
O mundo está sob tensão após um avião comercial ter sido abatido por um míssil (supostamente) norteamericano em pleno leste europeu. Porém, o governo dos Estados Unidos garante que não tem nada a ver com o ocorrido, e envia o agente Michael Thorton para descobrir quem está por trás disso e, obviamente, garantir a manutenção da paz mundial. Só que as coisas não se desenrolam como o esperado, Michael é traído por seus superiores e os EUA passam inclusive a perseguí-lo – é o chamado “protocolo Alfa”, que ocorre quando um agente deixa de ter relações com o governo.
Esta é a trama de Alpha Protocol, novo RPG de espionagem da Obsidian Entertainment, famosa por Neverwinter Nights 2, Star Wars: Knights of the Old Republic 2, Baldur’s Gate e o novo Fallout: New Vegas.
Snake ou Rambo?
Alpha Protocol é essencialmente um RPG, mas mescla elementos de espionagem e ação típicos de Metal Gear Solid e Splinter Cell com um sistema de diálogos e desenvolvimento do personagem próprios dos RPGs ocidentais mais recentes, como Mass Effect e Dragon Age. As missões principais serão obrigatórias, independentemente do andamento da trama. Segundo a Obsidian, “é preciso manter uma certa linearidade”.
Mas o estúdio garante que a graça do jogo não está em completar as missões, mas sim na forma como isso é feito: Michael Thorton pode partir pro tiroteio (e se estiver no meio de uma conversa, nem precisa esperar ela acabar) ou ser discreto, limpar a área sem ser percebido e encontrar outras formas de chegar aonde precisa. Ã como se ele juntasse o melhor dos mundos de Solid Snake e Rambo.
E é aí que entra o sistema de atributos, que, novamente, lembra bastante o de Mass Effect: os pontos adquiridos conforme o personagem sobe de nível são utilizados para melhorar as habilidades do agente em atributos como pistolas, metralhadoras, espingardas, técnicas de sabotagem, itens e na luta corporal – Michael pratica “kenpo” e precisa de aptidão para usar os gadgets oferecidos pela CIA. Um dos níveis da habilidade “stealth”, por exemplo, permite que os passos do personagem não sejam ouvidos por até dez segundos, facilitando a entrada em algum lugar onde fazer silêncio seja imprescindível.
Se em determinado momento do jogo o protagonista precisar invadir algum local, mas não tiver habilidade suficiente para instalar uma bomba ou mesmo explodir a entrada, terá que procurar um caminho alternativo. Na hora do tiroteio, pode faltar agilidade ao utilizar armas com poucos atributos.
E a Obsidian promete: dá para chegar ao final do jogo sem matar um inimigo sequer, se aproveitando da luminosidade (ou da falta dela) e de objetos no cenário para se esconder e dar um fim nos inimigos na surdina, no maior estilo Metal Gear Solid e Batman: Arkham Asylum. Claro que sempre é possível optar pelo caminho da ação, mas Michael perderá um pouco de sua mobilidade ao usar coletes à prova de bala ou armas mais pesadas. De qualquer forma, a diversão está garantida com armadilhas do tipo “fileira de lasers” e uma variedade de pistolas e metralhadoras (todas fictícias, mas baseadas em armas reais).
A decisão é a sua arma
O jogo fará uso do chamado “dynamic dialog system” (sistema dinâmico de diálogo), parecido com o que ficou famoso em Mass Effect: não existem escolhas certas nem erradas, e cada decisão muda o rumo da trama e a relação de Michael com o restante dos personagens. A diferença é que em Alpha Protocol você tem um limite de tempo para tomar cada decisão. Não chega a ser um “quick time event”, mas serve como tentativa de adicionar um componente de tensão a mais na jogatina.
O curioso é que cada um dos tipos de resposta que você pode dar foi baseado em um personagem que começa com as iniciais “J.B.”: a discrição de um James Bond, a agressividade de Jack Bauer e jeitão nem-lá-nem-cá de Jason Bourne. Parece bem promissor, principalmente porque muitas das consequências de cada ação nem sempre serão imediatas.
Se você foi agressivo demais com algum outro personagem, prepare-se para receber um sonoro “não” quando precisar da ajuda dele, mesmo que isso só ocorra lá para o final do jogo; se deu uma resposta sarcástica, espere ouvir alguma piadinha mais à frente.
Para completar o clima, a trilha sonora promete capricho e está a cargo de Brian Wayne Transeau, que já contribuiu com faixas para os filmes Stealth: Ameaça Invisível, 60 Segundos e Tomb Raider.
Em desenvolvimento desde 2008, Alpha Protocol promete agradar quem busca algo mais de um jogo de ação com espionagem – ou algo mais que um RPG com opções nos diálogos. Se a Obsidian conseguir um bom equilíbrio entre estes três elementos desde o começo até o final do jogo, é bem capaz que estejamos acompanhando o nascimento de uma nova franquia de sucesso. Afinal, sempre é bom ser um agente secreto, principalmente quando o governo deixa de ser seu chefe.
