
Todo fã hardcore de jogos de corrida já passou pelo mesmo drama: jogar por 4 horas sem perceber o tempo passar, apenas tentando fazer com precisão a primeiro sessão de curvas deste monstruoso circuito. A Nordschleife (que significa, basicamente, “giro norte”) é reconhecidamente o maior, mais difícil e mais perigoso circuito que existe. Construída em 1927 a pista corta as montanhas que cercam o vilarejo de Nürburg, Alemanha.

O apelido “Inferno Verde” foi cunhado pelo corredor Jackie Stewart, que junto a todos os outros pilotos que correram na pista, sofreram a tensão de não conseguir manter as rodas no chão (de tão irregular é o asfalto) e a quase todo momento bater nas árvores que estão muito próximas da pista (devido às curvas invisíveis do circuito).

Flugplatz: Os desavisados decolam nessa parte do circuito
Nos primórdios do automobilismo não existiam circuitos fechados como hoje. As corridas eram realizadas em ruas públicas, que obviamente não tinham segurança alguma. Nas Montanhas Eifel, que escondem o vilarejo de Nürburg, a Assossiação Alemã de Automobolismo (ADAC) organizava um evento de corrida pelas estradas. Várias subidas e descidas, aliadas a curvas muito fechadas e a proximidade com as árvores começaram a fazer essa competição impraticável, devido a grande volume de acidentes.

O cara tinha que ser muito macho pra correr numa estrada dessas
Foi então proposto pela associação que se construísse um circuito, com características mais propícias à segurança no automobilismo. Entre 1925 e 1927 foi construído o circuito (de 9 metros de largura, 28Km de extensão e 174 curvas), que rapidamente começou a receber todo tipo de competições. A Segunda Guerra Mundial suspendeu as atividades do automobilismo na Alemanha, e o circuito foi fechado em 39 e reaberto em 47.
Nos anos 50, ele se tornou a sede do GP da Europa de Fórmula 1. Ao passar dos anos, alguns circuitos começaram a ficar muito perigosos para a evolução rápida dos carros de F1, e em 1970 os pilotos decidiram boicotar o GP da Europa, pois previam acidentes graves na Nordschleife. Era a hora de mudar o circuito, mas como era impossível fazê-lo rapidamente (devido ao tamanho) ele teve que ser novamente fechado, e hospedar alguns poucos eventos. Foram corrigidos boa parte das irregularidades do asfalto, e colocados ao redor de toda a pista as placas de metal, que “protegem” os carros de acertar as árvores, caso saiam da pista. Além disso, uma parte do circuito foi demolida, e seu tamanho caiu para 22Km de extensão.
As placas de metal; nas primeiras vezes na pista você as vê mais que o asfalto
Era possível novamente que a F1 retornasse ao circuito. E assim foi de 71 a 76. Antes do GP de 1976 Nikki Lauda sugeriu aos pilotos um boicote à corrida, pois acreditava que a segurança do circuito não era suficiente, e todos votaram contra. Parece piada, mas na segunda volta da corrida, Lauda bateu, e devido à grande quantidade de combustível o carro se incendiou. Se não fosse por 4 pilotos que desistiram da corrida para retirar Lauda do carro em chamas, ele teria morrido. Essa foi a última vez que a F1 correu em Nordschleife.
Nikki Lauda, momentos antes de bater em 1976
O que ficou evidente no acidente sofrido por Lauda era que o circuito era grande demais para ser vigiado pelas forças de resgate. Houve também pressão televisiva, pois era muito difícil cobrir os 22Km de circuito com as câmeras. Em 1984 começou a construção do circuito de Nürburgring, e a Fórmula 1 pode então retornar para o circuito de apenas 4Km, que até hoje é utilizado pela mesma. A Nordschleife sofreu apenas reformas básicas, melhoras no asfalto e áreas de escape para as piores curvas. Desde então o circuito permanece intocado, e poucos eventos são realizados lá. Os mais importantes são a DTM e as 24h de Nürburgring.
A Caracciola Karussel: Inferno dos Noobs em simulação
Aberta ao público
Visitantes correndo na pista
Curiosamente, o circuito é aberto ao público, e com apenas 24 euros você pode dar uma volta completa no circuito, no seu próprio carro. Ã fato que pelo menos 12 pessoas morrem por ano em batidas.
Algum alemão meia-roda acabando com o final de semana
Uma volta no circuito, à passeio
Games
Os primeiros jogos a arriscarem a inclusão da Nordschleife em seu leque de pistas foram GT Legends e Gran Turismo 4. A pista acabou fazendo muito sucesso entre os jogadores, e Forza e NFS Shift também incluíram suas versões.
Não é novidade dizer que a SimBin e seu gosto pela perfeição absoluta foi a empresa que melhor conseguiu representar o circuito. Desde os boxes, às pinturas que são feitas no asfalto e placas de segurança por pilotos avisando das curvas perigosas, está tudo lá. Inclusive uma bonita homenagem ao piloto Ayrton Senna, pintada de verde e amarelo com os dizeres “Senna, wish you were here” (Senna, queria que você estivesse aqui). NFS Shift fez uma boa representação, mas no exagero com o comportamento dos carros, controlar a Ferrari FXX na pista é como domar um touro bravo no rodeio; além disso, praticamente não se vê as pinturas na pista. Em Gran Turismo e Forza a pista é sempre muito bem representada, mas há alguns detalhes que são retirados, para tornar a pista mais “dirigível”. De maneira geral, todos esses games entregam uma boa representação do circuito, e dão o testemunho de como é pilotar a pista mais difícil que existe.
https://www.youtube.com/watch?v=Zb4z7b-wk5E
Uma volta no circuito, no game GTR Evolution (se achou o gráfico ruim F***-**, isso aqui é pra amantes do automobilismo, rapá)
Volta noturna no circuito, a bordo de um Astom Martin V8 Vantage
Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais deste que é junto ao Circuit de La Sarthe, meu favorito!
Gostou? Veja meu artigo sobre as 24h de Le Mans: https://www.gamevicio.com.br/i/noticias/63/63625-as-24-horas-de-le-mans/index.html


