Os jogadores mais ‘hardcore’ continuam apaixonados por jogos violentos, principalmente se eles trazem gráficos perfeitos, personagens realistas e enredos inovadores

Os jogadores ortodoxos continuam apaixonados por jogos violentos e cheios de tiros
O sangue continua sendo um pré-requisito para os jogos esperados pelos assíduos fãs da ação, mas muita coisa mudou desde que as primitivas batalhas eletrônicas foram impugnadas pelo moralismo social nos anos 1980 e 1990.
Hoje, são poucos os nichos sociais que ainda repreendem a indústria de jogos eletrônicos, até porque a indústria foi bastante influenciada pela cultura, inovação e criatividade, que situou os games à altura de outros produtos. Os críticos que temiam o efeito negativo dos jogos violentos sobre os usuários não conseguiram mais sustentar seus argumentos.

‘Killzone’ é um dos novos games que aliam violência e diversão.
à preciso muita criatividade para fazer enredos que atraiam a atenção dos gamers
Descobrindo novas fórmulas
Os shooters e outros tipos de games que usam e abusam do ingrediente violência costumam coincidir no enredo e nas características da trama, o que exige dos produtores muita criatividade para fazer jogos diferentes e rentáveis. Na história de vários desses jogos, a humanidade está em perigo, os cenários são apocalípticos e o mocinho é do tipo ‘durão’ e com uma incrível capacidade de sobrevivência.
Apesar do heroísmo estilo ‘Chuck Norris’ dos protagonistas, os inimigos – humanos, mutantes ou extraterrestres – estão cada vez mais preparados e fortes para lutar. Muitas vezes nesses jogos, à medida que o personagem principal perde força, a tela do jogador vai ficando vermelha por causa do sangue derramado, como em ‘Killzone 3’.
‘Medal of Honor’ contou com a ajuda de soldados de verdade.
Realismo sem limites
Para se conseguir o tão desejado realismo, os criadores recorrem inclusive à assessoria de militares de unidades especiais para produzir os detalhes de como um soldado enfrenta uma batalha. Ã o caso do próximo ‘Medal of Honor’, a 13ª edição, para cujo desenvolvimento se contou com a colaboração do corpo de elite Tier 1 Operators do U.S. Special Operations Community.
Os criadores devem estar fazendo um bom trabalho, porque até os soldados profissionais gostam destes jogos. Prova disso é que a maleta da empresa Gaems para transportar videogames – e que serve como plataforma de jogo portátil com alto-falantes e tela embutidos – chamou a atenção do Exército americano, que queria usá-la para entreter os soldados mobilizados em missões no exterior.
Para Borja de Altolaguirre, os shooters passaram por uma “evolução brutal”, sobretudo quanto à qualidade dos cenários, às novidades de controle e aos detalhes dos desenhos. Novidades como a tecnologia 3D e os novos sistemas de interatividade da Microsoft (Kinect) e da Sony (o comando Move) também tornam estes jogos ainda mais interessantes.
‘Crysis 2’ e ‘Killzone 3’ são alguns exemplos de games que se preocupam com o realismo dos detalhes. No primeiro, o jogador terá de salvar o mundo e a bela Nova York da destruição e de uma invasão alienígena. No segundo, a batalha acontece em um planeta inimigo.
‘Bulletstorm’ não agradou a todos os apaixonados pelo gênero.
As comunidades virtuais
Segundo ele, outra peculiaridade desses jogos, que um dia foram a ovelha-negra do entretenimento, é a opção multiplayer online, que estende a experiência no tempo além das “típicas dez horas” de história dos games do passado.
A difusão da internet e da banda larga tornou possível que um jogador nos Estados Unidos possa combater ou fazer parceria com outro usuário que vive no Japão ou no Brasil. Altolaguirre opina que a possibilidade de formar comunidades de shooters, e em geral de qualquer tipo de game, é sinônimo de sucesso. ‘Gears of War 3’, ‘Call of Duty: Black Ops’, ‘Halo Reach’ e ‘Medal of Honor’ incluirão a modalidade multiplayer online.
Não há dúvida do sucesso dos jogos de tiros e combates, mas há alguns tão violentos e explícitos que não seduzem todos aqueles que se declaram amantes do gênero. Na feira E3 pôde se constatar que o extremismo de “Dead Space 2”, “Bulletstorm” e “Rage” os tornam jogos não aptos para o público mais light.
Os shooters foram, são e serão uma tendência incontestável dos jogos interativos. Mas felizmente a sofisticação da técnica foi acompanhada pela diversificação dos produtos e do público consumidor. E sempre haverá o universo idílico de Mario e Sonic para aqueles que se disserem pacifistas eletrônicos.

