todo o ano, a atividade do cibercrime no Brasil tem os meses certos para atacar. De maio a julho, devido às férias escolares, são os meses de maior incidência de ataques e ganha força novamente de novembro a dezembro. Para Bestuzhev, a maioria dos crackers é jovem, “eles roubam e gastam, depois voltam a atacar nas próximas férias, é um dinheiro muito fácil, por isso não acaba”.
As ameaças mais usadas para essas práticas são os Trojan-spy, o mais poderoso que rouba tudo que vê pela frente, o Trojan-Banker, interessado em cartões de crédito e dados bancários e o Trojan-PSW que rouba senhas de programas e e-mails. Além disso, há também os novos e-mails de phishing que trazem o CPF da vítima, o que dá maior credibilidade ao golpe. “Com o roubo do número de um documento, cria-se grandes expectativas sobre aquele dado e as incidências de crime são ainda maiores”.
Para o próximo ano, Bestuzhev fez algumas previsões. Baixa dos ataques ao Orkut e aumento no Facebook / Twitter devido à popularização dessas redes. Fusão entre ataques físicos e virtuais, “no Brasil, há leis para os crimes físicos, mas para os crimes digitais ainda está engatinhando”. Ataques direcionados e agressivos, feitos profissionalmente e desenvolvimento de botnets também estão entre as principais tendências.
